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Bullying no Contexto da Adolescência: Um Estudo das Representações Sociais

Bullying in the Adolescence Context: A Study of the Social Representations

Bullying en la Adolescencia: Un Estudio de las Representaciones Sociales

Jaqueline Gomes Cavalcanti(1); Maria da Penha de Lima Coutinho(2); Lidiane Silva de Araújo(3); Adriele Vieira de Lima Pinto(4); Emerson Araújo Do Bu(5); Karla Costa Silva(6)

1 Instituto de Educação Superior da Paraíba, Cabedelo, Brasil.
E-mail: gomes.jaqueline@gmail.com | ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3068-404X

2 Instituto de Educação Superior da Paraíba, Cabedelo, Brasil.
E-mail: mplcoutinho@gmail.com | ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3961-2402

3 Universidade Federal do Mato Grosso, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.
E-mail: lidianearaujojp@gmail.com | ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7160-4379

4 Universidade Federal da Paraíba, Brasil.
E-mail: adri.vlp8@gmail.com | ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4126-1795

5 Universidade Federal da Paraíba, Brasil.
E-mail: dobuemerson@gmail.com | ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3864-3872

6 Universidade Federal da Paraíba, Brasil.
E-mail: karlacs18@gmail.com | ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8454-3787

Resumo

O presente estudo objetivou apreender as Representações Sociais (RS) de adolescentes escolares sobre o bullying. Para tanto, participaram da pesquisa 31 estudantes com idades entre 12 a 18 anos, que foram submetidos a entrevistas em profundidade. O material coletado constituiu um corpus textual, que foi submetido às análises de Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e de Similitude, por meio do software Interface de R pour analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires - IRAMUTEQ. De forma ampla, indica-se que os resultados evidenciaram as RS do bullying ancoradas no preconceito e intolerância às diferenças, sendo, por vezes, objetivado enquanto brincadeiras típicas do cotidiano estudantil; realidade que pode naturalizar o problema, mascarando e inviabilizando o seu enfrentamento. Além disso, os adolescentes demonstraram uma apropriação estruturada da definição do bullying, suas modalidades e consequências, as quais, por seu tempo, demandam suporte aos escolares, apoiando-os no embate deste fenômeno multifacetado através de denúncias. Portanto, evidencia-se que o bullying provoca implicações psicossociais, demandando atenção de novos estudos e intervenções interdisciplinares eficazes.

Palavras-chave: bullying, adolescente, violência, representações sociais

Abstract

This study aimed to apprehend the Social Representations (SR) of school adolescents on bullying. For that, 31 students aged 12 to 18 years, who underwent in-depth interviews, participated in the research. The collected material constituted a textual corpus, which was submitted to the analyzes of Descending Hierarchical Classification (DHC) and Similitude, by the software Interface de R pour analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires - IRAMUTEQ. Broadly, it is indicated that the results evidenced the SR of bullying anchored in prejudice and intolerance to differences, being sometimes objectified as typical games of student routine; reality that can naturalize the problem, masking and making it unfeasible. In addition, the adolescents demonstrated a structured appropriation of the bullying definition, its modalities and consequences, which, for their time, demand support for the students, helping them in the struggle of this multifaceted phenomenon through denunciations. Therefore, it is evident that bullying causes psychosocial implications, demanding attention from new studies and effective interdisciplinary interventions.

Keywords: bullying, adolescent, violence, social representations

Resumen

El presente estudio objetivó aprehender las Representaciones Sociales (RS) de adolescentes escolares sobre el bullying. Para ello, participaron de la investigación 31 estudiantes con edades entre 12 a 18 años, que fueron sometidos a entrevistas en profundidad. El material recolectado constituyó un corpus textual, que fue sometido a los análisis de Clasificación Jerárquica Descendente (CHD) y de Similitud, a través del software Interface de R pour analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires - IRAMUTEQ. De forma amplia, se indica que los resultados evidenciaron las RS del bullying ancladas en el preconcepto e intolerancia a las diferencias, siendo a veces objetivado como bromas típicas del cotidiano estudiantil; realidad que puede naturalizar el problema, enmascarando e inviabilizando su enfrentamiento. Además, los adolescentes demostraron una apropiación estructurada de la definición del bullying, sus modalidades y consecuencias, las cuales, por su tiempo, demandan apoyo a los escolares, apoyándolos en el embate de este fenómeno multifacético a través de denuncias. Por lo tanto, se evidencia que el bullying provoca implicaciones psicosociales, demandando atención de nuevos estudios e intervenciones interdisciplinarias eficaces.

Palabras clave: bullying, adolescente, violencia, representaciones sociales

Introdução

O tema bullying tornou-se comum na mídia popular, sobretudo pela veiculação midiática de casos trágicos nas escolas. Além disso, fatores como: alta prevalência nesse contexto e consequências geradas aos seus envolvidos tem despertado a atenção de pesquisadores para o tema (Almeida et al., 2018; Bandeira & Hutz, 2012; Terroso, Wendt, Oliveira, & Argimon, 2016; Oliveira et al., 2015; Mello et al., 2017). Não obstante, o interesse por este fenômeno não é recente, emergindo em discussões desde o final de 1960 e, tendo seu apogeu demarcado a partir da publicação clássica de Dan Olweus (1978) sobre esse tipo de agressão nas escolas.

No que se refere a sua definição, pode-se compreender o bullying como um fenômeno que ocorre sem motivação evidente, quando um ou mais estudante(s) comete(m) atitudes agressivas contra outro(s), causando-lhe(s) dor e angústia, de forma recorrente e intencional, envolvendo um desequilíbrio relacional de poder (Olweus, 2013). Essa modalidade de agressão entre pares pode dá-se de forma: física (bater, empurrar, chutar); verbal (xingar e provocar); relacional ou social (exclusão, fofoca e espalhar boatos); ou ainda por meio eletrônico (Terroso et al., 2016; Wendt & Lisboa, 2013).

Conforme Bandeira e Hutz (2012), crianças e adolescentes podem estar envolvidos no bullying como agressores, vítimas, vítimas-agressores e observadores. Quando agressores, utilizam da força para aterrorizar ou machucar o outro; enquanto vítimas, caracterizam-se como alvos do bullying; sendo vítimas-agressoras, são vítimas que também intimidam; e, finalmente, enquanto observadores, constituem-se como testemunhas que presenciam as situações de exposição das vítimas. Entretanto, independentemente do tipo de envolvimento das crianças e adolescentes no bullying, evidencia-se que estas são igualmente expostas a condições de vulnerabilidade, que afetam sua qualidade de vida e bem estar (Souza, Silva, & Faro, 2015).

Em geral, as vítimas da intimidação estão em maior risco de desencadear problemas de saúde física, bem como problemas de ordem psíquica, tais como depressão, ansiedade e baixa autoestima (Cavalcanti et al., 2018; Malecki et al., 2015). Ademais, efeitos também podem ser verificados para os agressores e observadores deste contexto, como o comprometimento do desenvolvimento acadêmico, assim como desenvolvimento de comportamentos que fogem a norma social (Trevisol & Uberti, 2016; McCuddy & Esbensen, 2017).

Esse panorama, indubitavelmente, assegura a espessura social e relevância acadêmica desse construto, que demanda do conhecimento científico novas investigações no sentido de apreender, de modo pormenorizado, o saber que é compartilhado pelos próprios adolescentes sobre o tema, legitimando a importância das suas vivências em torno do assunto no cotidiano escolar. Deste modo, considerando que o bullying se apresenta como um fenômeno difuso, multifacetado, o presente estudo ancora-se na Teoria das Representações Sociais (TRS) como base analítica do saber formado pelos adolescentes escolares.

Tal perspectiva constitui uma vertente teórica da Psicologia Social, proposta por Serge Moscovici, o qual definiu as Representações Sociais (RS) como sendo um conjunto de conceitos, proposições e explicações originadas na vida cotidiana no decurso de comunicações interpessoais (Moscovici, 1981). Segundo Jodelet (2001), considerada a maior difusora da teoria no contexto brasileiro, as RS podem ser definidas como uma forma de conhecimento socialmente elaborada e partilhada, que visa contribuir para a construção de uma realidade comum a um grupo social.

Referir-se as RS implica em reconhecer o sistema de interpretação da realidade que norteia as relações dos indivíduos com o meio físico e social, determinando seus comportamentos e práticas e, ainda, guiando suas ações sociais face ao cotidiano e suas vicissitudes. Logo, percebe-se que as RS não se formam apenas de perspectivas teóricas científicas, mas das experiências, comunicações, cultura e fatos cotidianos. Nesse sentido, estudar o bullying sob esse enfoque teórico se faz oportuno, tendo em vista que esse fenômeno é um construto complexo, situado num contexto social em plena mudança.

Buscando-se a produção de artigos nacionais relacionados ao bullying sob um enfoque psicossociológico, por meio dos descritores “bullying AND Representações Sociais” nas bases de dados: Scielo, Lilacs e Pepsic, encontrou-se apenas uma publicação que dá visibilidade aos discursos de adolescentes escolares sobre o bullying na perspectiva das RS (Araújo, Coutinho, Miranda, & Saraiva, 2012).

Não obstante, o artigo supracitado não evidencia o bullying como tema central ou problema eminentemente relacionado ao cotidiano entre os pares, mas trata-o sob uma perspectiva mais geral, relacionada aos atravessamentos de outras formas de violência igualmente importantes. Nesse sentido, tendo-se em vista essa incipiencia da literatura e, intuindo ampliar a lente de compreensão sobre o tema a partir da realidade cotidiana de adolescentes escolares, buscou-se nesta pesquisa apreender as RS de adolescentes escolares sobre o bullying.

Método

Trata-se de um estudo misto, quantitativo e qualitativo, de cunho descritivo-exploratório, desenvolvido duas escolas públicas (uma municipal e uma estadual), localizada no estado da Paraíba.

Participantes

A amostra da presente pesquisa fora composta por 31 adolescentes com idades de 12 a 18 anos, prevalentemente do sexo feminino (73,3%) e estudantes do ensino fundamental (36,7%) e médio (63,3%), escolhidos de maneira convencional e não probabilística, segundo o critério de saturação proposto por Sá (1998). Destaca-se que apenas foram incluídos na amostra adolescentes (12 a 18 anos) que aceitaram participar do estudo voluntariamente, com respectiva autorização de seus responsáveis legais (quando menores de 18 anos).

Local da pesquisa

A pesquisa foi realizada, no período de 4 meses total, em duas escolas da cidade de João Pessoa: uma municipal (alunos no 9º ano do ensino fundamental), e uma estadual (alunos do 1º ao 3º ano do ensino médio). A escola municipal está localizada na região sul de João Pessoa, atende aproximadamente 600 alunos do ensino fundamental I e II, possui dez salas de aulas, laboratório de informática, um ginásio de esportes, sala de artes, biblioteca padrão, sala multimídia(80 lugares), laboratório de ciências exatas, refeitório e recreio coberto. Essa escola já recebeu premiação quanto a ser uma das melhores da Paraíba. Por sua vez a escola estadual localiza-se na região norte da cidade de João Pessoa e atende a 2.144 alunos, do ensino médio. A escola possui 20 salas de aula e tem auditório, biblioteca, laboratórios multimídia, além de um rico acervo com milhares de documentos históricos.

Instrumentos

Para coleta de dados, utilizaram-se entrevistas em profundidade, que possibilitam compreender as experiências do dia a dia dos atores sociais do estudo frente ao bullying, além de suas questões afetivas, atitudes, crenças e valores sobre o fenômeno (Vieira, 2012; Minayo, 2007); bem como, um questionário sociodemográfico, com questões relacionadas à caracterização do perfil da amostra (idade, sexo, série). Ressalta-se que a pergunta norteadora da entrevista em profundidade fora: “o que você conhece, entende ou já ouviu falar sobre o bullying?”.

Procedimento éticos

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética de uma Instituição Federal (CAAE: 58471616.1.0000.5188). Ressalta-se que para o desenvolvimento desta pesquisa atenderam-se as determinações éticas contempladas nas Resoluções 466/2012 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) do Brasil, que trata sobre pesquisas envolvendo seres humanos.

Procedimento de coleta dos dados

A entrevista em profundidade foi realizada por uma pesquisadora mestranda, devidamente treinada para a realização da atividade. Um contato prévio foi estabelecido com os participantes, do 9º ano do ensino fundamental, e do 1º ao 3º ano do ensino médio, afim de informá-los que a pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de conhecer de que forma eles percebiam o bullying escolar e se desejariam participar. Para todos aqueles que emitiram o desejo de participar foi demandado que eles levassem para os pais ou responsáveis legais o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para que os mesmos autorizassem e assinassem, além de informado que a pesquisa ocorreria nos dias posteriores. No retorno combinado, para aqueles adolescentes que se dispuseram a colaborar (com autorização prévia dos pais/responsáveis, mediante a assinatura do termo de consentimento), foi também solicitada a assinatura o Termo de Assentimento. Para os participantes que atenderam às condições éticas, foram direcionados, de forma individual, para uma sala disponibilizada pela instituição pública de ensino para a realização das entrevistas. A entrevista foi realizada de forma presencial com o aluno, não havendo a presença de nenhum outro integrante. As entrevistas, com duração média de aproximadamente 30 minutos, foram gravadas e posteriormente transcritas para análise de dados. Não foi devolvida as transcrições aos participantes. Convém destacar ainda que as entrevistas ocorreram duas vezes por semana no turno da manhã e da tarde, no período de 4 meses.

Procedimentos de análise de dados

Os dados advindos das entrevistas compuseram um corpus textual para processamentos de análises lexicográficas através do software IRAMUTEQ, a saber: Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e Análise de Similitude (AS) (Camargo & Justo, 2013). Convém destacar que se utilizou o checklist do COREQ (Consolidated criteria for reporting qualitative research para a condução desta pesquisa.

Resultados e Discussão

Análise de Similitude

A partir da Análise de Similitude (AS) ou de semelhança (conforme a figura 1), que possibilita localizar coocorrências existentes entre as palavras, indicando suas conexidades (Ratinaud & Marchand, 2012), observa-se que o termo bullying organiza diferentes formas de sua compreensão, estando fortemente relacionado aos vocábulos pessoa, sofrer, coisa, fala e escola. Percebe-se ainda, apesar de com uma coocorrência inferior, que os termos: raiva, sofrimento, medo, depressão, preconceito, brigas, violência, dor, tristeza, problema, gordo, magro, cor, cabeça, calado, diferente, baixo, diretor, professor e matar, destacam-se dando sentindo aos termos supramencionados. Ressalta-se que 420 palavras fizeram parte desta análise, considerando-se a coocorrência mínima de dez.

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Figura 1. Resultados da Análise de Similitude (AS) acerca do bullying.

Classificação Hierárquica Descendente (CHD)

Depois de submetido à CHD, o corpus textual sobre bullying foi particionado em 472 segmentos de texto, abarcando 2.314 palavras, com média de ocorrência igual a 7,34. Nesta ocasião, 78,4% do total de segmentos de texto foram retidos, determinando 6 classes temáticas.

Na fase inicial da análise, o corpus foi desmembrado em dois subcorpora. Posteriormente, um deles distinguiu a classe 1, à extrema direita, do material textual restante. Depois, o segundo subcorpus dividiu-se em dois, apartando a classe 6 das classes 5, 2, 4 e 3. Novamente, outras partições advieram, desencadeando, de um lado, as classes 5 e 2 e, do outro, as classes 4 e 3. Na análise, de acordo com a Figura 2, foram consideradas as formas com frequência igual ou superior à media de ocorrência (7,34) e com χ2 superior a 3,84.

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Figura 2. Dendrograma da Classificação Hierárquica Descendente (CHD) das Representações Sociais do bullying.

Os contextos temáticos demonstrados no dendrograma evidenciam o saber compartilhado pelos adolescentes escolares sobre o objeto representacional em análise neste estudo (bullying). Nesta tela, tem-se acesso às particularidades que dão corpo ao conhecimento dos participantes sobre esse tipo de violência no contexto escolar. A seguir, são descritas (da esquerda para a direita) as referidas classes com seus respectivos valores e principais enunciados.

Contemplando o maior percentual dos segmentos textuais (21,6%), a classe 6 foi designada “Conceito, tipos e consequências do bullying” e foi representativa, sobretudo, entre os participantes sem histórico de reprovação escolar. Esta classe abrangeu palavras/radicais no intervalo de χ² = 5 (exemplo) a χ² = 32 (violência), abordando o cenário característico do bullying, segundo ilustram os segmentos textuais a seguir:

Eu acho que o bullying é maltratar as pessoas, colocar elas pra baixo, para desfazer, zoar e rir das pessoas, para mostrar que ele é o todo poderoso... O bullying é apelidar, excluir, fazer piadinhas, bater, humilhar, juntar um grupo pra espancar psicologicamente, verbalmente e fisicamente o outro, e as consequências são como eu já disse: depressão; muitas pessoas sofrem psicologicamente... O bullying pode prejudicar a saúde de muita gente e pode causar ate a morte.

Conforme os resultados da AS e CHD, observa-se que o saber dos escolares sobre o bullying se apresenta similar ao conceito delimitado pela literatura científica, descrevendo-o de modo análogo ao universo reificado, por meio do qual o bullying é entendido como a expressão de uma relação desigual de poder, pautada em atitudes agressivas e intencionais (apelidar, excluir, bater, espancar) de uma pessoa ou um grupo contra outra(s), que desempenham distintos papéis sociais ou tipos de envolvimento nesse contexto (Bandeira & Hutz, 2012; Olweus, 2013; Zequinão, 2016), gerando, indiscutivelmente, impactos de múltiplas ordens aos envolvidos.

A respeito da diferenciação de papéis desempenhados no cenário do bullying, os adolescentes demonstraram ter se apropriado do conhecimento científico no que se refere à díade agressor e vítima. No entanto, ao menos no contexto temático da classe 6, os papeis sociais de vítimas-agressoras e testemunhas indicados na literatura (Bandeira & Hutz, 2012), não foram destacados, demonstrando uma possível compreensão do bullying vinculada apenas à realidade de quem o pratica (agressor) ou é afetado (vítima) diretamente por ele. Esta realidade conceitual demonstra a necessidade de ampliação da discussão sobre o tema nas escolas, a fim de desmistificar, por exemplo, que as vítimas não podem ser, ao mesmo tempo, agressores; bem como a ideia de que os observadores não fazem parte da dinâmica dessa agressão, senão uma base reforçadora (plateia) desse contexto.

Convém destacar ainda que nessa classe, os alunos destacam o bullying como sendo um problema de saúde, uma vez que apontam impactos negativos, sobretudo a saúde psicológica (depressão) dos envolvidos, inclusive podendo levar a morte. Esses achados ratificam estudos prévios (Neto, 2005; Miranda, 2011; Olweus, 2013) que alertam para a gravidade desse tipo de intimidação e sua implicação na saúde do adolescente.

A classe 5, “Formas de denúncia e busca de apoio”, com o menor percentual de segmentos de texto (13%), fora mais representativa entre os participantes do sexo masculino e com histórico de reprovação escolar. Com palavras/radicais no intervalo de χ² = 5 (amigo) a χ² = 68 (mãe), o contexto desta classe situou o bullying a partir de relatos de experiências vividas pelos próprios adolescentes e/ou por seus pares sobre a busca de apoio e formas de denúncia como maneiras de resolução de conflitos no âmbito escolar. A seguir, encontram-se os segmentos de texto que representam tal classe:

se eu conhecesse alguém que sofre bullying, eu falaria para minha mãe e para diretora para ver se ela resolvia... As pessoas que sofrem bullying ficam caladas, não querem resolver, eles têm os pais, a diretoria, algum órgão que pode resolver essa situação; muitas pessoas não têm coragem de contar aos pais ou professores e ficam fechadas... A pessoa fica ameaçada, tipo: olha, se você disser a alguém, eu te pego na saída ou vou atrás de você ou até chegar à morte.

Em geral, os enunciados dos adolescentes que contribuíram para o surgimento desta classe defendem a denúncia como um caminho pertinente para a resolução de conflitos relacionados à agressão entre pares na escola. Por outro lado, revelam também que este mesmo caminho parece obstruído para alguns alunos, uma vez que a denúncia, ao mesmo tempo em que indica a solução, remete ao medo de represálias e, portanto, a novos riscos de agressão e exclusão grupal.

A despeito disso, alguns autores (Neto, 2005; Santos et al., 2013) têm reportado essa realidade, destacando que o impedimento que involucra as denúncias está associado à própria dinâmica da violência, que confere às vítimas e/ou testemunhas um pacto com o silêncio, uma vez que estas, por medo da exclusão e de novos episódios de agressão, são coagidas à omissão e à cumplicidade, reforçando o ciclo de abuso e de vulnerabilidade social.

Verificou-se ainda que os escolares recorrem aos pais, a escola e aos amigos em busca de apoio, ressaltando-os como peças fundamentais na resolução de conflitos, o que confirma os relatos de Neto (2005) quando destaca que a participação da escola, pais e alunos é fundamental para redução do bullying. Para alguns autores, a escola tem o dever de ofertar aos estudantes um ambiente seguro, saudável, de tolerância e respeito, em que sejam assegurados o desenvolvimento intelectual e social dos adolescentes. Contudo para que isso seja possível faz-se mister que a mesma trate o fenômeno como prioridade a ser combatido e conte com a cooperação de outras redes de apoio, conselhos tutelares e a própria família (Campos & Jorge, 2010; Galdino & Ferreira, 2013).

Não fortuitamente, cabe salientar, a variável reprovação escolar contribuiu fortemente para esta classe, ratificando as repercussões negativas do bullying ao desempenho escolar (Neto, 2005). Esses efeitos negativos podem constituir “sinais” de bullying que podem ajudar na identificação de alguém que sofre a violência, carecendo de suporte para o enfrentamento da situação. Segundo Neto (2005), os relacionamentos interpessoais positivos e o desenvolvimento acadêmico estabelecem uma relação direta; assim, a aceitação pelos companheiros é fundamental para o desenvolvimento da saúde de crianças e adolescentes.

Mais relacionada à classe anterior, a classe 2 (Aspectos psicoemocionais em torno do bullying) reteve 20,8% dos segmentos de texto e não foi associada a variáveis específicas, senão, em especial, aos enunciados de dois participantes com as seguintes características em comum: sem histórico de reprovação escolar e que se sentem seguros na escola. Esta classe abrangeu palavras/radicais no intervalo de χ² = 4 (alguém) a χ² = 30 (errado), contemplando situações de violência nas quais a raiva, problemas familiares e reprodução de uma violência sofrida, emergiram como pilares dos conflitos entre os pares, demandando atenção especial da escola e de profissionais especializados no auxílio relacional a esses estudantes, conforme ilustram os excertos a seguir:

Eu admito que eu pratico bullying quando estou com raiva...Só faço isso quando eu estou com raiva e estressada; as pessoas que fazem bullying, acho que eles já sofreram também e descontam noutras pessoas para as pessoas verem o que eles passaram...Muitas pessoas sofrem bastante por causa que alguns pais maltratam e elas descontam em outro; essas pessoas que sofrem bullying também precisam de um atendimento porque têm medo até de procurar ajuda dos pais...Toda escola deveria ter um psicólogo para ajudar essas pessoas; não procurei a direção da escola, não procurei os professores, eu simplesmente fiquei com aquilo para mim e me prejudiquei, se eu tivesse procurado, não teria acontecido isso.

O fator emocional, avultado na AS, também fora um componente que se sobressaiu na classe 2 como principal motivador para ocorrência do bullying, demandando, consecutivamente, auxílio para todos os seus envolvidos (agressor, vítima, agressor-vítima e observador). De acordo com Sampaio et al. (2015) as emoções, enquanto mediadoras de eventos externos e internos, podem estimular reações à violências sofridas, funcionando como catalisadores desse processo. A esse respeito, os autores destacam a raiva como uma emoção que pode influenciar na reprodução de agressões sofridas, bem como na realização da autodefesa do adolescente. Nesse sentido, a delimitação das emoções oriundas das vítimas e agressoras é imprescindível quando se busca combater e prevenir o bullying, podendo subsidiar intervenções eficazes. Conquanto ser verificada essa importância no que concerne a relação entre emoções e comportamentos de bullying, ainda são escassos os estudos que contemplam tal tema (Sampaio et al., 2015), carecendo de maiores investimentos.

No que tange ao arcabouço profissional viabilizado pela instituição escolar, confia-se que a prestação de apoio aos escolares envolvidos na dinâmica do bullying pode ser salutar, tendo em vista o fortalecimento dos recursos subjetivos dos adolescentes e, indiretamente, seu modo de lidar com eventuais conflitos entre os pares. Com relação a isto, Campos e Jorge (2010) ressaltam que dentre os fatores que podem potencializar a disseminação de novos casos de bullying, estão a existência de inadequações das práticas e ações advindas da falta de orientação e formações continuada para os profissionais. Assim, faz-se imprescindível promover espaços de (in)formação, discussão e capacitação dos profissionais que lidam com essas questões diariamente, disseminando estratégias de enfrentamento que envolvam toda a comunidade escolar. Outro fator de destaque é o envolvimento da família como aspecto relevante tanto para a incidência como para a prevenção do bullying, o que corrobora ao que destaca Souza e Teixeira (2012) sobre a importância do apoio social/familiar como meios protetivos imbricados ao desenvolvimento da capacidade de enfrentamento das adversidades das crianças e adolescentes, bem como, apoio emocional, conservação do bem-estar e processos de resiliência.

A classe 4, “Bullying e as diferentes manifestações de discriminação” (15,4% dos segmentos de texto) representou, sobretudo, os enunciados de estudantes do ensino fundamental (5° ao 9° ano) com idades de 12 a 14 anos. Com palavras/radicais no intervalo de χ² = 6 (estar) a χ² = 37 (vez), a classe 4 refletiu o bullying em função das características do outro, expressas por meio de apelidos pejorativos relacionados às diferenças, como exemplificado a seguir:

O povo continuava xingando ela porque ela era alta, pelo corpo, pela religião, pela cor...Várias vezes ele saiu de sala chorando por essa questão da pessoa ser gorda ou ser negra; ano passado ele ia sair para lanchar e um professor chamou ele e falou: você não acha que está muito gordo para lanchar não?! E a gente procurou a direção; o que eu mais escutava era “gordo”. Nem tanto pela cor, mas pelo fato de um ser alto demais ou ser gordo, então, muitas pessoas falam de mim, do meu corpo, chamam de gorda ou alguma coisa assim; eu não me acho gorda, mas isso fica na minha cabeça, o bullying provoca falta de autoestima e isso prejudica.

Nesta classe, percebe-se a predominância de conteúdos figurativos que trazem à tona diferentes formas de manifestações de discriminação entre os pares e professores dentro da escola. Pode-se observar que aspectos relacionados ao corpo, raça/etnia, religião foram mais evidentes e representaram atitudes de intolerância oriundas do grupo de adolescentes mais novos, com idades entre 12 e 14 anos. Este resultado corrobora com o que fora evidenciado na AS deste estudo e com a pesquisa desenvolvida por Santos, Grossi e Sherer (2014) que caracteriza a gênese do bullying a partir de ações de discriminação da diferença, pela expressão da relação de poder sobre o outro e pela falta de respeito com o próximo. Esses aspectos genéricos perpassam por questões de idade, peso, raça/etnia, gênero, classe social, deficiência física e/ou intelectual, orientação sexual, entre outras.

Atrelados a essas questões, Albino e Terêncio (2012) alertam que no Brasil esse tipo de violência estará fortemente relacionado a problemáticas de grandes proporções, que caracterizam a desigualdade e exclusão social. Os autores ainda apontam que cada vez mais as crianças e adolescentes tendem a afirmar suas identidades por meio da exclusão de seus pares por não refletirem os mesmos valores de padrões estéticos e de consumo disseminados atualmente. Por trás dessas atitudes de intolerância e exclusão estariam a angústia e a insegurança de, dificilmente, corresponderem por completo a esses padrões.

Por seu turno, mais relacionada à classe anterior, a classe 3 foi associada aos estudantes que declararam possuir uma sensação de segurança na escola e reteve 15,9% dos segmentos de texto, considerando palavras/radicais no intervalo de χ² = 5 () a χ² = 30 (menino). Intitulada “Bullying como sinônimo de brincadeira”, o argumento desta classe objetivou o bullying de forma semelhante à classe 4, destacando características individuais, sobretudo o corpo como pretexto de piadas e apelidos, conforme ilustram as seguintes falas:

Pedi para os meus pais me tirar da escola, eu ainda tive que suportar isso por dois anos, eu ia na diretoria e falava que não suportava mais isso, mas eles achavam que era uma brincadeira...Muita gente sofre bullying por ser gordinho, ficam chamando de baleia...Eu tinha uma turma que vinha comigo desde pequenininha e sempre teve aquele negócio das piadinhas principalmente com meu nome, mas eu era meio gordinha então ficavam me chamando de bola...Muitas vezes essas pessoas praticam bullying sem nem ver que estão praticando, eles pensam que e só uma brincadeira sem má intenção, mas, na verdade, não; a pessoa está ali rindo, mas por dentro ela não está.

Nesta classe, aproximados ao contexto temático da classe anterior (4), observou-se que as falas dos participantes ratificaram a importância da desnaturalização desse tipo de agressão entre os pares, acesso que pode ser delineado com a discussão do assunto entre os escolares, bem como pela via da capacitação dos profissionais sobre o tema. Além disso, por ser habitualmente associado a “brincadeiras” típicas do cotidiano estudantil, o bullying ainda é admitido como natural e, logo, aceitável, realidade que pode inviabilizar o seu efetivo enfrentamento na instituição, dado esse confirmado em estudos anteriores (Fonsceca et al., 2017; Shultz et al., 2012).

Além disso, como visto, os enunciados dos adolescentes demonstraram como a configuração corporal dos estudantes pode ser pauta para a agressão entre pares. De modo análogo estudos prévios evidenciam como estar acima do peso, numa sociedade que valoriza a aparência física e o corpo ideal, pode fazer do indivíduo um alvo para discriminações em diversos contextos, principalmente no cenário escolar (Costa, Silva, & Oliveira, 2012; Miziara & Vectore, 2014).

Finalmente, mais apartada de todo o material textual contemplado nas classes supramencionadas, a classe 1 – Bullying: uma forma de expressão do preconceito – foi associada aos estudantes com idades de 15 a 18 anos, ensino médio (1° ao 3° ano) e que reportaram não se sentir seguros na escola. Esta classe contemplou palavras/radicais no intervalo de χ² = 5 (achar) a χ² = 49 (falta), considerando o bullying como uma forma de preconceito, objetivada pela falta de respeito e falta de tolerância ao diferente, como os fragmentos textuais ilustrados a seguir:

Um bullying que eu vejo que não é predominante só na escola mas no meio social seria o preconceito...A falta de tolerância das pessoas e a falta de compreensão de que cada pessoa é diferente uma da outra...Nao é porque uma pessoa é diferente de você que ela mereça ser xingada ou outra coisa parecida...É fazer aquela pessoa que pratica o bullying entender que não é porque ela é diferente das outras que merece ser tratada de uma forma desigual; a primeira iniciativa é conscientizar as pessoas de que isso é uma coisa que mexe de verdade com a cabeça...

Nesta classe, o bullying é tratado como um problema social de natureza complexa ancorado no preconceito. Esta leitura, conferida pelos adolescentes de maior idade, reconhece os contornos difusos que envolvem o assunto, contemplando aspectos psicossociais que transcendem o processo de culpabilização individual e os tipos de agressão (em geral, física e verbal) que abarcam os pares na escola. Esse resultado corrobora com dados da literatura que aponta que alunos mais velhos, em geral, tendem a um alcance mais complexo e abstrato no que tange à percepção do bullying (Dellecave, 2013).

A relação bullying e preconceito já vem sendo destacada na literatura apontando para a importância de se estudar o tema para além de uma perspectiva interpessoal, discutindo-o no âmbito das relações intergrupais. Acerca disso, Antunes e Zuin (2008) refletem sobre o tema questionando que o que tem sido denominado bullying é, na verdade, uma forma de assédio muito antiga e instalada no arcabouço social, o preconceito. Não obstante, no presente estudo, o bullying é compreendido como um fenômeno multifacetado, podendo se manifestar também por meio do preconceito, como aparece nessa classe temática.

Ainda acerca dessa classe, conforme indicam os discursos dos adolescentes, o reconhecimento do problema sob a forma de preconceito pressupõe que medidas de caráter de prevenção/combate ao bullying sejam tomadas, a começar pela cultura da igualdade (unidade na diversidade), tolerância e respeito às diferenças. Nesta direção, Albino e Terêncio (2012) apontam que o sucesso de programas preventivos depende muito de fatores como a duração, compromisso e a participação de todos os agentes sociais direta ou indiretamente envolvidos com o problema, além da correta adequação do programa para a realidade sociocultural onde a escola está inserida. Embora existam tentativas de mitigar o preconceito no cotidiano escolar, essa dinâmica ainda é recorrente na escola, sendo por vezes reforçada por medidas pedagógicas que reafirmam as diferenças (Maciel, 2015).

Considerações finais

Esta pesquisa objetivou apreender as representações sociais de adolescentes escolares acerca do bullying. De modo geral, verifica-se que o aporte teórico-metodológico utilizado possibilitou a compreensão sobre o objeto de estudo na perspectiva dos próprios atores sociais, bem como, suas vivências relacionadas às possíveis manifestações dessa modalidade de violência no cotidiano.

Em síntese, o saber compartilhado pelos atores sociais ancorou o bullying como uma forma de expressão do preconceito e de intolerância às diferenças, sendo por vezes reconhecida como sinônimo de brincadeira, realidade que pode mascarar a enfrentamento do problema. Além disso, os adolescentes conceituaram o bullying, suas modalidades e consequências, as quais, por seu tempo, demandam suporte aos escolares (envolvidos ou não), apoiando-os e/ou empoderando-os ao enfrentamento do problema por meio de denúncias.

Apesar das contribuições trazidas pelo presente estudo, destaca-se que este não está isento de limitações, como, por exemplo, a utilização de uma amostra não probabilística que interfere na generalização dos dados. Além disso, essa pesquisa apresenta apenas dados oriundos de instituições públicas, e, dessa forma, não possibilita observar possíveis diferenças entre representações sociais de alunos do contexto público e privado de ensino.

Considera-se ainda que outros estudos seriam igualmente relevantes, pesquisas que incluam instituições privadas, que busquem conhecer a percepção do bullying a partir da perspectiva dos distintos papéis envolvidos (agressor, vítima, agressor-vítima e observador) a fim de conhecer consensos e dissensos acerca desse fenômeno. Além disso, destaca-se ainda como lacuna, pesquisas longitudinais que analisem como as representações acerca do fenômeno bullying se modificam ao longo da idade. Finalmente sugere-se novos estudos que se dediquem no exame dos mecanismos pelos quais as percepções de clima escolar no bullying influenciam a vitimização entre os anos escolares.

Diante do exposto, acredita-se que conhecer como os adolescentes percebem o bullying é imprescindível quando se objetiva enfrentar esse fenômeno. Nesse sentido, espera-se que a presente pesquisa possa contribuir apontando caminhos para futuras investigações, bem como, na construção de programas de prevenção e intervenção eficazes frente ao bullying na escola.

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Revista de Psicologia da IMED, Passo Fundo, vol. 11, n. 2, p. 96-114, Julho-Dezembro, 2019 - ISSN 2175-5027

[Recebido: Abril 25, 2019; Aceito: Julho 16, 2019]

DOI: https://doi.org/10.18256/2175-5027.2019.v11i2.3287

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