As Dimensões da Capacidade de Gestão de Stakeholders em Instituições sem Fins Lucrativos: Um Ensaio Teórico

Vivian Anese, Carlos Costa, Carlos Ricardo Rossetto

Resumo


A forma como as organizações interagem com seus stakeholders na rotina cotidiana denota sua capacidade de gestão, especialmente levando-se em conta sua habilidade de lidar com as pressões de incerteza e escassez em seu ambiente, bem como de superar conflitos e fortalecer relações eficientes e eficazes mediante as ferramentas de que dispõem. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo verificar se as dimensões da capacidade de gestão de stakeholders (comunicação e negociação, marketing, proatividade, formulação estratégica, recursos e stakeholder-serving), propostas por Freeman (1984) e Freeman, Harrison e Wicks (2007), para as organizações com fins lucrativos, se aplicam em organizações sem fins lucrativos. O estudo foi realizado por meio de ensaio teórico, de natureza reflexiva e interpretativa, buscando aprofundar a temática com base em articulações teóricas. Os resultados permitem verificar que as relações entre stakeholders nas duas espécies de organizações são similares, sendo possível inferir que as dimensões da capacidade de gestão propostas por Freeman e seus colaboradores, para organizações com fins lucrativos, sejam também aplicáveis às organizações sem fins lucrativos. 


Palavras-chave


Terceiro setor. Teoria dos stakeholders. Organizações sem fins lucrativos. ONGS.

Texto completo:

PDF HTML

Referências


Agle, B. R., Doanldson, T., Freeman, E., Jensen, M., Mitchell, R. K., & Wood, D. J. (2008). Dialogue: toward superior stakeholder theory. Business Ethics Quarterly, 18,153-190.

Arshad, R., Razali, W. A. A.W. M., & Bakar, N. A. (2015). Catch the warning signals: the fight against fraud and abuse in nonprofit organisations. Procedia Economics and Finance, 28,114-120.

Attouni, M. A. K., & Mustaffa, C. S. (2014). How do nonprofit organizations in Libya adopt and use social media to communicate with the society. Procedia social and Behavioral Sciences, 155, 92-97.

Bilodeau, M., & Steinberg, R. (2006). Donative nonprofit organizations. In S. C. Kolm & J. M. Ythier (Eds.). Handbook of the economics of giving, altruism and reciprocity (vol. 4, chap.19, 1272-1307). Indianopolis: Elsevier.

Bowen, S. A. (2013). Using classic social media cases to distill ethical guidelines for digital engagement. Journal of Mass Media Ethics, 28(2), 119-133.

Callen, J. L., Klein, A., & Tinkelman, D. (2010). The contextual impact of nonprofit board composition and structure on organizational performance: agency and resource dependence perspectives. Voluntas: International Journal of Voluntary and Nonprofit Organizations, 21(1), 101-125.

Carneiro, A.F., Oliveira, D. L., & Torres, L.C. (2011). Accountability e prestação de contas das organizações do terceiro setor: uma abordagem à relevância da contabilidade. Sociedade, Contabilidade e Gestão, 6(2), 90-105.

Chad, P., Kyriazis, E., & Motion, J. (2014). Bringing marketing into nonprofit organizations: a managerial nightmare. Australasian Marketing Journal, 22, 342-349.

Chaves, E. C. J., Oikawa, R., Galegale, N. V., & Azevedo, M. M. (2013). Avaliação da gestão de stakeholders em implantações de projetos de sistemas em serviços. In VIII Whorkshop de Pós-Graduação e Pesquisa do Centro Paula Souza. São Paulo, SP.

Clauss, T., & Kesting, T. (2017). How businesses should govern knowledge – intensive collaborations with univesities: an empirical investigation of university professors. Industrial Marketing Management, 62,185-198.

Curtis, L., Edwards, C., Fraser, K. L., Gudelsky, S., Holmquist, J., Thornton, K., & Sweetser, K. D. (2010). Adoption of social media for public relations by nonprofit organizations. Public Relations Review, 36, 90-92.

Doh, J. P., & Quigley, N. R. (2014). Responsible leadership and stakeholder management: influence pathways and organizational outcomes. The academy of Management Perspectives, 28(3), 255-274.

Donaldson, T., & Preston, L. E. (1995). The stakeholder theory of the corporation: concepts, evidence, and implications. Academy of Management Review, 20(1), 65-91.

Eiró-Gomes, M., & Duarte, J. (2005). Que públicos para as relações públicas? Actas dos III SOPCOM, VI LUSOCOM e II IBÉRICO, VOLUME II, Comissão Editorial da Universidade de Beira Interior, Covilhã, Portugal, 453-461

Eskerod, P., & Larsen, T. (2018). Advancing project stakeholder analysis by the concept ‘shadows of the context’. International Journal of Project Management, 36, 161-169.

Enríquez-De-Salamanca, A. (2018). Stakeholders’ manipulation of environmental impact assessment. Environmental Impact Assessment Review, 68, 10-18.

Freeman, R. E. (1984). Strategic management: a stakeholder approach. Boston: Pitman.

Freeman, R. E., Harrison, J. S., & Wicks, A. (2007). Managing for stakeholder: survival, reputation, and sucess. Yale University Press. London.

Freeman, R. E., Harrison, J. S., Wicks, A. C., Parmar, B., & Colle, S. (2010). Stakeholder theory: the state of the art. New York: Cambridge University Press.

Froelich, K. A. (1999). Diversification of revenues strategies: evolving resource in nonprofit organizations. Nonprofit and Voluntary Sector Quarterly, 28(3), 246-268.

Frooman, J. Stakeholders influence strategies. (1999). Academy Of Management Review, 24(2), 191-205.

Gayle, P. G., Harrison, T. D., & Thornton, J. (2017). Entry, donor Market size, and competitive conduct among nonprofit firms. International Journal of Industrial Organization, 50, 294-318.

Garriga, E. (2014). Beyond stakeholder utility, function: stakeholder capability in the value creation process. Journal of Business Ethics, 120(4), 489-507.

Grinstein, A. (2008). The relationships between market orientation and alternative strategic orientations. European Journal of Marketing, 42, 115–134.

Gobo, R.V., & Cadoná, C. (2011). Ferramenta de alocação de recursos humanos em projetos. Canoas – RS: Curso de Ciência da Computação da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA).

Gooyert, V., Rouwette, E., Kranenburg, H. V., & Freeman, E. (2017). Reviewing the role of stakeholders in Operational Research: a stakeholder theory perspective. European Journal of Operational Research 262(2), 402-410.

Hillman, A. J., Withers, M. C., & Collins, B. J. (2009). Resource dependence theory: a review. Journal of Management, 35(6), 1404-1427.

Lefroy, K., & Tsarenko, Y. (2014). Dependence and effectiveness in the nonprofit-corporate alliance: the mediating effect of objectives achievement. Journal of Business Research, 67, 1959-1966.

Lewis, L. K. (1999). Disseminating information and soliciting input during planned organisational change: implementers’ targets, sources, and channels for communicating. Management Communication Quarterly, 13(1), 43-75.

Liao, K., & Huang, I. (2016). Impact of vision, strategy, and human resource on nonprofit organization service performance. Procedia Social and Behavioral Sciences, 224, 20-27.

Lima, M. A. S., Ramos, N. R. G., & Castello, R. N. (2012). Organizações do terceiro setor e a teoria da dependência de recursos: um estudo de Benevides, na Amazônia brasileira, e Ilha de Santiago, em Cabo Verde, na África. In Congresso Transformare, Paris, 1-13.

Lucena, M. D. S. (2004). Planejamento estratégico e gestão do desempenho por resultados. São Paulo: Atlas.

Lyra, M. G., Gomes, R. C., & Jacovine, L. A. G. (2009). O papel dos stakeholders na sustentabilidade da empresa: contribuições para construção de um modelo de análise. Revista de Administração Contemporânea, 13, 39-52.

Macedo, I. M., & Pinho, J. C. (2006). The relationship between resource dependence and market orientation: the specific case of non-profit organizations. European Journal of Marketing, 40(5), 533-553.

Mascena, K. M. C., Fischmann, A. A., & Boaventura, J. M. G. (2018). Priorização de stakeholders em empresas que divulgam relatórios GRI no Brasil. Brazilian Business Review, 15(1), 17-32.

Melo, T. G. (2011). Insalubridade no teleatendimento e telemarketing (Monografia). Faculdade de Direito, Universidade de Presidente Antonio Carlos (UNIPAC), Barbacena.

Meneghetti, S. B. (2001). Comunicação e marketing: fazendo a diferença no dia a dia das organizações da sociedade civil. São Paulo: Global.

Mitchel, R.K., Agle, B. R., & Wood, D. J. (1997). Toward a theory of stakeholder identification and salience: defining the principle of who and what really counts. Academy of Management Review, 22(4), 856-886.

Mitchell, R.K., Agle, B. R., Chrisman, J. J., & Spense, L. J. (2011). Toward a theory of stakeholder salience in family firms. Business Ethics Quarterly, 21(2), 235–255.

Moggi, S., Filippi, V., Leardini, C., & Rossi, G. (2016). Accountability for a place in heaven: a stakeholders´portrait in Verona´s confraternities. Accounting History, 21(2/3), 236-262.

Ofek, Y. (2017). Evaluating social exclusion interventions in university - community partnerships. Evaluation and Program Planning, 60, 46-55.

Parmar, B. L., Freeman, R. E., Harrison, J. S., Wicks, A. C., Purnell, L., & Colle, S. (2010). Stakeholder theory: the state of the art. Academy of Management Annals, 4(1), 403-445.

Patel, S. J., & Mckeever, B. (2014). Health nonprofits online: the use of frames and frames and stewardship strategies to increase stakeholders involvement. International Journal of Nonprofit and Voluntary Sector Marketing, 19(4), 224-238.

Pavão, Y. M. P. (2012). A capacidade de gestão dos stakeholders e o ambiente organizacional: relações e impacto no desempenho de cooperativas do Brasil (Tese de Doutorado). Faculdade de Administração, Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Biguaçu, SC.

Pavão, Y. M. P., & Rossetto, C. R. (2015). Stakeholder management capability and performance in Brazilian cooperatives. Review of Business Management, 17(55), 870-889.

Pfeffer, J., & Salancik, G. R. (1978). The external control of organizations: a resource dependence perspective. New York: Harper and Row.

Pfeffer, J., & Salancik, G. R. (2003). The external control of organizations. A resource dependence perspective. New York: Harper and Row.

Pless, N., Maak, T., & Waldman, D. A. (2012). Different approaches toward doing the right thing: Mapping the responsibility orientations of leaders. Academy of Management Perspectives, 26(4), 51-65.

Porumbescu, G., & Im, T. (2015). Using transparency to reinforce responsibility and responsiveness. In J. Perry & R. Christensen, The handbook of public administration (3th ed., pp. 120–36). San Francisco, CA: Wiley.

Rezende, A. A., & Oliveira, L. H. (2016). Gestão de organizações sem fins lucrativos: terceiro setor. São Paulo: FACAMP.

Rossetto, C. R., & Rossetto, A. M. (2005). Teoria institucional e dependência de recursos na adaptação organizacional: uma visão complementar. Revista de Administração de Empresas, 4(1), 1-22.Saidel, J. R. (1991). Resource interdependence: the relationship between state agencies and nonprofi t organizations. Public Administration Review, 5(6), 543-53.

Salamon, L. M. (1998). A emergência do terceiro setor: uma revolução associative global. Revista de Administração, 33(1), 5-11.

Savage, G. T., Nix, T.W., Whithead, C. J., & Blair, J. D. (1991). Strategies for assessing and managing organizational stakeholders. Academy of Management Executive, 5(2), 65-75.

Shields, P.O. (2009). Young adult volunteers: recruitment appeals and other marketing considerations. Journal of Nonprofit e Public Sector Marketing, 21, 139-159.

Santos, S. X. (2012). Organização do terceiro setor. Natal: EdUnP.

Sisson, D. (2016). Control mutuality, social media, and organization – public relationships: a study of local animal welfare organizations donors. Public Relations Review, 42(4), página.

Sousa, C. (2015). Evaluating progress towards sustainable development: a critical examination of a decade-long university-nonprofit collaboration. Current Opinion in Environmental Sustainability, 17, 10-21.

Suárez, D. F., & Hwang, H. (2012). Resource constraints or cultural conformity? Nonprofit relationships with businesses. Voluntas: International Journal of Voluntary and Nonprofit Organizations, 24(3), 581- 605.

Stahl, G. K., Pless, N. M., & Maak, T. (2013). Responsible global leadership. In M. E. Mendenhall, J. Osland, A. Bird, G. R. Oddou, M. L. Maznevski, & G. K. Stahl (Eds.), Global leadership: research, practice, and development (pp. 240-259). New York: Routledge.

Schaltegger, S., Hörisch, J., & Freeman, E. (2017). Business cases for sustainability: a stakeholder theory perspective. Organization & Environment. Faltam dados de volume e página.

Tondolo, R. R. P., Bitencourt, C. C., & Tondolo, V. A. G. (2015). Third sector management: as analysis from the mobilizing dimension of organizational social capital. In Anais for 14th International V Congress of International Association on Public a Nonprofit Marketing 1-8. Vitória, ES.

Torres, L. H. (2013). Teoria do stakeholder: um estudo da aplicação do princípio de equidade do stakeholder (Dissertação de Mestrado). Faculdade de Administração, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.

Uzunoglu, E., & Kip, S. M. (2014). Building relationships through websites: a content analysis of Turkish environmental nonprofit organizations (NPO) websites. Public Relations Review, 40, 113-115.

Voegtlin, C., Patzer, M., & Scherer, A. G. (2012). Responsible leadership in global business: A new approach to leadership and its multilevel outcomes. Journal of Business Ethics, 105(1), 1-16.

Waters, R. D., Burnett, E., Lamm, A., & Lucas, J. (2009). Engaging stakeholders through social networking: how nonprofit organizations are using Facebook. Public Relations Review, 35(2), 102-106.

Waters, R. D., & Lord, M. (2009). Examining how advocacy groups build relationships on the internet. International Journal of nonprofit and Voluntary Sector Marketing, 14(3), 231-241.

Zakhem, A. (2008). Stakeholder management capability: a discourse theoretical approach. Journal of Business Ethics, 79(4), 395-405.




DOI: https://doi.org/10.18256/2237-7956.2018.v8i2.2455

Apontamentos

  • Não há apontamentos.






Revista de Administração IMED (RAIMED)               ISSN: 2237-7956                Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA/IMED)

Faculdade Meridional – IMED – www.imed.edu.br – Rua Senador Pinheiro, 304 – Bairro Rodrigues – 99070-220 – Passo Fundo – RS – Brasil Tel.: +55 54 3045 6100

 Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.