“Eu me sinto um brasileiro no Japão e um japonês no Brasil”: as relações de trabalho de um casal Dekassegui

Ana Aldivonir Delfino Lopes, Tatiana Aguiar Porfírio de Lima, Alice Gerlane Cardoso da Silva, Diogo Henrique Helal

Resumo


Considerando que as relações de trabalho estão inseridas culturalmente na sociedade, o objetivo deste artigo consiste em compreender os significados culturais atribuídos às experiências de trabalho, sob a perspectiva de um casal dekassegui. Para estudar a interação entre esses dois fenômenos sociais, quais sejam, cultura e relações de trabalho, utilizou-se a conceituação desenvolvida por Fischer (1987). A autora afirma que há três instâncias que determinam os padrões de relações de trabalho – a política, a organização do processo de trabalho e a política de recursos humanos. E, para alcançar um melhor entendimento das perspectivas e visões de mundo dos entrevistados acerca desses fenômenos, realizou-se um estudo qualitativo básico com base em histórias orais de vida e entrevistas em profundidade. A partir dos dados da pesquisa, observou-se que a cultura japonesa atribui ao trabalho os significados de independência, disciplina, hierarquia e eficiência. E os descendentes, em experiência de trabalho no Japão, caracterizam-no como desiguais precários e culturalmente distintos. Assim, é possível afirmar que os dekasseguis se sentem brasileiros no Japão, pela condição de minoria étnica e desigualdade no trabalho, e japoneses no Brasil pelos hábitos e costumes diferentes, fortalecendo o sentimento de desenraizamento.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18256/2237-7956/raimed.v5n3p217-227

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