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A Relação entre Extremismo Político, Ilusão de Conhecimento e Crenças Conspiratórias e seus Impactos nos Eleitores de Três Municípios do Rio Grande do Sul

The Relationship between Political Extremism, Illusion of Knowledge and Conspiratory Beliefs and their Impacts on Voters in Three Municipalities in Rio Grande do Sul

George dos Reis Alba(1); Andriele Nahara Muller(2); Cleiton Arnhold(3); Alexandre Kieling(4); Gilmar D’Agostini Oliveira Casalinho(5)

1 Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), Feliz, RS, Brasil.
E-mail: george.alba@hotmail.com

2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil.
E-mail: andriele_nahara@hotmail.com

3 Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), Feliz, RS, Brasil.
E-mail: cleitonrodrigobp@gmail.com

4 Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), Feliz, RS, Brasil.
E-mail: xanditiago@hotmail.com

5 Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), Feliz, RS, Brasil.
E-mail: gilmarcasalinho@gmail.com

Resumo

Habitualmente, as pessoas acreditam saber mais sobre política do que efetivamente dominam. Quando se trata de extremistas, essa autoilusão é ainda maior. Além disso, os extremistas são mais suscetíveis a crenças de que diversos problemas socioeconômicos têm origem em conspirações, dificultando a implementação de estratégias formais de marketing eleitoral e de governo. As crenças conspiratórias podem ter muitas facetas, podem ser herdadas por motivos históricos, incorporadas por grande contato social, contrapontos à ações governamentais, entre outras. Uma survey com amostra probabilística de 381 eleitores contendo questões que mensuraram o nível de extremismo e conhecimento sobre determinadas políticas públicas e a crença em teorias conspiratórias foi aplicada em três cidades gaúchas. Encontrou-se uma relação positiva entre posições mais extremas e o nível autodeclarado de conhecimento sobre diversos temas, além de uma associação positiva entre extremismo e crenças conspiratórias. Uma vez que os extremistas são mais convictos de seus conhecimentos, é possível que as pessoas com opiniões equilibradas sejam, constantemente, influenciadas pelas decisões tomadas por aquele grupo, muitas vezes lastreadas por crenças improváveis.

Palavras-chave: Extremismo político, Crenças conspiratórias, Ilusão de conhecimento

Abstract

People typically know less about politics than they think. When it comes to extremists, this self-illusion is even greater. In addition, extremists are more susceptible to beliefs that various socioeconomic problems stem from conspiracies, making it difficult to implement formal electoral marketing and government strategies. A probabilistic sample survey of 381 voters measuring the level of extremism and knowledge about certain public policies and the belief in conspiracy theories was applied in three cities in Rio Grande do Sul. We found a positive relationship between more extreme positions and the self-declared level of knowledge on various issues, as well as a positive association between extremism and conspiratorial beliefs. Since extremists are more convinced of their knowledge, it is possible that people with balanced opinions are constantly influenced by decisions made by that group, often burdened by improbable beliefs.

Keywords: Politic extremism, Conspiracy beliefs, Illusion of knowledge

1 Introdução

Qualquer debate envolvendo política sofre tensões, uma vez que existem posições divergentes em cena. Além de tentar entender os pormenores dessas divergências, um dos principais objetivos do marketing é tentar conciliar a estratégia de candidatos e, muitas vezes, governos, às expectativas da sociedade, analisando uma série de variáveis que podem impactar esta relação. É comum, por exemplo, que em um ambiente com essas características contrárias, ideologias mais radicais desenvolvam-se. Para Schkade, Sunstein, e Hastie (2010) as pessoas tendem a se envolver em debates políticos com pessoas que compartilham a mesma visão, acarretando no desenvolvimento de uma visão mais extrema. A partir das ideologias radicais surgem instituições que apresentam uma gama de soluções simples para problemas complexos.

Essas ideologias radicais seduzem um grande número de seguidores, que acreditam profundamente em algumas ideias defendidas pelas instituições as quais se vinculam, como partidos ou movimentos políticos. Seja posicionando-se como direita ou esquerda, os extremistas superestimam o seu conhecimento sobre diversos temas (Schkade, Sunstein, & Hastie, 2010). Não é incomum, portanto, pessoas que escolhem de maneira seletiva os argumentos que lhes convêm para defender suas convicções. Para Hardin (2002), as pessoas recebem ou confiam em informações sobre questões políticas, especialmente dos grupos que pertencem ou se identificam, ignorando as outras fontes como as oficiais de campanha ou governo.

Pessoas extremistas tendem a pensar que possuem amplo conhecimento sobre assuntos diversos e, também, utilizam crenças conspiratórias para justificar sua visão. Segundo Schickel (2005), a linha de pensamento extremista não é muito difícil. Simplesmente toma-se uma posição que tende a permanecer constante sem muito esforço cognitivo associado. Esta definição de extremismo indica a postura e linha de pensamento de pessoas radicais, e sua opinião não é influenciada por informações recebidas de quem se opõe, dificultando, muitas vezes as estratégias de marketing. Além disso, Fernbach, Rogers, Fox e Sloman (2013) defendem que as pessoas tipicamente sabem menos sobre a política do que pensam saber, demonstrando ter a ilusão de que seu argumento explica da melhor forma possível o tema em questão.

Fernbach, Rogers, Fox e Sloman (2013) demonstraram que quando são levados a explicar sua compreensão a respeito de suas convicções, os extremistas enfraquecem a ilusão e moderam suas atitudes. Essas mudanças não acontecem, porém, quando as pessoas apenas enumeram as razões de suas preferências políticas. Neste caso, a maioria prefere manter sua polarização em vez de aprofundar os conhecimentos. Rozenblit e Keil (2002) mostram que as pessoas tendem a acreditar mais em fatos comuns do cotidiano em vez de compreender e analisar dados mais complexos. Quando são confrontadas a explicar suas posições, o senso de compreensão fica abalado, isso porque a complexidade dos modelos causais fica evidente. De acordo com os autores, o extremismo aliena e as pessoas alienadas tendem a não ser receptivas para novas informações ou mudanças. Portanto, tem-se como hipótese central neste trabalho que os extremistas são mais convictos além de possuírem explicações e soluções simples para determinados problemas complexos.

Assim, este artigo tem por objetivo analisar a relação entre extremismo político, ilusão de conhecimento e crenças conspiratórias dos eleitores de três cidades do interior do Rio Grande do Sul (Bom Princípio, Feliz e São Sebastião do Caí), a fim de fornecer subsídios para uma análise entre estas variáveis e futuras estratégias de marketing perante a sociedade. Ademais, busca-se contribuir para a discussão sobre as consequências do extremismo em tópicos relevantes e que influenciam diretamente o julgamento e a decisão do eleitor. Não obstante, a pesquisa avança no sentido de explicar o extremismo a partir de algumas características demográficas. Outro ponto importante da pesquisa é que o extremismo não foi mensurado a partir de ideologias concretas e enviesadas para alguma vertente política e, sim, a partir de aspectos relevantes em que julgamentos radicais para qualquer lado provocam grande tensão no debate político. Outrossim, a pesquisa utilizou uma amostra probabilística, o que permite generalizações mais contundentes sobre a população de eleitores em que foi aplicada.

O desenvolvimento desse trabalho motivou-se por uma onda de posicionamentos radicais que se tornaram mais visíveis a partir da crise política no Brasil, desde as eleições presidenciais de 2014, tanto nas mídias tradicionais como nas alternativas. Neste artigo, pouco importa a racionalidade de cada um dos lados, mas as consequências que o posicionamento extremista provoca na razão, reduzindo o debate político para convicções inflexíveis e explicações pouco razoáveis. A associação entre extremismo, ilusão de conhecimento e as crenças em teorias conspiratórias tem levado muitas pessoas a defenderem acontecimentos e ideias não comprovadas, fazendo com que estrategistas de campanha ou governo tenham que rever suas ações e adaptá-las à estas situações.

Na sequência deste trabalho, abordam-se questões sobre extremismo político, ilusões do conhecimento e crenças conspiratórias, aspectos teóricos importantes para a discussão apresentada.

2 Extremismo Político

De acordo com Van Prooijen, Krouwel e Pollet (2015), as ideologias políticas extremas foram responsáveis pela grande maioria das tragédias humanas do século passado, sendo de esquerda (comunismo) e de direita (fascismo). No ambiente democrático, porém, é desejável que se tenha posicionamentos políticos de esquerda e de direita, mesmo que extremos. Downs (1957) defende que se os eleitores forem plenamente informados e votarem suas preferências, que podem ser representadas em uma escala da esquerda para a direita, as duas plataformas deverão alcançar um equilíbrio. As plataformas de ambos os candidatos estarão de acordo com a preferência do “eleitor mediano”: onde metade da posição preferida dos eleitores éà esquerda”, e a outra metade éà direita”. Para Akerlof e Shiller (2015), esse equilíbrio ocorre pela mesma razão que as filas dos supermercados se igualam em tamanho. Numa disputa democrática, o equilíbrio ocorrerá, porque se um dos dois candidatos não escolher essa plataforma, o outro candidato poderá ganhar fazendo isso.

Entretanto, é importante avaliar associações da visão política extrema e outros comportamentos desviantes. Greenberg e Jonas (2003) apontam que a política extremista está associada ao pensamento “preto e branco”, no qual os estímulos sociais são classificados como “bons ou maus”, “positivos ou negativos”. Em pesquisas realizadas nos Estados Unidos e na Holanda (Fernbach, Rogers, Fox, & Sloman, 2013; Van Prooijen, Krouwel, & Pollet, 2015), identificou-se que pessoas com posições políticas extremas (esquerda e direita), baseiam-se em confiança e entendimento não justificado. As correntes políticas consideradas relativamente extremas nas democracias modernas como, por exemplo, o populismo, podem ser comparadas ao fascismo ou ao comunismo do século XX (Van Prooijen, Krouwel, & Pollet, 2015). Os extremistas políticos tendem a confiar particularmente em suas crenças políticas, contudo, nas sociedades ocidentais modernas, essas crenças parecem mais associadas às ideias do que instituições (Toner, Leary, Asher, & Jongman-Sereno, 2013). Além disso, registros históricos sugerem que as tragédias causadas pelo extremismo político, tendem a ser julgadas por grupos de opiniões contrárias, como reflexo de crenças em teorias de conspiração.

Para Hardin (2002), as políticas extremistas têm uma “epistemologia falha”, na qual recebem ou confiam em informações vindas principalmente de seus grupos e conhecidos, ignorando outras fontes. Esta teoria falha é refletida nas tendências políticas extremistas a fim de assegurar suas ideologias de uma maneira ortodoxa e rígida, vislumbrando suas políticas de forma simples, sendo a melhor solução para os problemas sociais (Fernbach, Rogers, Fox, & Sloman, 2013; Tetlock, Armor, & Peterson, 1994).

Para Canetti e Lindner (2015) e Canetti-Nisim et al. (2009) que estudaram os efeitos da violência no conflito palestino israelense, com enfoque psicológico, através de entrevistas, mostram que o estresse associado à exposição prolongada à ameaça de violência leva ao radicalismo político. Em estudos de Grosjean (2014), sobre o legado de guerras civis em 35 países da Europa e Ásia Central, a autora encontrou uma associação entre a guerra civil e a erosão da confiança social e política.

Miguel et al. (2011) constataram que jogadores de futebol de países recentemente expostos a guerras civis se comportam de forma mais violenta (medição realizada através dos cartões amarelos e vermelhos recebidos pelos jogadores durante as partidas), o que torna este um assunto relevante para a sociedade uma vez que aspectos políticos refletem nas ações cotidianas das pessoas.

2.1 Ilusão do conhecimento em política

Mais informação tende a aumentar a confiança em julgamentos mesmo quando a precisão dos julgamentos não é afetada (Heath & Tversky, 1991). Porém, a fonte dessa confiança muitas vezes não está relacionada com informações precisas ou confiáveis. Rozenblit e Keil (2002) demonstraram que as pessoas tendem a subestimar a forma que elas entendem os acontecimentos e os objetos do cotidiano. Para Fernbach, Rogers, Fox e Sloman (2013), quando as pessoas são questionadas a explicarem políticas em detalhes, acabam fortalecendo a ilusão do conhecimento, mesmo que estes efeitos tenham ocorrido quando as mesmas foram questionadas a gerar uma explicação já conhecida.

Muitos dos problemas mais relevantes enfrentados pela humanidade atualmente, tais como catástrofes climáticas, desigualdades sociais, entre outros, exigem soluções políticas bastante complexas e aprofundadas. Segundo Fernbach, Rogers, Fox e Sloman (2013), as pessoas acabam descomplexificando essas políticas e, através disso, pensam saber quais delas trariam os melhores resultados para todos, quando na verdade continuam bastante desinformadas sobre quais das políticas realmente serão as mais efetivas e eficazes.

Sloman e Fernbach (2017) sugerem que a opinião pública é mais extrema do que o entendimento das pessoas justificaria. Por exemplo, os americanos que apoiaram fortemente os militares para a intervenção na Ucrânia em 2014 foram também os menos capazes de identificar a localização da Ucrânia em um mapa (Dropp, Kertzer, & Zeitzoff, 2014). Ainda, conforme Fernbach, Rogers, Fox e Sloman (2013), as pessoas geralmente mantêm atitudes extremas sobre políticas complexas, mesmo quando desconhecem. Como ilustração pode-se citar o conflito israelo-palestino, o qual maioria das pessoas tem um lado, mesmo admitindo que a situação é indesejável para ambos. Hall, Ariss e Todorow (2007) sugerem que alguns fatores como a confiança nas decisões e crenças explícitas podem amplificar a ilusão de conhecimento.

Além disso, Fernbach, Rogers, Fox e Sloman (2013), ainda afirmam que, quando as pessoas são questionadas a explicarem políticas em detalhes, acabam fortalecendo a ilusão do conhecimento, mesmo que estes efeitos tenham ocorrido quando as mesmas foram questionadas a gerar uma explicação já conhecida. Assim, ao gerar explicações já conhecidas, reduz-se as contribuições de argumentação política, o que instigam muitas dúvidas em relação ao que as pessoas entendem sobre os processos políticos.

Segundo Halll, Ariss e Todorow (2007), a experiência também pode amplificar a ilusão de conhecimento. Os autores citam que vários acidentes, podendo ser de trabalho ou de trânsito, não ocorrem com as pessoas com pouca experiência e, sim, com pessoas que tem uma ilusão de que já conhecem todo o processo, tornando-se negligentes e menos cuidadosas.

2.2 Crenças conspiratórias

Para Dagnall et al. (2015) o estudo sobre as teorias conspiratórias é muito importante, pois as mesmas, persistem na população em geral, e são frequentemente endossadas e podem influenciar percepções de eventos significativos do mundo real contemporâneo e histórico. Tais tramas, não produzem necessariamente paranoia ou resistência à argumentos racionais. Na verdade, a mentalidade de conspiração manifesta-se como um desejo de buscar explicações para problemas, na maioria das vezes complexos.

Van Prooijen, Krouwel e Pollet (2015) propõem que a crença nas teorias de conspiração está fundamentalmente relacionada com “processos de fazer sentido”. As crenças conspiratórias tentam alcançar um objetivo oculto, o qual pode ser visto como ilegal ou até mesmo maldoso. Tais conspirações estão, tipicamente, presentes em grupos opostos da sociedade, como os poderosos ou os marginalizados. Atualmente, as pessoas são expostas com certa frequência a eventos que inferem no bem estar comum, como crises (econômica, social e política), guerras, atentados terroristas, ações governamentais, entre outras. Muitas pessoas enxergam estes eventos com uma visão cética, gerando assim teorias e crenças de conspiração. Segundo Zonis e Joseph (1994), as conspirações podem ser definidas como ações de um grupo de pessoas que se reúnem por um mesmo objetivo e que, secretamente, buscam interesses em comum por vias ilegais e malévolas.

As crenças em conspirações normalmente são direcionadas a um grupo de pessoas que teria o poder e interesse em comum. Estes, geralmente, pertencem a legítimos detentores de poder ou instituições na sociedade (Robins & Post, 1997). Crenças conspiratórias fornecem um quadro mental que confirma e facilita outras ideias conspiratórias. As pessoas transformam ideias em teorias, com um diagnóstico incerto de crenças. Embora estas teorias conspiratórias possam diferir substancialmente em conteúdo, elas estão interligadas por processos psicológicos implícitos.

Para Van Prooijen, Krouwel e Pollet (2015), os processos psicológicos implícitos são caracterizados por dar sentido e lidar com acontecimentos sociais. Hofstadter (1996) sugere que as crenças conspiratórias são destinadas a fornecer explicações causais complexas. Esses autores apontam que intervenções destinadas a “dar sentido” às coisas, têm o potencial de aumentar as crenças conspiratórias.

Uma das principais características das teorias de conspiração é que elas fornecem explicações causais de fácil compreensão para eventos sociais difíceis. Para Hofstadter (1966), a ideia conspiradora está fixada em uma tendência geral para explicar e racionalizar fenômenos complexos do mundo real em um conjunto coerente de pressupostos sobre a existência de um inimigo poderoso e malvado. Em muitos casos, as crenças de conspiração não são simples de serem ignoradas, mesmo que evidências contrárias são fornecidas por especialistas, já que os especialistas são naturalmente percebidos como responsáveis por parte da conspiração (Sharp, 2008).

Estudos anteriores (Bird & Bogart, 2003; Thorburn & Bogart, 2005) mostraram que a crença em ideias conspiratórias está correlacionada com a anomia, baixos níveis de confiança interpessoal, sentimentos de alienação social e política e percepções de desvantagem. Para um melhor entendimento, muitos afro-americanos acreditavam que o controle de natalidade era uma política direcionada a controlar apenas o tamanho da população negra nos Estados Unidos, o que foi identificada como uma barreira importante à prevenção da gravidez.

A popularidade das teorias de conspiração aumentou com a internet, principalmente pela facilidade de replicar informações (McHoskey, 1995) e pelo grande número de teorias que tentam explicar acontecimentos importantes da nossa sociedade. Muitas pessoas acreditam que os militares dos Estados Unidos conspiraram para manter o público desinformado sobre as visitas de alienígenas (Shermer, 1997) e, para muitos, os ataques terroristas de 11 de setembro foram realizados pelo próprio governo norte-americano, assim com a guerra no Iraque que teria sido o resultado de um lobby das poderosas companhias de petróleo ocidentais (Douglas & Sutton, 2011).

Em uma pesquisa britânica em âmbito nacional, realizada um pouco antes do lançamento no Reino Unido do filme Código Da Vinci, em 2005, 32% dos leitores acreditaram que o Priorado de Sião era uma organização real, em comparação aos 6% dos não leitores (Ivereigh, 2006), o que corrobora com a afirmação de que as pessoas mais inseguras ou expostas à muitos detalhes das crenças conspiratórias, tendem a aceitar e até mesmo acreditar nas explicações, gerando um aumento de crédito aos fatos contidos na conspiração (Newheiser, Farias, & Tausch, 2011).

3 Procedimentos Metodológicos

Uma pesquisa do tipo descritiva e natureza quantitativa foi aplicada com 381 eleitores. O estudo foi conduzido presencialmente em três cidades gaúchas (Bom Princípio, Feliz e São Sebastião do Caí) por meio de uma survey. O instrumento de coleta consistia em perguntas demográficas como idade, gênero e escolaridade, assim como itens que mensurassem o extremismo político, a ilusão de conhecimento e as crenças conspiratórias. Nas três cidades, existem cerca de 40 mil eleitores e o cálculo amostral delimitou 381 coletas a fim de obter um nível de confiança de 95% e erro amostral de 5% para a aplicação da pesquisa.

A amostragem é aleatória simples, onde todos os residentes das cidades tinham a mesma chance de serem sorteados para participar da pesquisa. O arcabouço amostral consistiu nos lotes urbanos residenciais disponibilizados pelas prefeituras municipais das três cidades. Dez estudantes voluntários de graduação realizaram a coleta e utilizaram os seguintes critérios para a validação dos indivíduos participantes da pesquisa: eleitor ativo de uma das três cidades mencionadas e residente daquele lote sorteado.

Os pesquisadores visitaram as casas dos eleitores e convidaram para participar da pesquisa. Caso não houvesse eleitor apto para responder a pesquisa ou não houvesse ninguém presente, uma nova residência era sorteada. Após aceitarem participar da pesquisa, os eleitores responderam as questões demográficas seguidas das questões referentes às suas opiniões com relação ao posicionamento levando-se em consideração seis medidas políticas, ancoradas em 1 (extremamente contra) e 7 (extremamente a favor). Depois, os eleitores quantificaram seu nível de conhecimento com relação às medidas políticas em questões que variavam de 1 (vago conhecimento) a 7 (profundo conhecimento).

Essa fase seguiu os procedimentos recomendados por Fernbach, Rogers, Fox e Sloman (2013), onde foram elaboradas medidas relevantes a políticas públicas brasileiras, buscando um domínio amplo, onde cada item avalia uma agenda política não necessariamente convergente. Uma das limitações dessa modalidade de escala é que o seu desenho não permite acessar a confiabilidade estatística, porém otimiza-se a validade de conteúdo (Gosling et al., 2003; Kline, 2000; Wood & Hampson, 2005). Foram elaborados dez diferentes políticas a serem avaliadas em termo de posicionamento político e conhecimento. Posteriormente, as dez políticas foram avaliadas por três pesquisadores com experiência em políticas públicas e quatro itens foram removidos. Os itens que permaneceram na escala foram os seguintes: a) redução da maioridade penal; b) privatização das empresas estatais; c) implementação de um imposto único nacional sobre a comercialização de mercadoria; d) imigração de estrangeiros de países em vulnerabilidade política, social e econômica; e) legalização do aborto; f) legalização dos jogos de azar.

Depois disso, os eleitores responderam questões referentes a origem da crise financeira, com foco em conspirações. As afirmativas foram adaptadas do trabalho de Van Prooijen, Krouwel e Pollet (2015). As questões utilizadas foram as seguintes: a) a crise financeira é um resultado de interesses pessoais entre construtoras e políticos corruptos; b) a crise é causada somente pelo roubo do dinheiro público pelos grandes políticos; c) somente um ou outro partido político é responsável pela crise; d) a crise financeira foi causada de forma proposital; e) um grupo de indivíduos poderosos tem interesse na crise financeira; f) a crise financeira serve principalmente para aumentar a riqueza de um número limitado de indivíduos. Por fim, os eleitores definiram a sua classificação de visão política a partir das seguintes âncoras em uma escala de 7 pontos: extrema esquerda, moderada (ponto central) e extrema direita, conforme Van Prooijen, Krouwel e Pollet (2015).

Dado que a lente do trabalho está no posicionamento político e não na popularidade das políticas avaliadas, os índices de extremismo foram calculados a partir da subtração da resposta do participante de cada pergunta ao ponto médio da escala (4), utilizando-se o valor absoluto. A soma desses valores produziu um escore de extremismo entre 0 e 18. Dessa forma, ignora-se a concordância ou discordância com as proposições e utiliza-se apenas a intensidade da atitude dos participantes, que varia em três níveis, ao invés dos sete pontos da escala. Por sua vez, a variação dos índices de ilusão de conhecimento e crenças conspiratórias é representada nos sete pontos da escala. Dessa forma, utiliza-se a soma dos valores das respostas dos seis itens, produzindo um escore que varia de 6 a 42.

4 Resultados e Discussões

Quanto à caracterização da amostra, esta foi formada por 204 mulheres e 177 homens, com idade média de 39 anos. O índice médio de extremismo foi 11,1, enquanto o de ilusão de conhecimento foi 24,7 e o de crenças conspiratórias foi de 25,3. Com relação a escolaridade: 14% da amostra tem ensino fundamental incompleto; 20% tem ensino fundamental completo; 50% tem ensino médio completo; 16% tem ensino superior completo. Realizou-se uma análise de regressão hierárquica, testando um efeito linear na primeira fase e um efeito quadrático na segunda fase para determinar a associação entre a visão política declarada dos participantes e seus índices de extremismo. A primeira fase revelou uma associação linear entre a classificação política e os índices de extremismo político (β = 0,15, p = 0,004), sugerindo um extremismo mais acentuado para os eleitores de direita. Já a segunda fase revelou uma associação quadrática entre as variáveis (β = 0,54, p = 0,001) e tornando a associação linear não significante (β = -0,38, p = 0,07). Essas análises indicam que as pessoas que se auto classificam como extremistas têm também atitudes mais extremistas com relação a diferentes políticas públicas do que pessoas moderadas. E, embora, exista uma tendência dos extremistas de direita terem maiores índices de extremismo, essa relação é melhor explicada por uma curva, do que por uma reta.

As características amostrais influenciaram significativamente no nível de extremismo. Os homens (M=11,55) tendem a ser mais extremistas que as mulheres (M=10,66, t(379) = 2,39, p < 0,01). Além disso, as pessoas com maior escolaridade tendem a ser menos extremistas (F(1,379) = 4,19; p < 0,05), sendo que os que pararam os estudos ou apenas finalizaram o ensino fundamental têm um índice de extremismo de 11,8, enquanto os que estão cursando ou já concluíram o ensino superior têm um índice de 10,8. A Figura 1 evidencia uma associação positiva entre a variável idade e os níveis de extremismo político F(1,379) = 10,96; p<0,001), onde a variação de idade explica aproximadamente 3% da variação no índice de extremismo.

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Figura 1. Relação do Extremismo Político com a Idade dos participantes

Conduziu-se uma análise de variância multivariada (MANOVA) para acessar o impacto do extremismo político na ilusão de conhecimento e nas crenças conspiratórias. O efeito multivariado do extremismo político foi significante (F(34,722) = 2,08; p<0,001). Regressões lineares indicaram associações positivas entre as variáveis extremismo e ilusão de conhecimento (Figura 2) e entre o extremismo político e as crenças conspiratórias (Figura 3). Os índices de ilusão de conhecimento crescem em função do nível de extremismo das pessoas (F(1,379) = 21,73; p<0,001), sendo que a variação do extremismo explica aproximadamente 5% da variação da ilusão de conhecimento. O nível de crenças em conspirações cresce em função do nível de extremismo político (F(1,379) = 13,20; p<0,001), e a variação do extremismo explica aproximadamente 3% da variância dos índices de crenças conspiratórias.

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Figura 2. Relação da Ilusão de Conhecimento com o Extremismo Político dos participantes

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Figura 3. Relação das Crenças Conspiratórias com o Extremismo Político dos participantes

Análises de agrupamento (Clusters K-means) foram feitas para identificar os padrões das três variáveis atitudinais de interesse da pesquisa. Os resultados das análises de variância para os três clusters gerados são apresentados na Tabela 1, mostrando as diferenças entre os níveis de extremismo político, ilusão de conhecimento e crenças conspiratórias para os três grupos. As estatísticas descritivas da análise são apresentadas na Tabela 2, exibindo o número de casos, sexo, idade média e nível de escolaridade de cada grupo.

Tabela 1. Índices de padrão dos Clusters

Cluster 1

Cluster 2

Cluster 3

gl

QM (efeito)

QM (erro)

F

p

Extremismo Político

9,44

11,41

12,49

2,377

310,19

11,61

26,71

< 0,001

Ilusão de Conhecimento

21,32

21,24

31,29

2,377

4181,35

18,31

228,35

< 0,001

Crenças Conspiratórias

19,05

31,56

25,77

2,377

5020,19

23,44

214,13

< 0,001

Tabela 2. Características dos Clusters

Cluster 1

Cluster 2

Cluster 3

Número de Casos

133 (35%)

123 (32 %)

124 (33%)

Sexo

42% homens

51% homens

47% homens

Idade

34

40

43

Fundamental Incompleto

12%

22%

8%

Fundamental Completo

13%

32%

19%

Médio Completo

58%

41%

48%

Superior Completo

17%

5%

26%

5 Conclusões

O nível geral de extremismo encontrado nas três cidades avaliadas foi considerado alto, indicando que os eleitores têm posicionamentos médios no penúltimo ponto da escala que avalia o extremismo, o que pode ser considerado preocupante de acordo com Van Prooijen, Krouwel e Pollet (2015), uma vez que dificulta a implementação de programas de marketing em detrimento de ações não sistemáticas como as advindas de conspirações e boatos. Neste aspecto, em geral, os homens, os mais velhos e os com menor nível de instrução formal são aqueles com maiores níveis de extremismo político. Porém, é natural que as pessoas mais velhas e com menos acesso a informações tenham maiores níveis de extremismo, uma vez que essas pessoas tendem a ser mais fechadas e rígidas, traço comum dos extremistas (Fernbach, Rogers, Fox, & Sloman, 2013; Tetlock, Armor, & Peterson, 1994).

Além disso, os mais extremistas acreditam ter maior conhecimento sobre diversos temas e que diversos problemas socioeconômicos são fruto de conspirações. Seja de extrema esquerda ou extrema direita, como mencionado por Van Prooijen, Krouwel e Pollet (2015) e demonstrado nos resultados dessa pesquisa, os extremistas compartilham das mesmas falácias. Devido a uma epistemologia deficitária, os extremos aderem ao seu sistema de crença de forma rígida, levando-os a inflar o seu real conhecimento sobre os fenômenos e a perceber suas ideias políticas como a solução simples e única para os problemas sociais. O extremismo político está fortemente presente nas três cidades em que foi realizada a pesquisa e é uma ameaça para o avanço no debate sobre o entendimento e a solução de problemas da sociedade.

Conforme hipotetizado, os extremistas mostraram-se mais convictos além de possuírem explicações e soluções simples para determinados problemas complexos. Isso vai completamente ao encontro dos resultados da pesquisa de Fernbach, Rogers, Fox e Sloman (2013) demonstrando que quando são levados a explicar sua compreensão a respeito de suas convicções, os extremistas enfraquecem a ilusão e moderam suas atitudes.

Outro achado importante da pesquisa corrobora a visão de Rozenblit e Keil (2002), evidenciando que as pessoas tendem a acreditar mais em fatos comuns do cotidiano em vez de compreender e analisar dados mais complexos. Isto ocorre, principalmente, quando a complexidade dos modelos causais torna-se recorrente, sobretudo se analisada em relação à população com menor grau de instrução formal.

Por fim, para Kardon (1992) muitos extremistas podem ser consumidores esquizofrênicos e muitas vezes tomam decisões baseadas em motivações contraditórias e antagônicas. Devido os vieses do extremista, que correspondem a uma grande fatia de eleitores, o marketing político não pode buscar compreender e segmenta-los apenas demograficamente. Uma vez que o marketing esteja atento aos extremistas, que muitas vezes têm posições rígidas e possivelmente contraditórias, é possível direcionar esforços que reduzam os impactos da epistemologia falha desses indivíduos.

Referências

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Bird, S. T., & Bogart, L. M. (2003). Conspiracy beliefs about HIV/AIDS and birth control among African Americans: Implications for the prevention of HIV, other STIs, and unintended pregnancy. Journal of Social Issues, 61, 109–126.

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Revista de Administração IMED, Passo Fundo, vol. 8, n. 2, p. 23-38, Jul.-Dez., 2018 - ISSN 2237-7956

[Recebido: Março 20, 2018; Aprovado: Setembro 05, 2018]

DOI: https://doi.org/10.18256/2237-7956.2018.v8i2.2534

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