Gênero e Construcionismo Social: Os Desafios das Mulheres na Tecnologia da Informação

Ananda Silveira Bacelar, Alyce Cardoso Campos, Lauriene Teixeira Santos, Thaísa Barcellos Pinheiro do Nascimento, Daniel Carvalho de Rezende

Resumo


A atuação feminina no mercado de trabalho tem sido limitada por construções sociais. Sob tal perspectiva, o estudo teve como objetivo compreender os desafios enfrentados pelas mulheres na área de Tecnologia da Informação. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa, na qual foram efetuadas dezenove entrevistas, a partir de um roteiro semiestruturado, procedendo com análise de conteúdo. As principais adversidades relatadas foram: falta de representatividade e de reconhecimento das opiniões femininas, dificuldade de interação com os colegas, assédio e preconceito. Ademais, foi identificada uma valorização dos ‘atributos’ considerados naturalmente femininos. O estudo contribui para a compreensão das relações de gênero que se estabelecem em um ambiente laboral masculinizado, bem como as estratégias e resistências demonstradas pelas mulheres para imergir nesse contexto.


Palavras-chave


Carreira; Mulher; Gênero; Trabalho; Tecnologia da Informação.

Texto completo:

PDF

Referências


Amaral, M. A., Emer, M. C. F. P., Bim, S. A., Setti, M. G., & Gonçalves, M. M. (2017). Investigando questões de gênero em um curso da área de Computação. Revista Estudos Feministas, 25(2), 857-874.

Assis, A. R., & Medeiros, P. R. (2016). As mulheres e a área de tecnologia da informação. Revista Fatec Sebrae em Debate, 3(4), 84-105.

Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. São Paulo, Edições 70.

Berger, P. L., & Luckmann, T. (2011). A construção social da realidade. Petrópolis, Vozes.

Borges, A. F., Brito, M. J., Brito, V. G. P., & Enoque, A. G. (2016). Contribuições do diálogo entre o realismo crítico e o construcionismo social para os estudos organizacionais. Cadernos EBAPE.BR, 14(2), 391-405.

Castañon, G. A. (2004). Construcionismo social: uma crítica epistemológica. Temas em Psicologia da SBP, 12(1), 67-81.

Dias, A. F. (2014). Representações sociais de gênero no trabalho docente: sentidos e significados atribuídos ao trabalho e a qualificação. Vitória da Conquista, Edições UESB, HUCITEC.

Eccel, C. S., & Grisci, C. L. I. (2011). Trabalho e gênero: a produção de masculinidades na perspectiva de homens e mulheres. Cadernos EBAPE.BR, 9(1), 57-78.

Fraga, A. M., & Rocha-de-Oliveira, S. (2020). Mobilidades no labirinto: tensionando as fronteiras nas carreiras de mulheres. Cadernos EBAPE.BR, 18, 757-769.

Fraga, A. M., Antunes, E. D. D., & Rocha-de-Oliveira, S. (2020). O/A profissional: as interfaces de gênero, carreira e expatriação na construção de trajetórias de mulheres expatriadas. Brazilian Business Review, 17(2), 193-210.

Fraser, M. T. D., & Gondim, S. M. G. (2004). Da fala do outro ao texto negociado: discussões sobre a entrevista na pesquisa qualitativa. Paidéia, 14(28), 139-152.

Galvane, F. A. de S., Salvaro, G. I. J., & Moraes, A. Z. (2015). Mulheres em cargos profissionais de chefia: o paradoxo da igualdade. Fractal: Revista de Psicologia, 27(3), 301-309.

Gomes, A. F., Lima, J. B., & Cappelle, M. C. A. (2015). Empreendedorismo e gênero: um estudo no interior da Bahia. In Gomes, A. F., & Santana, W. G. P. (Org.), Estudos organizacionais: temas emergentes. Edições UESB, HUCITEC

Gomes, A. F., Teixeira, S. A., & Piau, D. D. (2016). Teorias feministas nas organizações: diálogos e intersecções. In Santos, E. L. (Org.), Teorias administrativas contemporâneas: diálogos e convivência. Edições UESB, HUCITEC.

Hayashi, M. C. P. I., Cabrero, R. de C., Costa, M. P. R., & Hayashi, C. R. M. (2007). Indicadores da participação feminina em Ciência e Tecnologia. Transinformação, 19(2), 169-187.

Heberle, V. M., Salles, H. K., & Macedo, L. B. (2013). O futuro que queremos? Uma análise da representação da mulher no relatório final da RIO+20. Anais do Encontro da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 37.

Hirata, H. (2014). Gênero, classe e raça: interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais. Tempo Social - Revista de sociologia da USP, 26(1), 61-73.

Instituto Nacional de Geografia e Estatística. (2019). Mulher e trabalho: papéis sociais em questão. Retratos: a revista do IBGE, 17, 1-27.

Jonathan, E. G. (2003). Empreendedorismo feminino no setor tecnológico brasileiro: dificuldades e tendências. Anais do Encontro de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas, Brasília, DF, Brasil, 3.

Koc-Michalska, K., Schiffrin, A., Lopez, A., Boulianne, S., & Bimber, B. (2019). From online political posting to mansplaining: the gender gap and social media in political discussion. Social Science Computer Review, 20(10), 1-14.

Liberato, T. F., & Andrade, T. H. N. (2018). Relações de gênero e inovação: atuação de mulheres nos NITs paulistas. Revista Estudos Feministas, 26(2), 1-18.

Maia, M. M. (2016). Limites de gênero e presença feminina nos cursos superiores brasileiros do campo da computação. Cadernos Pagu, (46), 223-244.

Medeiros, C. R. de O., & Borges, J. F. (2014). Abram-se às Mulheres Todas as Portas!: conversas em blogs de mulheres em carreira de TI. Revista Administração em Diálogo, 16(1), 27-54.

Nogueira, C. (2001). Contribuições do construcionismo social a uma nova psicologia do gênero. Cadernos de Pesquisa, 112, 137-153.

Och, M. (2019). Manterrupting in the German Bundestag: gendered opposition to female members of parliament? Politics & Gender, 1-21.

Olinto, G. (2011). A inclusão das mulheres nas carreiras de ciência e tecnologia no Brasil. Inclusão Social, 5(1), 68-77.

Rapkiewicz, C. E. (1998). Informática: domínio masculino? Cadernos Pagu, (10), 169-200.

Resende, K. de S., & Quirino, R. (2017). Feminização do mundo do trabalho? Mulheres em profissões tipicamente masculinas. Anais do Seminário Internacional Fazendo Gênero, Florianópolis, SC, Brasil, 13.

Softex. (2019). Mulheres na TI: atuação da mulher no mercado de trabalho formal brasileiro em Tecnologia da Informação. Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro, 1-21.

Sousa, L. P. D., & Guedes, D. R. (2016). A desigual divisão sexual do trabalho: um olhar sobre a última década. Estudos Avançados, 30(87), 123-139.

Sousa, R. M. B. C., & Melo, M. C. de O. L. (2009). Mulheres na gerência em tecnologia da informação: análise de expressões de empoderamento. Revista de Gestão USP, 16(1), 1-16.

Teixeira, A. C., & Posser, C. V. (2016). Mulheres que aprendem informática: um estudo de gênero na área de TI. Anais do Congresso Brasileiro de Informática na Educação, Uberlândia, MG, Brasil, 5.

Vinuto, J. (2014). A amostragem em bola de neve na pesquisa qualitativa: um debate em aberto. Temáticas, 22(44), 203-220.




DOI: https://doi.org/10.18256/2237-7956.2021.v11i1.4364

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2021 Ananda Silveira Bacelar, Alyce Cardoso Campos, Lauriene Teixeira Santos, Thaísa Barcellos Pinheiro do Nascimento, Daniel Carvalho de Rezende

Revista de Administração IMED (RAIMED)               ISSN: 2237-7956                Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA/IMED)

Faculdade Meridional – IMED Business School – www.imed.edu.br – Rua Senador Pinheiro, 304 – Bairro Vila Rodrigues – 99070-220 – Passo Fundo/RS – Brasil Tel.: +55 51 4004-4818

Licença Creative Commons

Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.