1541

A Religiosidade em Adolescentes Brasileiros

Religiosity in Brazilian Adolescents

Guilherme Machado Jahn(1); Débora Dalbosco Dell’Aglio(2)

1 Psicólogo formado pela UFRGS e Psicólogo do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). E-mail: guijahn@gmail.com

2 Psicóloga, Mestre e Doutora em Psicologia do Desenvolvimento, Docente do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: dddellaglio@gmail.com

 

Resumo

A religiosidade tem sido considerada importante fator de proteção na adolescência, associada inversamente a comportamentos de risco. Este estudo exploratório teve por objetivo investigar a religiosidade em adolescentes brasileiros. Participaram 2573 jovens, 58,1% meninas e 41,9% meninos, com idades entre 12 e 18 anos (M=15,67; DP=1,45), estudantes de escolas públicas das cinco regiões do país: Fortaleza (nordeste), Belém (norte), Vitória e Grande Vitória (sudeste), Hidrolândia (Goiás, centro-oeste), Porto Alegre e Rio Grande (sul). Os participantes responderam ao Questionário da Juventude Brasileira, que investiga fatores de risco e proteção, e para este estudo foram utilizadas as questões sociodemográficas e sobre religião, e uma versão adaptada da Escala de Religiosidade. Foram observadas médias mais altas nos escores na Escala de Religiosidade entre as meninas e entre os adolescentes mais velhos, assim como diferenças significativas entre as regiões do país e entre os tipos de religião. A religião mais frequente entre os participantes foi a católica. Houve predomínio de aspectos pessoais da religiosidade, indicando uma vivência mais intrínseca da religião. Diferenças regionais podem refletir aspectos culturais, que devem ser investigados em estudos futuros.

Palavras-chave: religião e psicologia, adolescentes, religiosidade

 

Abstract

Religiosity is an important protective factor in adolescence, inversely associated with risky behavior. This exploratory study aimed to investigate religiosity in adolescents from different regions of Brazil. Participants were 2573 adolescents, 58.1% girls and 41.9% boys, aged between 12 and 18 years (M = 15.67; SD = 1.45), students from public schools in five regions of the country: Fortaleza (Northeast), Belém (North), Vitória and Grande Vitória (Southeast), Hidrolândia (Goiás, Midwest), Porto Alegre and Rio Grande (South). Participants answered the Questionário da Juventude Brasileira, which investigates risk and protective factors, and the questions used were about sociodemographic data and religion, as well as an adapted version of the Religion Scale. Higher average scores were observed in the Religiosity Scale among girls and among older teens, as well as significant differences between regions and between types of religion. The most frequent religion among the participants was the catholic. Personal aspects of the religiosity were predominant, indicating an intrinsic experience of the religion. Regional differences may reflect cultural aspects, which can be investigated in further studies.

Keywords: religion and psychology, adolescents, religiosity

 

Definir espiritualidade e religiosidade tem sido tarefa controversa (Moreira-Almeida & Koenig, 2006; Yonker, Schnabelrauch, & DeHaan, 2012) e difícil, dada a sobreposição dos conceitos (Miller & Thorese, 2003). Autores como Good, Willoughby e Busseri (2011) e Hill e Edwards (2013) sugerem ser mais útil conceituar um único construto espiritualidade/religiosidade. Entretanto, outros autores relacionam espiritualidade com a busca pelo sagrado, pelo divino ou por aspectos não-materiais (Good, Willoughby, & Busseri, 2011), ou ainda com o transcendente (Miller & Thoresen, 2003); enquanto a religiosidade geralmente é compreendida como um fenômeno institucional (Miller & Thoresen, 2003).

Percebe-se uma relação íntima entre as definições de espiritualidade e religiosidade, de forma que a mudança na definição de um dos construtos pode afetar a do outro. Por exemplo, uma definição histórica e tradicional de religiosidade entende a espiritualidade como um de seus componentes, enquanto uma definição moderna entende que espiritualidade inclui religiosidade, mas pode ir além dela (Koenig, 2008). A religiosidade, como fenômeno relacionado à religião e suas estruturas, difere de acordo com cada crença, modo de organização e práticas de cada religião (Good, Willoughby, & Busseri, 2011), podendo haver sobreposição dos conceitos religiosidade e espiritualidade na medida em que a religiosidade pode ter como foco a espiritualidade e esta pode ser buscada de forma religiosa (Miller & Thoresen, 2003).

Allport e Ross (1967) caracterizam dois polos básicos de envolvimento religioso: o extrínseco e o intrínseco. Para os autores, uma maneira breve de descrever a religiosidade extrínseca é que os sujeitos com esse estilo de orientação religiosa usam a sua religião, enquanto indivíduos intrinsecamente orientados vivem-na. Indivíduos com orientação extrínseca podem encontrar na religião fonte de segurança, consolo, distração, espaço de socialização e status, sendo sua motivação utilitária em relação à religião. Já indivíduos cuja orientação religiosa é intrínseca encontram na própria religião a sua principal motivação e, a partir do momento em que abraçam uma religião, direcionam todos seus esforços para internalizá-la e segui-la plenamente. Para Allport e Ross (1967) as duas orientações são polos extremos de um continuum, o que nos permite pensar em expressões extrínsecas e intrínsecas da religiosidade, embora alguns indivíduos possam tender mais destacadamente a um ou a outro polo. Pace (2014), respeitando as definições de Allport e Ross (1967), afirma que a religiosidade intrínseca é vivida em um nível pessoal e íntimo, ao passo que a religiosidade extrínseca é vivida como uma forma de relação social. Dessa forma, a religiosidade pode ser vivenciada em termos de aspectos pessoais ou institucionais.

Pesquisas têm apresentado tanto a espiritualidade quanto a religiosidade como um fator de proteção, capaz de promover fatores positivos no desenvolvimento (Good, Willoughby, & Busseri, 2011; Marques, Cerqueira-Santos, & Dell’Aglio, 2011) e associado a comportamentos sociais positivos (Stolz, Olsen, Henke, & Barber, 2013), indicadores de bem-estar psicológico (Stroppa & Moreira-Almeira, 2008), motivação, coping religioso positivo e suporte social (Laird, Marks, & Marrero, 2011). A religiosidade também é apontada como fator de proteção na adolescência contra consumo de álcool, tabaco e drogas (Yonker, Schnabelrauch, & DeHaan, 2012; Bezerra et al., 2009) e comportamentos desviantes (Dias, 2011; Yu & Stiffman, 2010) ou de risco sexual (Cerqueira-Santos & Koller, 2016). De uma forma geral, a maioria das religiões com tradições bem estabelecidas e liderança responsável tende a promover experiências humanas positivas ao invés de negativas (Koenig, 2001).

A religiosidade suscita interesse de investigação na adolescência, por ser um período em que parece haver uma maior sensibilidade às experiências religiosas (Good & Willoughby, 2008). Na adolescência uma série de fatores relacionados à formação da identidade, maturação cognitiva e neurológica, assim como mudanças nos relacionamentos interpessoais promovem a exploração de filosofias e ideais espirituais e religiosos, a conversão e o engajamento religioso (Good & Willoughby, 2008).

No Brasil, a religião é um traço cultural marcante, profundamente relacionado com sua criação e história (Andrade, 2009), o que acentua a importância da investigação sobre como os adolescentes brasileiros vivenciam a religiosidade. Embora a religião tenha destaque na cultura brasileira, há uma escassez de trabalhos sobre a história do Brasil que tenham como eixo a dimensão religiosa (Andrade, 2009), e mais ainda em relação aos jovens. O quadro da distribuição religiosa na população geral, conforme o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE, 2010), foi caracterizado por 64,6% de católicos, 22,2% de evangélicos, 2% de espíritas, 0,3% de umbandistas e de candomblé, 8% que se denominaram sem religião e 2,7% de outras religiosidades. Em relação a outros censos, em 2010 houve um aumento de evangélicos e de pessoas sem religião, e a diminuição de católicos, podendo representar uma tendência na população brasileira.

É possível que os jovens tenham participação ativa nessas mudanças percebidas no cenário religioso do Brasil. Sendo os jovens atores que se expressam e transformam a sociedade e a cultura (Martins & Carrano, 2011), e sendo a religião um espaço simbólico com uma dimensão de sociabilidade (Fernandes, 2013), pode ser também através da religião que os jovens operam mudanças culturais. Avaliar a importância e a frequência com que os adolescentes se envolvem na religião é uma questão importante, pois indícios apontam que religiosidade e espiritualidade encontram na adolescência características peculiares que podem prover os jovens com recursos importantes para um desenvolvimento saudável. Além disso, a investigação sobre as diferenças entre a religiosidade na adolescência e na população geral pode ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo no quadro religioso brasileiro, bem como o papel dessa dimensão nessa faixa do ciclo vital. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi investigar de forma exploratória a religiosidade em adolescentes de diferentes regiões do Brasil, observando as variáveis afiliação religiosa, sexo, idade e região do país.

 

Método

Participantes

Este estudo foi realizado a partir de um banco de dados conjunto que agrupou os resultados de pesquisas realizadas durante os anos de 2009 a 2012 em escolas públicas de diferentes locais do país com um mesmo instrumento, desenvolvido por professores do Grupo de Trabalho Juventude: Resiliência e Vulnerabilidade da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia. A amostra de participantes desta pesquisa foi formada por 2573 jovens com idades entre 12 e 18 anos (M=15,67 anos; DP=1,45), que estudavam entre a 6ª série do ensino fundamental e o 3° ano do ensino médio em escolas públicas de diferentes regiões do Brasil: Fortaleza na região nordeste (35,7%), Belém na região norte (17,8%), Vitória e grande Vitória na região sudeste (11,9%), Hidrolândia (Goiás) na região centro-oeste (1,9%) e Porto Alegre e Rio Grande na região sul (32,6%). Em relação ao sexo, 41,9% dos participantes eram homens e 58,1% mulheres.

 

Instrumento

Foi utilizado o Questionário da Juventude Brasileira - Versão Fase II (Dell’Aglio, Koller, Cerqueira-Santos, & Colaço, 2011), composto por 77 questões, sendo algumas de múltipla escolha e outras em formato Likert de cinco pontos, com o objetivo de investigar fatores de risco e proteção em adolescentes, abordando aspectos relacionados à educação, saúde, trabalho, comportamentos de risco, fatores de risco e fatores protetores sociais e pessoais. Para as análises deste estudo, foram utilizadas apenas as questões sociodemográficas do questionário; a questão 28, que investiga a religião do participante; e a questão 29, que engloba uma versão adaptada da Escala de Religiosidade (Cerqueira-Santos & Koller, 2009). Essa escala contém nove itens com opções de respostas em escala Likert de cinco pontos, sendo 1 para nunca e 5 para sempre. Em relação ao instrumento original, o item “costumo ler escrituras sagradas ou fazer orações no meu dia-a-dia” foi modificado, tendo sido alterada a expressão “escrituras sagradas” para “livros sagrados”. Além disso, foi subdividido em dois itens: “costumo fazer orações no meu dia-a-dia” e “costumo ler livros sagrados no dia-a-dia”. Por fim, foi acrescentado o item “sigo recomendações religiosas na minha vida diária”.

 

Procedimentos e Considerações Éticas

Todos os procedimentos éticos que garantem a integridade dos sujeitos de pesquisa foram assegurados. O projeto de pesquisa foi aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa de cada universidade onde o estudo foi realizado, em cada um dos estados participantes, e as escolas participantes assinaram o Termo de Concordância com a realização da pesquisa.

A seleção das escolas participantes foi realizada através do método de amostragem aleatória por conglomerados na maioria das cidades, com exceção de Hidrolândia, Goiás, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, onde a seleção dos participantes foi por conveniência. Nas demais cidades foi realizado um sorteio a partir de todas as escolas que pertenciam à rede pública, assim como das turmas participantes. Os alunos das turmas sorteadas foram abordados em sala de aula e convidados a participar da pesquisa. Foi solicitada a assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido pelos pais dos adolescentes e do Termo de Assentimento pelos estudantes que manifestaram o desejo em integrar o estudo. A coleta de dados foi realizada coletivamente, em sala de aula, com duração máxima de 60 minutos.

 

Resultados

Foi realizada uma análise descritiva em relação à afiliação religiosa dos participantes. A Tabela 1 apresenta os percentuais da afiliação religiosa por região do país e total.

Tabela 1. Percentuais de Participantes por Afiliação Religiosa e Região do País

Opções religiosas

Sul

Norte

Centro-Oeste

Sudeste

Nordeste

Total

Católico

39,0

49,3

36,0

32,2

48,9

43,3

Evangélico

13,6

44,0

20,0

44,6

30,5

28,5

Sem religião

28,7

18,6

42,0

17,6

18,4

22,3

Espírita

7,5

2,3

2,0

1,0

0,8

3,3

Umbandista

7,3

0,6

0,0

0,0

0,4

2,7

Protestante

1,7

4,0

0,0

5,2

2,3

2,6

Ateu

3,6

1,7

0,0

1,3

1,0

2,0

Outro

5,6

3,5

0,0

3,9

3,0

4,1

Total

32,6

17,8

1,9

12,0

35,7

100

Nota: questão de múltipla escolha.

Quanto à Escala de Religiosidade, foi observada uma consistência interna satisfatória (alpha de Cronbach=0,86), com uma média geral de 29,84 (DP=8,40) e com médias nos itens que variaram de 2,46 a 4,20. As médias dos itens da Escala de Religiosidade são apresentadas na Tabela 2.

Tabela 2. Médias e Desvios Padrão dos Itens da Escala de Religiosidade

Itens da escala de religiosidade

M

Dp

A religião/espiritualidade tem sido importante para a minha vida

3,46

1,55

Costumo frequentar encontros, cultos ou rituais religiosos

2,87

1,43

Costumo fazer orações no dia-a-dia

3,36

1,35

Costumo ler livros sagrados no dia-a-dia (Bíblia, Alcorão, etc.)

2,53

1,32

Costumo agradecer a Deus pelo que acontece comigo

4,11

1,18

Peço ajuda a Deus para resolver meus problemas

4,20

1,14

Costumo fazer orações quando estou em momentos difíceis

4,07

1,24

Busco ajuda da minha instituição religiosa (igreja, templo, etc.) quando estou em dificuldades

2,46

1,49

Sigo recomendações religiosas na minha vida diária

2,77

1,42

A Tabela 3 apresenta as médias totais da Escala de Religiosidade por religião. Foi observada uma diferença significativa na média geral de religiosidade entre as afiliações religiosas mais frequentes (F6,2347=182,72; p<0,001). Entre as opções religiosas, um teste post-hoc Tukey indicou a presença de quatro grupos diferentes entre si, mas homogêneos em sua média geral intragrupal. Os grupos são, em ordem crescente da média geral de religiosidade: (1) ateus; (2) sem religião; (3) espíritas, umbandistas e católicos e (4) protestantes e evangélicos. As médias e desvios padrão de cada religião são apresentados na Tabela 3, de acordo com o agrupamento resultante das análises.

Tabela 3. Médias e Desvios Padrão da Escala de Religiosidade por Opção Religiosa

Religião

f

1

2

3

4

Ateu

42

11,40 (5,20)

 

 

 

Sem religião

513

 

24,22 (7,16)

 

 

Espírita

48

 

 

28,69 (7,03)

 

Umbandista

45

 

 

28,98 (6,83)

 

Católico

1014

 

 

29,51 (6,77)

 

Protestante

32

 

 

 

34,28 (8,64)

Evangélico

660

 

 

 

35,47 (6,87)

Foram realizadas análises dos escores na Escala de Religiosidade, observando as variáveis sexo, faixa etária e região do país. Quanto ao sexo, foi observada diferença nas médias gerais (t=7,13; gl=2149,95; p<0,001), com uma média mais alta na religiosidade entre as meninas (M=30,85; DP=7,89) do que entre os meninos (M=28,43; DP=8,87). Também foram observados os percentuais de participantes em relação à faixa etária, considerando o grupo 1 de 12 a 15 anos (47,2%), e grupo 2 de 16 a 18 anos (52,8%). Houve diferença entre os grupos (t=2,14; gl=2571; p=0,032), com maior média geral para o grupo 2 (M=30,17; DP=8,42) em relação ao grupo 1 (M=29,46; DP=8,36).

Em relação à região do país, os resultados apresentaram diferença significativa na Escala de Religiosidade entre as regiões (F4,2568=85,35; p<0,001), sendo a média mais alta na região sudeste (M=33,11; DP=8,09), seguida da região nordeste (M=31,70; DP=7,42), norte (M=31,47; DP=7,81), centro-oeste (M=27,18; DP=8,85), e a média mais baixa na região sul (M=25,86; DP=8,30). Um teste post-hoc Tukey indicou algumas diferenças entre as regiões: a região sul difere de norte, nordeste e sudeste (p<0,001); a região sudeste difere das regiões sul e centro-oeste (p<0,001), e da região norte (p<0,039); a região centro-oeste diferiu de norte (p<0,003), nordeste e sudeste (p<0,001); a região nordeste diferiu das regiões sul e centro-oeste (p<0,001); e, por fim, foram encontradas diferenças entre a região norte com as regiões sul (p<0,001), centro-oeste (p<0,003) e sudeste (p<0,039).

 

Discussão

Os dados deste estudo indicaram que mais da metade dos participantes afiliados a alguma religião distribui-se entre Católicos e Evangélicos, apontando tendência observada na população brasileira em geral (IBGE, 2010). Todavia, os resultados mostram que a distribuição dos adolescentes nas afiliações religiosas difere consideravelmente da população brasileira, com percentual de católicos menor do que na população geral. Neri e Melo (2009) já apontavam essa tendência da diminuição do número de católicos da população geral a partir dos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2009, realizada pelo IBGE, com uma queda maior entre os jovens do que em outras camadas etárias. É possível que essa diferença entre adolescentes e população geral tenha reflexos nos próximos censos demográficos e, além disso, apontem os jovens como atores ativos nesses processos de mudança.

Considerável parcela dos adolescentes (22,3%) deste estudo assinalou não ter religião e, assim como na população geral brasileira (IBGE, 2010), a categoria foi a terceira mais mencionada pelos participantes. Esta categoria religiosa foi o que mais cresceu proporcionalmente no Brasil ao longo dos últimos anos, passando de 1,6% da população em 1980 para 7,3% da população em 2008 (Dalgalarrondo, 2008).

A categoria outras religiões soma 12,7% dos participantes, além dos que se denominaram ateus (2,0%). Entende-se que o grupo dos ateus é composto por aqueles jovens que, além de não partilhar de uma religião, não consideram a existência do sagrado ou transcendente. O número de ateus desta pesquisa não pode ser comparado aos índices do IBGE (2010), já que o Instituto não avaliou a categoria “ateu”. Supomos que este grupo na população brasileira está representado na pesquisa do IBGE pela categoria “sem religião”, mas seria importante diferenciá-los, já que pode haver espiritualidade sem partilhar de uma religião instituída.

A partir da análise dos itens da Escala de Religiosidade, observa-se que as maiores médias de pontuação foram nos itens “Peço ajuda a Deus para resolver meus problemas” e “Costumo fazer orações quando estou em momentos difíceis”. Esses dados podem indicar que os adolescentes encontram na ideia de Deus e na prática de orações importantes recursos para enfrentar adversidades em suas vidas. Stroppa e Moreira-Almeira (2008) destacam que a religião oferece diversos métodos ou estratégias de coping religioso-espiritual que abrangem uma série de comportamentos, emoções, cognições e relações, constituindo-se importante aspecto para o indivíduo. Segundo os autores, evidências indicam que o coping propiciado pela religião é geralmente positivo, mesmo em diferentes amostras e frente a situações estressoras diversas. Talvez sejam justamente os aspectos mais pessoais da religião, como pedir ajuda a Deus para resolver os problemas e fazer orações em momentos difíceis, aqueles que contribuem para o processo de coping.

O item “Costumo agradecer a Deus pelo que acontece comigo” apresenta grande relevância, já que indica que a ideia de Deus para os adolescentes não está apenas constituída como uma fonte de recursos para o enfrentamento de problemas, mas também associada com eventos positivos de vida. De forma geral, os resultados apresentados levantam a questão da atribuição de controle. Agradecer a Deus pelos eventos positivos ou pedir ajuda a Deus para resolver as adversidades podem ser experiências resultado de uma atribuição externa de controle. Rotter (1990) indica que a atribuição de controle pode ser interna ou externa e diz respeito ao grau em as pessoas acreditam que um resultado ou reforço é contingente às suas características pessoais e a seus comportamentos ou o quanto estão em função de aspectos alheios, como chance, sorte ou destino. A atribuição de controle excessivamente externa ou interna pode ser representada em crenças do tipo “nada depende de mim” ou “tudo depende de mim”, caracterizando-se atitudes que podem resultar em passividade exacerbada ou em desconsideração de aspectos externos.

Os itens sobre a leitura de livro sagrados, frequência de práticas ou participação em cultos religiosos, ou ainda seguir recomendações religiosas no cotidiano, apresentaram médias mais baixas. A baixa frequência em cultos e a prática de recomendações religiosas no cotidiano não significam que a religiosidade não tenha importância em suas vidas. O item “a religião/espiritualidade tem sido importante para a minha vida” aponta como os adolescentes consideram esses fenômenos importantes. Além disso, embora o instrumento utilizado, Escala de Religiosidade, não especifique itens que possam ser compreendidos como intrínsecos ou extrínsecos, pode-se compreender esses resultados a partir das definições de Allport e Ross (1967) e Pace (2014). Pode-se observar que aspectos mais extrínsecos de religiosidade, como frequentar cultos ou procurar as instituições como fonte de apoio, apresentaram médias mais baixas na Escala de Religiosidade, enquanto que aspectos intrínsecos da religiosidade (por ex. agradecer a Deus, pedir ajuda a Deus) apresentaram médias mais altas. Assim, parece haver predomínio de uma vivência mais pessoal da religião, do que vinculada às instituições religiosas.

O item “Busco ajuda da minha instituição religiosa (igreja, templo, etc.) quando estou em dificuldades” foi o que apresentou menor média e mostra que instituições religiosas, de forma geral, não são percebidas pelos jovens como fonte de apoio social. Este dado levanta a dúvida sobre quais fatores estão presentes ou faltam nas instituições religiosas que não tornam esses locais atraentes aos adolescentes como fonte de apoio. Pensar nas instituições religiosas como fonte de apoio social aos jovens se faz pertinente, já que o apoio social tem sido considerado um fator de proteção e de promoção de saúde (Antunes & Fontaine, 1996; Gonçalves, Pawlowski, Bandeira, & Piccinini, 2011).

Os dados podem indicar que os jovens estão mais especialmente vinculados a uma religião (católica, evangélica, entre outras) e não tanto a um templo ou a um local específico, ou, ainda, que podem ser religiosos e frequentar diferentes instituições dessa religião, resultando em redes de apoio menos consistentes. Antunes e Fontaine (1996) esclarecem que o apoio social é um processo complexo cuja manutenção e desenvolvimento exigem investimento e reciprocidade. Como os adolescentes apresentaram uma média baixa na frequência dos cultos, compreende-se que a rede de apoio possa não se constituir de maneira consistente, já que a manutenção da rede de apoio demanda investimento por parte do indivíduo.

Por outro lado, ter uma afiliação religiosa nem sempre significa ter apoio e proteção. No estudo de Roehlkepartain, Benson, King e Wagener (2006), foi observado que certas formas patológicas de espiritualidade, como aquelas voltadas para o conflito, com motivações utilitárias e fomentadoras de autoritarismo, podem autorizar a pessoa a causar danos a si e aos outros. O risco também pode ser observado no fundamentalismo religioso que pode, ao invés de promover acolhimento, resultar em discriminação (Ribeiro & Minayo, 2014). Applegate, Cullen, Fisher e Ven (2000) discutem, ainda, os efeitos de diferentes religiões, dependendo de sua visão mais rígida e moralista, ou que concebe Deus como compassivo e amoroso, compreendendo que orientações religiosas compassivas tendem a influenciar atitudes compassivas, enquanto orientações fundamentalistas, atitudes punitivas. Dito isto, deve-se considerar a possibilidade de algumas instituições religiosas não acolherem as problemáticas dos adolescentes, entendendo-as como condenáveis. Essa possibilidade é considerável, já que a adolescência pode ser marcada por experiências que transgridem noções mais conservadoras em relação ao uso de drogas, atividade sexual e outras atitudes.

Os resultados deste estudo apontaram, de forma geral, que alguns jovens se vinculam a uma religião sem necessariamente se envolver em práticas religiosas correspondentes. Esta situação também foi observada em uma pesquisa de Oliveira e Panasiewicz (2015), com universitários mineiros, em que foi observada ausência de prática religiosa, embora os jovens declarassem ter uma religião. Os autores concluíram que os jovens têm afeição pelo religioso, mas, por outro lado, desafeição em relação às instituições religiosas. Poder-se-ia ainda questionar o que significa para esses jovens a afiliação declarada. É possível que seja parte de uma identidade familiar ou ainda uma simpatia por determinadas confissões de fé, sem que isso implique qualquer tipo de compromisso e mesmo prática, tanto pública quanto privada.

Neste estudo, foram ainda observadas diferenças nas médias gerais na Escala de Religiosidade entre as afiliações religiosas investigadas. De acordo com Fernandes (2013), cada religião apresenta sua visão de mundo e seus preceitos éticos, que se refletem no cotidiano, nas práticas e nas escolhas políticas e afetivas dos jovens. Esse aspecto pode ser observado em estudos como o de Dalgalarrondo et al. (2004), que demonstra a relação de diferentes orientações religiosas com o envolvimento de adolescentes com drogas, e o de Applegate et al. (2000), no qual diferentes orientações religiosas resultam em atitude compassiva ou punitiva em relação a criminosos.

Quanto ao sexo, as meninas apresentaram maior média na Escala de Religiosidade que os meninos. Esse resultado é consistente com o estudo de Dalgalarrondo et al. (2004), no qual as meninas se consideraram, de maneira significativa, mais religiosas que os meninos. Em outro trabalho, Dalgalarrondo (2008) discute que uma diferença entre os sexos quanto ao padrão e a intensidade da religiosidade parece ser consistente na maioria das culturas. No Brasil, o levantamento nacional realizado por Moreira-Almeida, Pinsky, Zaleski e Laranjeira (2010) também indicou uma maior religiosidade entre as mulheres.

No entanto, Rosado-Nunes (2005) destaca que dados estatísticos costumam confirmar a ideia de que mulheres investem mais em religião do que homens, resultando disso uma ideia equivocada de que elas são mais religiosas do que eles. Para a autora, as religiões delimitam, explícita ou implicitamente, os papéis masculinos e femininos. Embora Rosado-Nunes (2005) reconheça a prevalência feminina no corpo de fiéis brasileiros, chama atenção ao fato de que a influência nas normas, regras e políticas apresenta maior investimento masculino. As mulheres estão mais orientadas para as práticas religiosas, rituais e transmissão do legado religioso, com pouca presença nos espaços definidores das crenças, políticas e organização das instituições (Rosado-Nunes, 2005), o que refletiria uma série de atravessamentos sociais sobre os sexos no campo da religião. Assim, é possível que na religião se encontrem valores, crenças e comportamentos que possam satisfazer um ideal educativo e de expectativas sociais sobre as meninas, resultando nessa diferença.

Os adolescentes mais velhos que participaram deste estudo apresentaram uma maior média geral na Escala de Religiosidade, indicando um aumento da média de religiosidade em geral ao longo da adolescência. Para Good e Willoughby (2008), o aumento na capacidade de pensamentos abstratos é um dos fatores que permitem aos adolescentes explorar o universo religioso e espiritual, o que pode explicar a diferença encontrada nesta pesquisa. Por outro lado, o aumento com a idade, da média geral na Escala de Religiosidade, pode também ser efeito de uma maior independência dos jovens em relação aos pais, já que ao encontrar um ambiente favorável, o adolescente tende a perder a identidade infantil e conquistar cada vez mais sua autonomia em relação às figuras de dependência (Velho, Quintana, & Rossi, 2013). Disto pode decorrer um encontro mais pessoal e intenso com a religiosidade e menos permeado pelos ideais parentais.

Não podemos descartar que uma maior média da Escala de Religiosidade para os adolescentes mais velhos pode estar associada também com a busca de uma identidade adulta. Good e Willoughby (2008) mencionam, por exemplo, que uma busca por religiosidade pode facilitar a construção de identidade. Dalgalarrondo (2008) aponta o componente religioso como um dos vetores constituintes da identidade total. Para o autor, símbolos, valores, rituais, comportamentos valorizados e indesejáveis, que permeiam as religiões, agem na constituição da identidade da pessoa. Assim, a religião pode oferecer recursos para a consolidação da identidade do adolescente e de referências para o trânsito do indivíduo no campo social.

Os resultados mostram diferenças nas médias de religiosidade entre as regiões do país, com a região sudeste apresentando a maior média e a região sul com a menor média. É importante destacar que as diferenças entre as médias de religiosidade entre as regiões do Brasil parecem estar atravessadas pela distribuição das afiliações que cada região apresenta. A região sul, por exemplo, é marcada principalmente por adolescentes católicos e sem religião, cujas médias de religiosidade não foram as mais altas. Na região sudeste, com a maior média de religiosidade, percebe-se a prevalência de evangélicos, seguidos de católicos. Além disto, o IBGE (2010) compreende que a dinâmica da ocupação do território brasileiro é uma característica importante implicada na diversificação dos grupos religiosos observada nas últimas décadas, fator que pode estar associado às diferenças entre as regiões do Brasil apontadas aqui. Por exemplo, as ocupações territoriais das regiões centro-oeste e norte foram acompanhadas por segmentos evangélicos pentecostais. Além disso, para o IBGE (2010), a urbanização crescente dessas áreas possibilitou um contexto favorável ao surgimento de novos grupos religiosos.

Desta forma, percebe-se que a avaliação das diferenças na média da religiosidade dos adolescentes entre as regiões do país é complexa e atravessada por diversos fatores. Aspectos como urbanização e ocupações territoriais são significativos para a compreensão dessas diferenças (IBGE, 2010). Por isso, mudanças sociais recorrentes e também atuais devem ser consideradas nessas diferenças de religiosidade entre as regiões do país. Aspectos culturais não podem deixar de ser mencionados, tendo em vista que a formação cultural nas regiões brasileiras sofreu influências de diferentes povos e movimentos imigratórios.

Deve-se ainda destacar algumas limitações deste estudo, especialmente no que se refere às amostras e ao instrumento utilizado. Não foi possível compor uma amostra com equivalência à população de adolescentes de cada região, embora na maior parte das cidades tenha sido utilizada seleção aleatória por conglomerados, com sorteio de escolas participantes. No entanto, parece importante apresentar dados que envolvem uma amostra total com participantes das cinco regiões do país, já que há poucos estudos empíricos sobre religiosidade entre jovens brasileiros. Quanto à Escala de Religiosidade, embora já utilizada em diversas pesquisas (Cerqueira-Santos, Koller, & Wilcox, 2008; Cerqueira-Santos & Koller, 2009; Cerqueira-Santos & Koller, 2016; Marques, Cerqueira-Santos, & Dell’Aglio, 2011), ainda não foi realizado estudo de validação desse instrumento. Dessa forma, os resultados deste estudo, embora indicativos da forma como os adolescentes vivenciam a religião, ainda são dados exploratórios e que não podem ser generalizados, tendo em vista a complexidade das variáveis envolvidas.

 

Considerações finais

Neste estudo foi observado que a religiosidade pode ser uma fonte de amparo para a resolução de problemas na vida dos adolescentes, mas as instituições religiosas não parecem se constituir como fonte de apoio. Houve um predomínio de aspectos pessoais da religião, com uma religiosidade mais intrínseca entre os jovens, e, por outro lado, baixo envolvimento nas práticas religiosas institucionais, indicando que, de forma geral, as instituições religiosas não atraem os adolescentes. Investir em espaços religiosos como locais de convivência e manutenção de vínculos talvez pudesse resultar em uma maior frequência e participação nos cultos, promovendo as instituições religiosas como fonte de apoio.

Quatro grupos de afiliações religiosas foram identificados a partir da semelhança entre as médias de religiosidade. No entanto, os dados desta pesquisa permitem apenas perceber estas diferenças, pois para compreendê-las melhor são necessários novos estudos sobre a repercussão dessas diferentes religiões na vida dos adolescentes. Além disso, foi observada uma maior média de religiosidade entre as meninas em relação aos meninos e uma maior média entre os adolescentes mais velhos em relação ao aos mais novos. A compreensão dos efeitos e dos aspectos associados às diferenças por sexo parece merecer esforços, já que podem estar associados a comportamentos e crenças que permeiam diversas dimensões. Todavia, ainda parece haver pouco empenho em compreender como a religiosidade se desenvolve ao longo da adolescência e início da vida adulta. Já que esta etapa da vida é compreendida por alguns autores como uma fase de sensibilidade para o espiritual e o religioso (Good & Willoughby, 2008), nada mais justo que investigar as vicissitudes da religiosidade durante a adolescência.

Embora esta pesquisa apresente diversos dados sobre a religiosidade entre adolescentes, é necessária ainda uma investigação mais aprofundada sobre a construção de formas de religiosidade e de instituições religiosas que acolham as problemáticas vivenciadas por esta população, respeitando suas peculiaridades e canalizando seus recursos religiosos e de espiritualidade de modo positivo. Também devem ser observadas as características de cada religião, visto que nem todas as suas diferentes expressões podem trazer benefícios, em termos de desenvolvimento na adolescência.

Apesar de suas limitações, este estudo se propôs a investigar de forma exploratória diferentes tópicos sobre a religiosidade em adolescentes de todo o Brasil. A partir disso, compreende-se que investir em pesquisas sobre a religiosidade como um fator importante na adolescência é uma boa forma de promover saúde e bem-estar entre os jovens. Destaca-se a importância de ações preventivas e interventivas na adolescência, já que nessa etapa do desenvolvimento a religião pode passar a se constituir em um aspecto da identidade e perdurar ao longo da vida como fator protetivo.

 

 

Referências

Allport, G. W., & Ross, J. M. (1967). Personal religious orientation and prejudice. Journal of Personality and Social Psychology, 5(4), 432-443.

Andrade, M. O. (2009). A religiosidade brasileira: o pluralismo religioso, a diversidade de crenças e o processo sincrético. Revista Eletrônica de Ciências Sociais, 14,106-118.

Antunes, C., & Fontaine, A. M. (1996). Relação entre conceito de si próprio e a percepção social de apoio na adolescência. Cadernos de Consulta Psicológica, 12, 81-92.

Applegate, B. K., Cullen, F. T., Fisher, B. S., & Ven, T. V. (2000). Forgiveness and fundamentalism: reconsidering the relationship between correctional attitudes and religion. Criminology, 38(3), 719-754.

Bezerra, J., Barros, M. V. G., Tenório, M. C. M., Tassitano, R. M., Barros, S. S. H., & Hallal, P. C. (2009). Religiosidade, consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo em adolescentes. Revista Panamericana de Salud Publica, 26(5), 440-446.

Cerqueira-Santos, E., & Koller, S. H. (2009). A dimensão psicossocial da religiosidade entre os jovens brasileiros. In R. M. C. Libório & S. H. Koller (Eds.), Adolescência e juventude: risco e proteção na realidade brasileira (pp. 133-154). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Cerqueira-Santos, E., & Koller, S. H. (2016). Sexual risk-taking behavior: The role of religiosity among poor Brazilian youth. Universitas Psychologica, 15, 1-x.

Cerqueira-Santos, E., Koller, S. H., & Wilcox, B. (2008). Condom use, contraceptive methods, and religiosity among youths of low socioeconomic level. Spanish Journal of Psychology, 11, 94-102.

Dalgalarrondo, P., Soldera, M. A., Corrêa Filho, H. R., & Silva, C. A. M. (2004). Religião e uso de drogas por adolescentes. Revista Brasileira de Psiquiatria, 26(2), 82-90.

Dalgalarrondo, P. (2008). Religião, psicopatologia e saúde mental. Porto Alegre: Artmed.

Dell’Aglio, D. D., Koller, S. H., Cerqueira-Santos, E., & Colaço, V. (2011). Revisando o Questionário da Juventude Brasileira: uma nova proposta. In D. D. Dell’Aglio & S. H. Koller (Eds.), Adolescência e juventude: Vulnerabilidade e contextos de proteção (pp. 259-270). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Dias, M. L. V. (2011). Religiosidade e comportamento desviante na adolescência: Dados de um estudo empírico. Revista Portuguesa de Pedagogia, 45(1), 5-23.

Fernandes, D. (2013). Juventudes, geografia e religião: Reflexões a partir das noções de forma simbólica e habitus. RAEGA - O Espaço Geográfico em Análise, 27, 67-93.

Gonçalves, T. R., Pawlowski, J., Bandeira, D. R., & Piccinini, C. A. (2011). Avaliação de apoio social em estudos brasileiros: Aspectos conceituais e instrumentos. Ciência e Saúde Coletiva, 16(3), 1755-1769.

Good, M., & Willoughby, T. (2008). Adolescence as a sensitive period for spiritual development. Child Development Perspectives, 2(1), 32-37.

Good, M., Willoughby, T., & Busseri, M. A. (2011). Stability and change in adolescent spirituality/religiosity: A person-centered approach. Developmental Psychology, 47(2), 538-550.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2010). Censo demográfico 2010: Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência. Retrieved from http://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=794 in 15 de Julho de 2014.

Koenig, H. G. (2008). Concerns about measuring “Spirituality” in research. The Journal of Nervous and Mental Disease, 192(5), 349-355.

Laird, R. D., Marks, L. D., & Marrero, M. D. (2011). Religiosity, self-control, and antisocial behavior: Religiosity as a promotive and protective factor. Journal of Applied Developmental Psychology, 32, 78-85.

Marques, L. F., Cerqueira-Santos, E., & Dell’Aglio, D. D. (2011). Religiosidade e identidade positiva na adolescência. In D. D. Dell’Aglio & S. H. Koller (Eds.), Adolescência e juventude: Vulnerabilidade e contextos de proteção (pp. 77-108). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Martins, C. H. S., & Carrano, P. C. R. (2011). A escola diante das culturas juvenis: reconhecer para dialogar. Educação, 36(1), 43-56.

Miller, W. R., & Thoresen, C. E. (2003). Spirituality, religion, and health: An emerging research field. American Psychologist, 58(1), 24-35.

Moreira-Almeida, A., & Koenig, H. G. (2006). Retaining the meaning of the words religiousness and spirituality: a comment on the WHOQOL SRBP group’s “A cross-cultural study of spirituality, religion, and personal beliefs as component of quality of life”. Social Science & Medicine, 63, 843-845.

Moreira-Almeida, A., Pinsky, I., Zaleski, M., & Laranjeira, R. (2010). Envolvimento religioso e fatores sociodemográficos: Resultados de um levantamento nacional no Brasil. Revista de Psiquiatria Clínica, 37(1), 12-15.

Neri, M. C., & Melo, L. C. C. (2011). Novo mapa das religiões. Horizonte, 9(23), 637-673.

Oliveira, P. D. A. R., & Panasiewicz, R. (2014). Tendências religiosas entre a população universitária: um estudo de caso. Horizonte, 12(36), 1160-1189.

Pace, S. (2014). Effects of intrinsic and extrinsic religiosity on attitudes toward products: Empirical evidence of value-expressive and social-adjustive functions. The Journal of Applied Business Research, 30(4), 1227-1238.

Ribeiro, F. M. L., & Minayo, M. C. S. (2014). O papel da religião na promoção da saúde, na prevenção da violência e na reabilitação de pessoas envolvidas com a criminalidade: uma revisão de literatura. Ciências e Saúde Coletiva, 19(6), 1773-1789.

Roehlkepartain, E. C., Benson, P. L., King, P. E., & Wagener, L. M. (2006). Spiritual development in childhood and adolescence: moving to the scientific mainstream. In E. C. Roehlkepartain, P. L. King, L. M. Wagener, & P. L. Benson (Eds.), The handbook of spiritual development in childhood and adolescence (pp. 1-15). Thousand Oaks: Sage.

Rosado-Nunes, M. J. (2005). Gênero e religião. Estudos Feministas, 13(2), 363-365.

Rotter, J. B. (1990). Internal versus external control of reinforcement: A case history of a variable. American Psychologist, 45(4), 489-493.

Stolz, H. E., Olsen, J. A., Henke, T. M., & Barber, B. K. (2013). Adolescent religiosity and psychosocial functioning: Investigating the roles of religious tradition, national-ethnic group, and gender. Child Development Research, 2013, 1-13.

Stroppa, A., & Moreira-Almeida, A. (2008). Religiosidade e saúde. In M. I. Salgado & G. Freire (Eds.), Saúde e espiritualidade: Uma nova visão da medicina (pp. 427-443). Belo Horizonte: Inede.

Velho, M. T. A. C., Quintana, A. M., & Rossi, A. G. (2013). Adolescência, autonomia e pesquisas em seres humanos. Revista Bioética, 22(1), 76-84.

Yonker, J. E., Schnabelrauch, C. A., & DeHaan, L. G. (2012). The relationship between spirituality and religiosity on psychological outcomes in adolescents and emerging adults: A meta-analytic review. Journal of Adolescence, 35, 299-314.

Yu, M., & Stiffman, A. R. (2010). Positive family relationships and religious affiliation as mediators between negative environment and illicit drug symptoms in American Indian adolescents. Addictive Behaviors, 35(7), 694-699.

Revista de Psicologia da IMED, Passo Fundo, vol. 9, n. 1 p. 38-54, Jan.-Jun. 2017 - ISSN 2175-5027

[Recebido: Set. 06, 2016; Aceito: Ago. 28, 2017]

DOI: https://doi.org/10.18256/2175-5027.2017.v9i1.1541

 

Endereço correspondente:

Débora Dalbosco Dell’Aglio

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Rua Ramiro Barcelos, 2600 - Bairro Santa Cecília - Porto Alegre - RS - Brasil, CEP: 90035-003

 

Como citar este artigo / How to cite item: clique aqui!/click here!

Sistema de Avaliação: Double Blind Review

Editor: Jean Von Hohendorff

 

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Revista de Psicologia da IMED

ISSN 2175-5027

Licença Creative Commons
Este obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

BASES DE DADOS E INDEXADORES

  Periódicos CAPES
DOAJ.jpg
 
dialnet.png
 
REDIB
latindex.jpg
  Diadorim.jpg  SIS
  erihplus.png  
circ.png