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O Psicólogo Escolar na Educação Infantil: Uma Proposta de Intervenção Psicossocial*

The Psychologist in Child Education: A Proposal for Psychosocial Intervention

El Psicólogo Escolar en la Educación Infantil: Propuesta de Intervención Psicosocial

Adinete Sousa da Costa Mezzalira(1), Mara Aparecida Lissarassa Weber(2), Marcia Valeria Reis Beckman(3), Raquel Souza Lobo Guzzo(4)

1 Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus, Amazonas, Brasil.
E-mail: adinetecosta@hotmail.com | ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9869-2030

2 Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Brasília, Brasil.
E-mail: maraweber09@yahoo.com.br | ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0758-434X

3 Universidade Ceuma (UNICEUMA), São Luís, Maranhão, Brasil.
E-mail: mvrb11@hotmail.com | ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7615-8141

4 Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Campinas, São Paulo, Brasil.
E-mail: rslguzzo@gmail.com | ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7029-2913

Resumo

Esta pesquisa teve como objetivo compartilhar uma experiência de intervenção psicossocial desenvolvida por estudantes e profissionais da psicologia escolar dentro de uma instituição municipal de Educação Infantil localizada em uma cidade do estado de São Paulo, por meio de um projeto intitulado Voo da Águia. As principais atividades desenvolvidas pela equipe de psicologia nesta instituição foram: (1) Mapeamento escolar e social de vida; (2) Acompanhamento das Trajetórias de Vida e de Escolarização; (3) Participação nas reuniões de Formação Docente; (4) Tecendo as redes intersetoriais; (5) Encontro com a família; e, (6) Fortalecimento da formação acadêmica e profissional. De maneira geral, o projeto Voo da Águia contribuiu para permitir acesso a uma vivência diária com uma população que tem os seus direitos básicos negados, o qual impulsionou na equipe a necessidade de desenvolver intervenções que mobilizassem nos sujeitos a mudança nas suas condições sociais. Para isto, foi desenvolvida uma prática direcionada ao processo de tomada de consciência, fortalecimento e enfrentamento às adversidades na vida cotidiana.

Palavras-chave: Psicologia educacional, Educação infantil, Psicologia escolar, vida cotidiana

Abstract

This research aimed to share an experience of psychosocial intervention developed by students and professionals of school psychology within an Early Childhood Education public institution located in the city of Campinas, through a project called The Eagle’s Flight. The main activities developed by the psychology team at this institution were: (1) School and social mapping of life; (2) Life and Schooling Trajectories follow up; (3) Participation in Teacher Training meetings; (4) Weaving intersectoral networks; (5) Meeting with family; and, (6) Strengthening of academic and professional training. In general, the Eagle´s Flight project allowed to stay in touch with a population that has its basic rights denied in a daily basis, which drove in the team the need to develop interventions that mobilized subjects to change their social conditions. For this, was developed a practice directed to the process of process of awareness, strengthening and coping with adverse conditions of everyday life

Keywords: educational psychology, child rearing, school psychology, daily life

Resumen

Esta investigación tuvo como objetivo compartir una experiencia de intervención psicosocial desarrollada por estudiantes y profesionales de la psicología escolar dentro de una institución pública de Educación Infantil ubicada en la ciudad del estado de São Paulo, por medio de un proyecto denominado “Voo da Aguia”. Las principales actividades desarrolladas por el personal de psicología en esta institución fueron: (1)Mapeo escolar y social de la vida; (2) Seguimiento de las trayectorias de vida y de escolarización; (3) Participación en las reuniones de formación docente; (4) Tejiendo las redes intersectoriales; (5) Encuentro con la familia; y (6) Fortalecimiento de la formación académica y profesional. De manera general, el proyecto “Voo da Aguia” contribuyó a tener acceso a una vivencia diaria con una población que tiene sus derechos básicos negados, lo cual impulsó en el equipo la necesidad de desarrollar intervenciones que movilizasen en los sujetos a cambio en sus condiciones sociales. Para ello, fue posible un proceso de toma de conciencia, fortalecimiento y enfrentamiento de condiciones adversas de la vida cotidiana

Palabras clave: psicología educacional, crianza del niño, psicología escolar, vida cotidiana

Considerações Iniciais

O psicólogo escolar, ao intervir nas instituições públicas de Educação, precisa ter uma visão crítica sobre os aspectos sociais, econômicos e políticos no Brasil, porque são esses elementos que norteiam a proposta pedagógica da Educação e, portanto, a dinâmica escolar. No contexto público educacional brasileiro observa-se que a mudança no espaço escolar, com vistas à promoção do desenvolvimento infantil, está além de um planejamento de atividades pedagógicas e intervenções psicológicas, pois exige uma nova conjuntura política e econômica que priorize os serviços públicos de atendimento às crianças e adolescentes. É neste contexto desafiador que se buscou construir e consolidar as intervenções do psicólogo escolar.

A psicologia diante deste cenário tem revisto sua ação no campo da educação e percebe a necessidade de conhecer e discutir a elaboração de políticas públicas, a fim de entender o impacto dessas leis no cotidiano da vida escolar, como bem explicam Marinho-Araújo e Almeida (2005), Guzzo, Mezzalira e Moreira (2014), Sant’Ana e Guzzo (2014), Souza et al (2014). Frente a esta convocação, os nossos esforços têm caminhado para propostas de intervenções que abarquem não apenas situações pontuais que ocorrem nos espaços escolares, mas também que promovam encontros de discussões políticas nos espaços universitários de formação de psicólogos, visto que nossas diretrizes não oportunizam sozinhas esse debate. Portanto, como pontua Guzzo (2005), é preciso pensar a psicologia a partir da diversidade apresentada, buscando formar um psicólogo problematizador dessa realidade social na qual está inserido, cuja identidade profissional esteja comprometida com as urgências sociais brasileiras.

Marinho-Araujo e Almeida (2005) esclarecem que, desde a formação inicial do psicólogo, deve estar presente a preocupação com a construção de uma identidade profissional competente e comprometida com as demandas sociais. As autoras salientam ainda que um desafio para a formação do psicólogo escolar está na intencionalidade das instituições formadoras para que promovam um redirecionamento dos seus cursos, visando atender às demandas reais da sociedade. Por isso, Guzzo e Mezzalira (2011) ressaltam que a formação política na graduação vai além de uma ou duas disciplinas teóricas que discutam a análise da realidade concreta, mas exige um envolvimento, comprometimento e posicionamento dos estudantes diante da realidade desigual, excludente e violenta que caracterizam a sociedade brasileira.

Algumas ações para a superação dessas dificuldades, tanto no âmbito da formação quanto da atuação do psicólogo escolar, têm sido desenvolvidas das seguintes formas: (a) criação de programas universitários que incluam uma descrição desse profissional; (b) pesquisas na área da Psicologia Escolar para encorajar mudanças e discussões nos colegiados nacionais e internacionais; (c) disseminação das informações a respeito do campo de atuação do psicólogo escolar; (d) utilização das organizações profissionais para enfatizar a importância da profissão; (e) formação e pesquisa em políticas públicas; e (f) ocupação dos psicólogos nos espaços consultivos e deliberativos das políticas públicas educacionais (Guzzo, Martinez e Campos, 2007; Guzzo e Mezzalira, 2011; Guzzo, Mezzalira e Moreira, 2012).

Com intuito de contribuir com o desenvolvimento da área, este relato de experiência tem como objetivo principal compartilhar uma experiência de intervenção psicossocial desenvolvida por estudantes e profissionais da psicologia escolar em uma escola municipal de Educação Infantil.

Método

É importante na formação inicial que vivências sejam oferecidas aos estudantes de Psicologia por meio de ensino, extensão e pesquisa, como forma de proximidade com a realidade educacional pública brasileira. Pensando nesta tríade para a formação e atuação do psicólogo nos contextos educacionais, será apresentada, brevemente, uma proposta de intervenção psicossocial para o psicólogo escolar denominada Voo da Águia1. Esse projeto, segundo Guzzo, Moreira e Mezzalira (2016), alicerçado em uma perspectiva crítica, buscava o acompanhamento longitudinal das crianças em todas as suas dimensões de vida na escola e na família.

O relato de experiência se desenvolve, portanto, com a inserção deste projeto em uma escola municipal de Educação Infantil localizada em um município do estado de São Paulo. Este projeto ficou inserido nesta escola durante seis anos realizando o acompanhamento longitudinal de crianças de 0 a 6 anos de idade. Foram acompanhadas cerca de 400 crianças e famílias neste período.

A equipe do projeto, composta por estudantes e profissionais da pós-graduação em Psicologia, reunia-se, semanalmente, na universidade para planejar as intervenções a serem realizadas na escola, com o objetivo de construir vínculos e promover mudanças neste espaço. Cada membro da equipe contribuía com as intervenções, o que colocava todos no lugar da práxis – reflexão e ação. Os encontros, portanto, reafirmavam o compromisso ético, político e social da equipe.

As atividades na escola ocorriam uma e/ou duas vezes na semana. A frequência neste espaço estava, intimamente, relacionada à demanda e ao tipo de atividade que seria realizada. É importante destacar que as ações desenvolvidas pela equipe, e que serão compartilhadas neste trabalho, não têm a pretensão de serem padrão de atuação do psicólogo escolar, pois foram pensadas a partir de uma determinada realidade escolar e específicos fundamentos teóricos.

Resultados e Discussão

Com base na dinâmica de trabalho do projeto Voo da Águia e da demanda apresentada pela escola, as atividades desenvolvidas foram as seguintes: (1) Mapeamento escolar e social de vida; (2) Acompanhamento das Trajetórias de Vida e de Escolarização; (3) Participação nas reuniões de Formação Docente; (4) Tecendo as redes intersetoriais; (5) Encontro com a família; (6) Fortalecimento da formação acadêmica e profissional.

Mapeamento Escolar e Social de Vida

Para a equipe do Voo da Águia conhecer as condições de vida dos alunos constituía-se como uma necessidade básica para compreender a realidade vivenciada pelas crianças. Assim, na Educação Infantil era realizado anualmente um mapeamento com base nos prontuários escolares e nas atividades realizadas com os alunos.

O mapeamento era elaborado a partir da leitura dos documentos de matrícula, cujo objetivo era conhecer de forma mais abrangente dimensões importantes sobre o contexto social e econômico das crianças, por meio do levantamento das seguintes informações: se os pais trabalhavam; qual o trabalho dos pais; com quem a criança ficava quando os pais estavam ausentes; local onde moravam; quem eram as pessoas que residiam com a criança; se tinham irmãos e quantos; quais eram as condições de saúde; além de informações direcionadas a possíveis denúncias no Conselho Tutelar ou necessidade de acompanhamento especial.

Um ponto relevante a ser destacado foi que, a partir do mapeamento, foi possível observar que os prontuários, geralmente, não eram atualizados e muitas das informações sobre a vida da criança eram obtidas por meio de conversas informais, sem haver uma sistematização na busca de dados sobre a criança. Tal situação, frequentemente, gerava conhecimentos diferentes dos apresentados nos documentos de matrícula, além de excluir desses documentos aspectos importantes da vida cotidiana que são essenciais para a compreensão do processo de desenvolvimento. Outro aspecto que merece destaque, estava relacionado às dimensões do desenvolvimento das crianças, visto que dificilmente eram registradas e/ou acompanhadas pela escola nestes documentos.

Após o levantamento inicial nos documentos da escola, a equipe de psicologia baseava-se no mapeamento, de forma a desenvolver junto com as crianças esta atividade, principalmente por dois motivos centrais: primeiramente pelo desconhecimento do que elas possuíam no seu bairro e, segundo, porque nos seus relatos encontrávamos informações que não eram consideradas nos documentos de matrícula. Na intervenção de construção do mapeamento com as crianças, a equipe de psicologia disponibilizou um mapa da região escolar e confeccionou bonequinhos que representavam cada um dos alunos com o objetivo de explorar o espaço geográfico onde estavam localizados.

Essa ação possibilitou às crianças visualizarem a distância de sua casa para a escola, quais os colegas de turma eram seus vizinhos, onde ficavam localizados outros integrantes familiares, entre outras informações que as auxiliaram na identificação e construção de suas redes de apoio e de proteção. É importante destacar que na confecção dos mapas de cada sala era possível ter acesso às questões específicas do bairro e alguns não constavam no mapa da cidade, o que nos fez refletir sobre a situação econômica e social das crianças moradoras desse bairro - não legalizado pela prefeitura e, sem fazer parte do plano diretor, não tem assegurado o direito de políticas públicas de habitação, saúde e lazer.

Acompanhamento das Trajetórias de Vida e Escolarização

O acompanhamento das crianças pelo projeto era registrado de forma detalhada e sistemática no documento denominado “Primeiro Contato”, o qual era utilizado para registrar informações das crianças que foram destacadas pela escola, família ou mesmo pela equipe de Psicologia, a partir de observações, para serem acompanhadas. As informações levantadas referiam-se à identificação da criança e constavam de duas questões centrais: (1) como a equipe de Psicologia teve contato com o caso e (2) quais providências tomadas e sugestões de ações decorrentes da discussão e análise da situação.

Todas as informações registradas no “Primeiro Contato” foram categorizadas e sumarizadas. As preocupações mais frequentes que chegavam à equipe de psicologia foram: (a) dificuldade nas relações sociais; (b) dificuldade em seguir as regras e limites; (c) processo de entrada da criança na escola; (d) conflitos familiares ou condições adversas influenciando no desenvolvimento da criança, tais como: separação dos pais, uso de drogas, violência intrafamiliar, prisão paterna, prostituição materna, negligência e/ou rejeição familiar; (e) situações de suspeita ou confirmação de violência física ou sexual.

Como resultado da discussão sobre cada criança, a equipe decidia sobre a necessidade de um acompanhamento mais sistemático. Uma “Pasta de Acompanhamento” era aberta e um plano de busca de outras informações planejado para aprofundar o conhecimento de outras dimensões do desenvolvimento das crianças. Assim, as pastas continham informações relativas aos dados pessoais, moradia, registros de conversas (realizadas com as crianças, familiares, professores e outros agentes educacionais), anotações das reuniões (realizadas com os diferentes equipamentos públicos envolvidos com as crianças) e relatórios de acompanhamento psicológico – contendo histórico do caso, síntese das informações obtidas nas entrevistas, reuniões e ações decorrentes, que eram discutidas com a escola, respeitando os procedimentos e normas éticas. As informações provenientes desses materiais poderiam ser usadas como subsídios tanto para a elaboração de documentos encaminhados aos órgãos de proteção, quanto para o planejamento de atividades pedagógicas.

As atividades de acompanhamento e promoção do desenvolvimento das crianças geraram a produção de informações importantes para a equipe de psicologia entender, discutir e intervir junto a pais e educadores acerca do desenvolvimento infantil. Dentre as produções do grupo, podemos citar os trabalhos de Guzzo (2007), Beckman (2007), Mezzalira e Guzzo (2011), Moreira e Guzzo (2013) e Meireles, Moreira, Mezzalira e Guzzo (2014).

Nessas produções citadas encontramos como resultados gerais, respectivamente, as seguintes reflexões: (1) as condições adversas e de risco às famílias não são fatores determinantes para ocasionar problemas ou dificuldades no desenvolvimento das crianças quando a escola cumpre o papel de oferecer oportunidades de prover experiências significativas; (2) a prisão paterna tem um impacto no desenvolvimento das crianças, por ser um assunto pouco discutido no ambiente familiar e escolar; (3) o acompanhamento das crianças, por meio de um referencial do desenvolvimento, auxilia na elaboração de ações pedagógicas e contribui para um acompanhamento objetivo e sistemático no contexto educativo; (4) as situações-limites para o desenvolvimento infantil não estão atreladas apenas às questões de cunho pedagógico, mas envolvem as condições concretas de vida das crianças e, também, as políticas públicas de saúde e assistência; (5) o processo de desenvolvimento está relacionado à objetividade da vida social e, portanto, as situações-limites aglutinam dimensões objetivas e subjetivas, indicando diversas possibilidades de desenvolvimento.

Participação nas Reuniões de Formação Docente

Nas reuniões de formação docente, a equipe do Voo da Águia compartilhava os conhecimentos científicos da psicologia com o intuito de contribuir na compreensão dos processos de desenvolvimento e de aprendizagem no contexto educativo. Nesses espaços eram desenvolvidas atividades coletivas com os professores, ouvindo suas dúvidas, angústias e experiências, visando ao processo de enfrentamento e não de adaptação às demandas que se apresentavam na escola.

As atividades desenvolvidas nas reuniões de formação docente aconteciam uma vez ao mês discutindo os assuntos que eram sugeridos pelos educadores. Em geral, os temas centravam-se em: desenvolvimento infantil; saúde do educador; violência doméstica; como entender as relações sociais da criança; alimentação infantil na visão psicológica e biológica; o impacto das histórias infantis no desenvolvimento das crianças; a descoberta da sexualidade; compreendendo o objeto de apego da criança, entre outros. Além de abrigar a discussão desses temas, esses espaços eram utilizados para a apresentação de projetos desenvolvidos na escola pela equipe de psicologia.

As reuniões de formação docente, conforme esclarece Costa (2010), não eram bem aproveitadas pelos profissionais. Em geral eles estavam sempre desmotivados e desmobilizados a participar de qualquer discussão nesses lugares. Por esta razão, tornou-se notória a necessidade de entender como os educadores percebiam o seu trabalho nesta instituição, o qual se transformou-se em interesse de investigação para a pesquisa de Mezzalira, Weber e Guzzo (2013). As referidas pesquisadoras destacaram, a partir de suas vivências nestes espaços e nos relatos das educadoras, que a existência de relações de opressão e de poder na escola podem acarretar um significativo comprometimento no processo de desenvolvimento das crianças e seus educadores. Isto é, as trabalhadoras da educação infantil, ao se sentirem excluídas dos processos decisórios da escola, percebiam-se como desvalorizadas e desrespeitadas, impedindo-as, desta forma, de se desenvolverem como indivíduos construtores de sua história e transformadoras de sua realidade.

Diante de tais questões, o projeto preocupava-se em promover espaços individuais e coletivos de debates que estimulassem a participação de todos os educadores nos processos decisórios da escola, assim como instigava reflexões sobre as políticas públicas brasileiras. Pensando acerca das políticas, Weber (2009) propôs-se a discutir com os pais e as professoras como a trilogia da Doutrina da Proteção Integral – liberdade, dignidade e respeito – promulgados no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), interferiam nas relações cotidianas de pais e professores com as crianças. Diante da análise dos relatos, a pesquisadora constatou que: (1) a garantia da dignidade às crianças estava associada ao poder aquisitivo da família; (2) a garantia ao respeito era difícil de ser concretizado em virtude das relações opressivas da sociedade; e, (3) a garantia da liberdade, por sua vez, era violada no cotidiano, ao impedirem a expressão da criança tanto em casa quanto na escola.

Ainda sobre a importância das políticas, Beckman (2007) discutiu com as professoras e as mães de crianças com pais presos, como a ausência de políticas públicas nesta temática traz prejuízo ao processo de desenvolvimento infantil, por não permitir que as crianças visitassem seus familiares de forma adequada. Assim, podemos destacar que a troca de informações entre a psicologia e a educação sobre a dinâmica familiar dessas crianças, proporcionou a abertura de um espaço de discussão na escola sobre o desenvolvimento de crianças que viviam em condições de risco, o que poderia ser considerado como fator de proteção, na medida em que se buscava pensar soluções adequadas em lidar com essa situação.

Tecendo as Redes Intersetoriais

A equipe de psicologia buscava identificar as possíveis redes de apoio que atendiam crianças da escola, objetivando integrar os equipamentos públicos de proteção à criança e ao adolescente – Escola, Conselho Tutelar, Centro de Referência de Assistência Social e o Posto de Saúde – por meio de encontros formais e informais. Nos encontros discutiam-se casos de crianças que estavam em situação de risco, com a finalidade precípua de: (1) construir espaços de interlocução no trabalho em rede com outras instâncias que visassem a implementar as políticas de proteção à criança; (2) favorecer melhorias nas condições de vida e no desenvolvimento psicossocial das crianças envolvidas e de suas famílias.

A inserção do trabalho em rede nas ações do psicólogo que atua em instituições educativas vem sendo discutida em algumas produções do grupo, tais como: Weber e Guzzo (2006); Sant’Ana, Costa e Guzzo (2008) e Mezzalira e Guzzo (2015). Nessas produções, é possível encontrar, respectivamente, algumas propostas de intervenções, ainda que não suficientes, para o psicólogo escolar que pretenda concretizar ações orientadas para o trabalho em rede. São elas: (1) estreitar a relação entre a escola e os órgãos de proteção à criança e adolescente por meio de um trabalho preventivo e integrado; (2) promover uma reflexão crítica sobre as condições sociais, políticas e econômicas que produzem situações de opressão, desmistificar rótulos e preconceitos e identificar as contradições existentes entre as políticas de proteção à criança e as ações realizadas pelos órgãos de proteção e (3) conhecer as estratégias de enfrentamento do educador diante da violência doméstica vivenciada por seus alunos, para então identificar os fatores que podem impedir esse profissional de acionar as redes de proteção à criança e adolescente.

Encontro com a Família

O objetivo dos encontros era o de estreitar as relações entre família e escola, a partir de uma perspectiva preventiva e psicossocial, envolvendo o contexto escolar e comunitário e sua relação com os equipamentos públicos, tendo em vista a participação mais efetiva, tanto de pais quanto de professores, no processo de desenvolvimento das crianças. Essa atividade com os pais foi discutida no trabalho de Guzzo, Mezzalira, Weber, Sant’Ana e Teles-Silva (2018), no qual as autoras descrevem detalhadamente as ações da equipe para promover o fortalecimento da família e da escola.

No início, esses encontros ocorriam no âmbito coletivo ou em mini fóruns, realizando encontros temáticos e buscando propiciar aos pais momentos de troca de experiências e de ampliação de conhecimentos sobre o desenvolvimento infantil. Alguns dos temas discutidos nesses encontros foram: relações sociais; limites e regras; amamentação e alimentação; a descoberta do corpo; a criança e o outro; aprendendo na brincadeira; política educacional na Educação Infantil, entre outros assuntos relacionados, mais precisamente, à questão do desenvolvimento infantil e aspectos ligados à educação, ao cuidado e ao afeto.

Posteriormente, almejando construir uma rede de apoio entre os equipamentos públicos da região e da escola, a equipe convidava os profissionais do Centro de Referência de Assistência Social da região (CRAS) e do Posto de Saúde, para participar destes encontros. Com a entrada dos equipamentos públicos, os debates tornaram-se mais politizados, com discussões, por exemplo, acerca da garantia do período integral na Educação Infantil para todas as crianças. Tal discussão gerou a criação de uma comissão de pais que começou a assumir esses espaços, deixando de ser responsabilidade exclusiva da escola e/ou da equipe de psicologia o processo de desenvolvimento das crianças.

Fortalecimento da Formação Acadêmica e Profissional

O projeto Voo da Águia, por ser uma proposta de intervenção do psicólogo nas escolas públicas, comprometeu-se com a construção de uma formação crítica e contextualizada do psicólogo escolar, por meio do acompanhamento e orientação aos estagiários de Psicologia (Costa e Guzzo, 2006). A experiência do projeto com a formação de psicólogos escolares foi discutida nos trabalhos de Guzzo, Costa e Sant’Ana (2009) e Silva Neto, Guzzo e Moreira (2014). Nesse sentido, destacaram, como limitações e perspectivas para o estágio de Psicologia Escolar, o seguinte: (a) apropriação de conhecimentos descontextualizados da realidade brasileira durante a graduação, dificultando a realização de atividades em contextos públicos escolares e (b) o contato com a realidade auxiliou na reflexão de uma prática mais direcionada e compromissada com a mudança social, impactando o crescimento pessoal e profissional.

O funcionamento do estágio dentro da escola envolvia observação e participação nas atividades propostas pela própria escola, assim como a elaboração de planos individuais e coletivos de intervenção. As propostas de intervenções desenvolvidas pelos estagiários com a família, crianças e educadores buscavam responder a uma problemática dada, observada na dinâmica da escola.

Com relação às atividades desenvolvidas pela equipe de psicologia e direcionadas à família, os temas mais recorrentes foram: (a) desenvolvimento infantil – dialogavam com os familiares sobre esta fase da vida e problematizavam o que seriam os comportamentos agressivos; (b) limites e regras – refletiam sobre as consequências de impor regras e limites de forma autoritária no desenvolvimento da criança, além de debaterem acerca das punições dadas aos comportamentos considerados inadequados; (c) conhecendo o contexto familiar e a comunidade – realizavam entrevistas individuais com os familiares, a fim de conhecer o contexto de vida da criança e, assim, traçar estratégias de intervenções preventivas e emancipatórias condizentes com a realidade da população.

A respeito das atividades desenvolvidas com as crianças por estagiários, as demandas que se destacavam foram: (a) saída da criança da educação infantil para o ensino fundamental – as crianças possuíam dúvidas, medos e angústias acerca da nova escola; (b) identidade – era presente o discurso do “ter” influenciando na construção da identidade das crianças; (c) significado da escola – as crianças apresentavam relatos de temores e descontentamento com a escola; (d) relações sociais e o brincar – as brincadeiras na escola eram marcadas pelo espontaneísmo, sem muitas atividades dirigidas, e isso acarretava consequências nas relações dentro do brincar; (e) autonomia – utilizavam as atividades rotineiras na escola, como a hora do banho e da alimentação, para estimular a autonomia sempre que possível com a participação dos educadores; (f) sexualidade – conversavam com as crianças acerca do corpo humano e com os educadores as formas de expressão da sexualidade nesta fase da vida.

No que concerne às atividades desenvolvidas com os educadores, as intervenções direcionaram-se para os seguintes temas: (a) acompanhamento do desenvolvimento infantil – apresentavam propostas de acompanhamento para as crianças, a partir da necessidade relatada pela escola, para discussão das dimensões do desenvolvimento de seus alunos; (b) integração entre o cuidar e o educar – verificaram a necessidade de fortalecer a relação entre professora e monitora, com vista à construção de propostas pedagógicas que integrassem o cuidar e o educar; (c) conhecimento das condições de trabalho do monitor – observaram que os monitores sentiam-se excluídos do planejamento pedagógico; (d) entrada da criança na escola - discutiam com o educador a importância de acolher afetivamente a criança para potencializar a percepção do espaço escolar como um local de proteção; e, (e) limites e regras – refletiam com o educador a respeito da imposição de regras, limites e valores morais, como um entrave para a construção de um relacionamento social baseado na confiança, no respeito e no diálogo.

Considerações finais

As intervenções descritas neste artigo revelaram algumas possibilidades de ação do psicólogo escolar na educação infantil. O procedimento inicial de mapear as crianças foi de extrema importância para o conhecimento das crianças e a reflexão sobre suas histórias de vida. A partir destas informações foi possível a elaboração de intervenções contextualizadas com educadores e famílias. A atividade do mapeamento também permitiu visualizar e construir uma rede municipal de acompanhamento das crianças, entrando em contato e reunindo-se com os equipamentos públicos de proteção à criança e ao adolescente, tais como: Conselho Tutelar, o Centro de Referência de Assistência Social e o Posto de Saúde.

A equipe de psicologia pode contribuir na construção de uma prática educativa fortalecida, problematizando as demandas apresentadas nas reuniões de Formação Docente e promovendo um espaço de escuta para o educador. Nesta perspectiva, Braz-Aquino e Gomes (2016) esclareceram que as ações com os professores devem mobilizar espaços de diálogo e promover o compartilhamento das ações desenvolvidas nas escolas para pensar criticamente sobre as necessidades apontadas neste contexto.

Nas atividades desenvolvidas com a família, foi possível trocar experiências e ampliar conhecimentos sobre o desenvolvimento infantil, além da criação de vínculos afetivos e rompendo com possíveis estereótipos relacionados à psicologia por parte das pessoas. Em continuidade às ações do projeto, a experiência de estágio posicionava o estudante de psicologia no lugar de sujeito de mudança, fortalecendo a práxis ação e reflexão diante de uma realidade pouco discutida nos cursos de graduação.

Concluída a apresentação de algumas ações que podem ser desenvolvidas na escola, é possível reconhecer que o projeto Voo da Águia ofereceu à equipe de psicologia um espaço de formação e atuação vinculado aos problemas sociais, aproximando a formação acadêmica da comunidade. Além disso foi possível possibilitar o conhecimento acerca das práticas do psicólogo escolar inserido num contexto marcado pela opressão, violência, negligência e preconceito.

De maneira geral, o projeto Voo da Águia contribuiu para termos acesso a uma vivência diária com uma população que tem os seus direitos básicos negados, o qual impulsionou na equipe a urgência em desenvolver intervenções que mobilizassem nos sujeitos a mudança nas suas condições sociais.

Nota

* Este artigo é parte do projeto de Pós-Doutorado desenvolvido pela primeira autora na PUC-Campinas e financiado pelo CNPq.

Referências

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Revista de Psicologia da IMED, Passo Fundo, vol. 11, n. 1, p. 233-247, Janeiro-Junho, 2019 - ISSN 2175-5027

[Recebido: Novembro 11, 2018; Aceito: Janeiro 23, 2019]

DOI: https://doi.org/10.18256/2175-5027.2019.v11i1.3051

Endereço correspondente / Correspondence address

Adinete Sousa da Costa Mezzalira

Av. General Rodrigo Octavio Jordão Ramos, 1200 - Coroado I, Manaus - AM, Brasil.
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