Mulheres que cometeram homicídio: representações, práticas e trajetórias sociocriminais

Odacyr Roberth Moura da Silva, Lucas Nápoli dos Santos, Jefferson Calili Ribeiro, Eliza de Oliveira Braga, Sônia Maria Queiroz de Oliveira, Carlos Alberto Dias

Resumo


O objetivo deste estudo é conhecer e analisar trajetórias sociocriminais de mulheres que cometeram o crime de homicídio, não do ponto de vista jurídico, mas das representações sociais presentes em seus discursos. O artigo foi elaborado a partir das narrativas referentes ao ato cometido, coletadas através de entrevistas em profundidade realizadas junto a mulheres homicidas que cumprem pena na APAC de um município mineiro. Os três eixos norteadores da entrevista abarcaram os temas lei, cumprimento da lei e crime. As entrevistadas, através de seu discurso, apresentam consciência do que é a lei. Acreditam que “lei” serve para punir, fazer com que as pessoas paguem pelos erros cometidos contra a sociedade. Consideram que cometer um crime é algo errado e que não vale a pena devido às consequências negativas que o ato produz. As entrevistadas parecem apresentar certo grau de arrependimento, não necessariamente por terem praticado o crime de homicídio, mas pela punição a elas imputada. O número reduzido de estudos sobre o tema e a invisibilidade na qual a mulher homicida está submetida torna imprescindível reflexão aprofundada sobre a dinâmica social na qual elas estão inseridas, bem como sobre os contextos em que este tipo de violência emerge.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18256/2175-5027/psico-imed.v8n1p20-29

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