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Construindo uma ruptura: tectônica moderna na obra de Erich Mendelsohn

Building a rupture: modern tectonics in the work of Erich Mendelsohn

Phillipe Cunha da Costa(1); Guilherme da Silva Bueno(2)

1 Mestre em Arquitetura pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura (PROARQ) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU – UFRJ).
E-mail: phillipe.arquitetura@gmail.com | ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8461-9414

2 Professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (EBA – UFMG), Mestre e Doutor em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (EBA – UFRJ).

Resumo

O presente artigo visa colaborar no aprofundamento do momento de inflexão na tectônica da arquitetura do início do séc. XX, destacando principalmente o expoente de Erich Mendelsohn, arquiteto alemão radicado nos Estados Unidos a partir dos anos 40. De origem judaica e sofrendo com o retalhamento nazista com a ascensão de Adolf Hitler no poder da Alemanha, Mendelsohn inicia uma produção genuinamente autora que passa a dialogar com produções marginais da arquitetura moderna dominante de seu período, principalmente sob o óculo de Mies Van Der Rohe. Partindo do conceito de que a produção moderna da arquitetura se constitui enquanto uma crescente cultura de expressão tectônica, exemplificada na criação da Bauhaus, podemos entender Mendelsohn como um expoente singular que viria a desempenhar uma linguagem mais radicalmente moderna e, sobretudo, fora de um contexto visivelmente estilístico. Para tal, rastrearemos o ponto de fragmentação em suas obras construídas, afim de entender suas intenções poéticas na construção. Sendo assim, encontra-se destacado sua produção no período da ascensão nazista e posterior instalação no continente norte-americano, entre os anos de 1921, com o final da construção da Torre Einstein, até 1950, com o término da The Park Synagogue em Cleveland Heighs.

Palavras-chave: Tectônica. Erich Mendelsohn. Arquitetura Moderna. Arquitetura Judaica. Arquitetura Alemã

Abstract

The present paper aims to collaborate in the deepening of the inflection moment in the modern tectonics of architecture in the beginning of 20th century, emphasizing mainly Erich Mendelsohn, the German architect based in United States from the 40s onwards. From the jewish roots and suffering from the Nazi shredding with the rise of Adolf Hitler in Germany, Mendelsohn begins a genuinely authorial production that passes to dialogue with marginal productions of the dominant modern architecture of his period, mainly under the oculus of Mies Van Der Rohe. Starting from the concept that the modern production of architecture is constituted as a growing culture of tectonic expression exemplified in the creation of the Bauhaus, we can understand Mendelsohn as a singular exponent that would come to play a more radically modern language and, above all, outside a context visibly stylistic. To do this, we will trace the point of fragmentation in his buildings, in order to understand his poetic intentions in construction. In this way, its production during the period of Nazi ascent and subsequent installation in the North American continent between the years of 1921, with the end of the construction of the Tower Einstein, until 1950, with the end of The Park Synagogue in Cleveland Heighs.

Introdução

Erich Mendelsohn nasceu em 1887 na atual cidade de Olsztyn, antiga Allenstein, onde hoje encontra-se a Polônia. Proeminente arquiteto judeu, Mendelsohn viveu entre as duas importantes guerras da Modernidade, fato este que se pode afirmar, com certo conforto, influência sobre sua vida e produção arquitetônica. Ao ter assistido, com perigosa proximidade, a ascensão do nazismo protagonizada pelo ditador Adolf Hitler na Alemanha, Mendelsohn constituiu uma arquitetura que se têm, ambivalentemente, elementos principais do que podemos considerar Modernidade e, conjuntamente, consagrados nos signos judaicos e reminiscências do passado simplesmente ignorados pelos nomes dominantes do Movimento Moderno. Ao partir para o exílio devido ao antissemitismo com os judeus e, consequentemente, havendo um influente trabalho com projetos para a comunidade judaica imigrante nos Estados Unidos ao se mudar em 1941, a obra de Erich Mendelsohn é considerada importante para a inflexão sofrida pelo modernismo, vindo a alcançar maior relevância crítica a partir dos anos 60.

Sob a perspectiva da tectônica, a obra do arquiteto se torna mais necessária: questionou representações e significados, experimentou e produziu várias estruturas de construção, composições e materiais para expressão de efeitos. Diante de um período ofuscado por metanarrativas, produções arquitetônicas herméticas e grandiloquências urbanísticas que permearam a produção modernista (JENCKS, 2007) podemos considerar a obra de Mendelsohn como outsider ou marginal, por não se destacar nem se pretender aproximar, sintaticamente, da abordagem projetiva na vigente arquitetura moderna.

Claro que, em retrospecto aos estudos de autores como Henry-Russel Hitchcock1 e Kenneth Frampton, não há apriori narrativas grandiloquentes ou pensamentos unitários que podemos estabelecer realmente como Movimento Moderno, devido a quantidade de sons e ressonâncias. Sua situação enquanto efervescência e produção arquitetônica é muito mais rica e complexa, mas, se considerarmos que Mendelsohn se posiciona entre vários espectros interpretativos alternativos, sua produção enquanto arquitetura moderna se torna na verdade contemporânea.

A hegemonia exercida por Le Corbusier, Gropius e Mies van der Rohe são claras, definindo a estrutura do pensamento progredido predominante no Movimento Moderno. As ações de vanguarda durante a transição do séc. XIX ao séc. XX são relevantes, considerando-os também como metanarrativas (com variados graus de complexidade e influência)2 e estruturas autoexplicativas onde, em muitos momentos, Mendelsohn esteve tangente. Contudo, sua obra torna-se evidentemente relevante pela sua filosofia tectônica assim como seu esforço de trazer experiências espaciais dentro da prática projetual que não, predominantemente, foram utilizadas pelos seus contemporâneos.

É evidente que ao entender profundamente o que foi o Movimento Moderno e seu modernismo percebem-se nuances claros do desenvolvimento projetual de vanguardas tais como o expressionismo, mas, sobretudo, uma revisitação projetual sofrida no final de sua existência já em crise com os questionamentos que viriam a protagonizar nos anos 50 e 60 sobre o problema do contexto (JENCKS, 2007). Nessa perspectiva, podemos estabelecer paralelos na revisitação da obra de Mendelsohn pelos críticos estadunidenses e sua influência pelo momento final e tardio da arquitetura moderna onde encontraremos singelos rastros de questionamentos contextuais e conceituais em suas construções.

Analisaremos aqui dois momentos na produção arquitetônica de Mendelsohn, marcado inicialmente pelo término da construção da Torre Einstein em 1921 e a vinda do arquiteto para a comunidade judaica e acadêmica dos Estados Unidos, com a construção da The Park Synagogue em Cleveland Heighs nos Estados Unidos. Se, no projeto da Torre Einstein, se consolida uma projeção clara de intenções expressionistas relativistas da arte no contexto plástico espacial das vanguardas, a The Park Synagogue, construída nos Estados Unidos, reafirma sua influência na tradição dos signos judaicos também como princípios construtivos. Iremos mapear alguns momentos nos quais estas edificações foram construídas, as filosofias vigentes, suas especificidades, formalismos e principais características tectônicas.

Novas expressões na tectônica alemã

A arte moderna germânica é, emblematicamente, marcada pela sua vanguarda expressionista e pela produção filosófica, além claro de diversas manifestações de vanguarda vinda de imigrantes russos como Kandinsky e de outros proeminentes alemães3. Esses movimentos são marcados principalmente na sua confluência para com outras mídias tais como a escola de design e arquitetura Bauhaus comandada por Walter Gropius ou o cinema expressionista de Fritz Lang de Metropolis (1927) ou F. W. Murnau com o horror de Nosferatu de 1922. O historiador da arte Ernst Gombrich (1999) interpreta o Expressionismo como a vanguarda de reconfiguração da realidade através dos sentimentos do artista, da expressividade da força cognitiva como parte do processo de interpretação do processo da arte. Aqui, a exageração da forma, cores e figurações podem ser consideradas como as características mais emblemáticas, e que a perspectiva do artista do mundo é o ponto de interpretação da sua arte (GOMBRICH, 1999).

A filosofia de Nietzsche tem influência na produção artística em que se constitui o expressionismo alemão principalmente pelo trabalho de divulgação adotado na curadoria de sua irmã, Föster-Nietzsche. Atribui-se também a Nietzsche, oposto das reais intenções de sua filosofia, a construção da identidade germânica do que se constituiu a Alemanha já no séc. XX, principalmente pela posterior manipulação de sua obra e, sobretudo, da necessidade do partido nazista de identificar potenciais justificativas em torno da ascensão. Logicamente, nenhuma dessas manipulações atribui o estatuto de Nietzsche antissemita, talvez, apenas, refere-se à construção posterior referida de seus escritos e obras como as abordagens acerca da chamada ‘’Morte de Deus’’ e das suas crenças constituídas sobre as mitologias humanas emblemáticas em seu livro Also Sprach Zaratustra com o conceito de super-homem e seu papel. Sobre esse panorama alemão Mendelsohn buscou outras referências que buscassem sua identidade judaica e alemã, que podemos ver nas suas produções antes do advento do seu exílio.

Mas, contudo, a influência da modernidade alemã em suas construções e tecnologias é deveras evidente. O que comumente se entende como uma época de transformações do mundo em crise, durante o período de transição do séc. XIX para o séc. XX, interpretaríamos sob a ótica expressionista da descrença nas representatividades naturais ou puristas. Se então estabelecermos o advento da fotografia e do cinema enquanto questionadores do papel da arte da modernidade (ZEVI, 2002), rastrearemos pontos de interseção e convergência entre uma produção do que se entende como as vanguardas históricas (futurismo, dadaísmo, surrealismo, expressionismo etc.) e tenderíamos a historiografia na construção do termo homem moderno. Esse conceito se construiu pela filosofia alemã de Nietzsche e pelas transformações propositivas da política moderna que viriam a ser destituídas pelas forças fascistas do nazismo.

Figura 1. Torre Einstein (1917-1921). Projeto de Erich Mendelsohn

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Fonte: http://media.tumblr.com/2fa91eeb8a5f65e31cb3fda3ed260231/tumblr_ngsugiw1MS1rpgpe2.jpg

Remetendo-se novamente à Gombrich (1999), a expansão da fotografia e cinema durante o início do séc. XX reconfigurou o que as artes poderiam representar de novo em suas obras. Se na fotografia poderia se expressar verdadeiramente numa figura ou paisagem, o que deveríamos representar? Aqui, dentre inúmeras respostas, focaremos no expressionismo. O sentimentalismo, romantismo e a poeticidade da expressão da figura podem ser interpretadas como características de destaque expressionistas, evidentemente na produção de pintores como Ernst Kirchner e Franz Marc, ao qual o Mendelsohn existe não apenas num espectro regional.

O caminho encontrado em parte na produção dos arquitetos expressionistas foi alinhado, alternativamente, ao caminho trilhado em outras artes na perspectiva transformadora trazida da tensão europeia pré-guerra, onde se experimentaram e radicalizaram tendências que seriam propostas pela maioria dos movimentos de vanguarda, não exclusivamente ao expressionismo. Em retrospecto ao impressionismo, a trajetória de continuidade entre os aspectos formais, emocionais e destacados dos expressionistas, principalmente o período pós-impressionista ao final do séc. XIX, tem seu forte emblema na forma da Torre Einstein, projetada em 1917 por Mendelsohn para comprovar a Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein.

Figura 2. Detalhe da Torre Einstein (1917-1921). Projeto de Erich Mendelsohn

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Fonte: http://pathofkahn.com/wp-content/uploads/2014/08/einsteintower2.jpg

Conforme denotado por Bruno Zevi (1999), podemos compreender a Torre como uma manifestação formal da transformação do paradigma gravitacional enunciado por Einstein. Se considerarmos a trajetória do expressionismo alemão das arquiteturas posteriores a ela, principalmente dos círculos que iriam se formar com o Der Ring4 onde Mies Van Der Rohe, Bruno Taut, e Walter Gropius são membros, esta alternatividade é ainda mais latente. Na Teoria da Relatividade, publicada em 1911 com a revisão para a Teoria Geral, Einstein explica que a relação gravitacional com os fenômenos do tempo e espaço são constituídos intrinsecamente. Durante as vanguardas, o cubismo tentou explicitar essa relação de maneira experimental, representando a unidade temporal em seu contexto espacial. Zevi explica esta relação entre a unidade de tempo da constituição material (ZEVI, 2002) do espaço, onde a Torre Einstein torna-se emblemática, com o seu questionamento da materialização da passagem material do tempo.

Figura 3. Curvatura do Espaço-Tempo na Teoria
da Relatividade Geral (1915) de Albert Einstein

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Fonte: https://www.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/21/Gravity_well_plot.svg/
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“Zevi, que foi o grande propagador da arquitetura de Frank Lloyd Wright, considera Mendelsohn como um paralelo europeu do gênio americano – sacrificado e não de todo realizado em sua criatividade apenas devido às vicissitudes de judeu, que o impeliram a buscar campo de atividade em 3 continentes, sem chegar a lançar raízes profundas em nenhum dos três: na Europa, onde figura como um pioneiro solitário e sui generis do Movimento Moderno; em Israel (então Palestina mandatária) onde suas obras são até hoje um documento de visão autêntica e não comprometida por modismos, do projeto no ambiente físico local; e na América, onde realiza obras para a comunidade judaica, sem conseguir a mesma penetração na esfera do trabalho profissional, nem o mesmo grau de intensidade expressiva das duas experiências anteriores.” (CORINALDI, 2003).

Para ele, a Torre constitui tectonicamente como a representação da relatividade. Com princípios curvilíneos não apenas na expressão estrutural, mas sim na própria vedação e na relação dos componentes da edificação (tais como aberturas, acessos e esquadrias). A forma da parede não segue uma curva somente, não se constitui apenas por ela mesma nem pelo seu material, mas sim pela formação e relação entre os outros componentes da edificação, principalmente os vãos, os outros materiais ou então a modificação do seu papel enquanto face. Todavia, horizontalidade e verticalidade fundem-se (ZEVI, 1999). A edificação, portanto, não consegue ser explicada pelas representações usuais da arquitetura, tais como plantas e cortes. Ela, assim como qualquer arquitetura tal como denota Bruno Zevi, só pode ser experimentada pela sua própria fisicalidade.

Evidente que a arquitetura de Erich Mendelsohn é uma representação de elementos de percepção espacial que, de certa forma, não conseguem ser abordadas em completude na sua representação gráfica ou detalhamento estrutural. Na Torre Einstein isso se torna vogante: a representação do curvilíneo da vedação da torre não é representada em perspectivas ou imagens técnicas como as plantas baixas. Para Eckhardt (1960) esta situação é demonstrada comparando com detalhamentos técnicos de outras estruturas não-euclidianas posteriores como a Capela Ronchamp de Le Corbusier (1955) ou as obras de Antoni Gaudí tempos antes, que utilizavam simulações formais com base na própria gravidade, criando as estruturas curvas em obras como a Sagrada Família. Se, para Mendelsohn, o concreto conseguia (teoricamente, pois a vedação foi executada em alvenaria) expressar a ligação gravitacional entre a expressão formal e seus elementos compositivos como aberturas, circulação ou detalhamentos técnicos, a edificação, portanto, conseguiria demonstrar de forma clara a definição da técnica de seu projetista, através da denotação de seus ligamentos5.

Isso estabelece uma franca inflexão entre a produção dos famosos modernistas do início do século XX, principalmente por estabelecer uma visão formal superior a uma condição programática dogmática do establishment moderno, tão tecnológica quanto a de um laboratório científico. Enquanto a experimentação do concreto neste período alcançava temas como versatilidade da estrutura e das condições compositivas nela estabelecidas para um projeto arquitetônico feito sob medida e ao mesmo tempo industrial, Mendelsohn e a escassa produção expressionista alemã destacavam a concepção do objeto como concepção de uma manipulação formal do material sobre suas possibilidades técnicas, tal como a estereotomia6.

Considerando sua própria conexão com o grupo Der Ring e a aproximação com a produção moderna vigente de seu tempo, é importante entender a precaução de não considerar Erich Mendelsohn separatista, mesmo sob viés tectônico. Tanto Bruno Zevi quando Kenneth Frampton, este último postulador da necessidade de retomada da discussão tectônica sobre alternativos arquitetos modernos, não tentam estabelecer uma forçada separação entre a produção do autor, das vanguardas modernas e do mainstream produtivo. Todavia, é preciso também reconhecer a autonomia dentro da produção moderna de certos arquitetos, especificamente Mendelsohn, que não se limitavam a paradigmas ou formulações antes impostas pelos outros arquitetos de seu tempo.

Figura 4. Detalhe da Capela Ronchamp (1955). Projeto de Le Corbusier

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Fonte: http://organicarchitecture.info/wp-content/uploads/2011/06/Ronchamp-4.jpg

Emblematicamente, a Torre Einstein justifica esta alternatividade dentro da produção moderna não o separando, mas sim ratificando a própria postura frente ao que se entendeu por modernidade. A tectônica da Torre Einstein foi exemplo seguido, principalmente, durante o momento de pessimismo arquitetônico vivenciado por Le Corbusier em seu formalismo do concreto armado aparente nas edificações projetadas como a Capela Ronchamp. Podemos considerar, tectonicamente, como a realização da ascensão arquitetônica conseguida a partir da Torre Einstein (devido a sua divulgação e materialidade), feita a partir da ideia do concreto armado que Mendelsohn não conseguiria realizar, é fruto da transformação da alvenaria como meio tecnológico da plasticidade da obra. Os efeitos do concreto em Ronchamp em seus diferentes tratamentos nos diferentes elementos compositivos não são necessariamente mais aparentes, como na cobertura e na estruturação vertical. Entretanto, ela apresenta-se como verdade da plasticidade, desafiando a relatividade da gravidade como demonstrado em sua cobertura curvilínea, com sua concavidade e balanço.

Portanto, trata-se de uma apropriação moderna da plasticidade da forma às condições estabelecidas, seja na programação formal no caso de Le Corbusier dos diferentes elementos, seja na representação de uma condição relativa da gravidade entre os componentes em Einstein. Enquanto Mendelsohn estabelecia uma expressão formal para solubilidade de seus problemas, posteriormente Le Corbusier tentava justamente superar sua fase afirmando uma condição que não era ideal aos desafios propostos pela modernidade.

Simbolismo e ressignificação da tectônica

Com o discurso intolerante antissemita de Adolf Hitler de 1933, Mendelsohn se percebe exilado para fugir das constantes ofensivas contra a comunidade judaica alemã com a ascensão do partido nazista em todos os postos. Se, em momento anterior a guerra, o arquiteto viu seus triunfos arquitetônicos se tornarem realidade ao conseguir quantidade considerável de projetos em seu escritório, a situação se transforma tal que, num ato de retalhamento nazista, Erich Mendelsohn perde consideravelmente sua fortuna acumulada pelos seus louros e se enxerga, na condição de assegurar sua família, num recomeço projetual na Inglaterra com a conseguinte sociedade do arquiteto e teórico russo Serge Chermayeff, posteriormente também colaborador de teorias arquitetônicas e tecnológicas com Christopher Alexander nos Estados Unidos7.

A parceria, que se prolongaria até 1936, teve o efeito de estabelece-lo num novo país efetivamente, ao qual paralelamente ambos os arquitetos vinham seguindo suas carreiras criando vínculos sociais que seriam importantes nas décadas posteriores. Desta frutífera parceria podemos citar o Pavilhão De La Warr em Bexhill concluído em 1935 e a Cohen House em Londres, de 1936. Assim como outros arquitetos afetados profundamente pela guerra em seu país de origem, Serge Chermayeff e Mendelsohn se empenharam em estabelecer seus nomes numa nova realidade que reforçariam suas convicções sobre o chamado Movimento Moderno e do que pode ser também compreendido genericamente como International Style8. Paralelamente, o contato com os judeus refugiados no Reino Unido se mantém constante e bastante influente, o que viria a ser importante para a produção de Mendelsohn (ZEVI, 2002), principalmente estabelecendo vínculos e etapas profissionais do arquiteto. Conforme denotado também por Bruno Zevi (2002) e Wolf Eckhardt (1960), o simbolismo judaico constituiu, exponencialmente, uma influência importante em sua obra a partir desse período de exílio.

Devido a esta característica, em contracorrente aos seus contemporâneos, Mendelsohn gradativamente enquadrava simbologias e tipologias dentro de suas concepções estéticas que, apriori, não eram consideradas na pauta principal do Movimento Moderno. O que antes se considerava na obra de Mendelsohn é agora em perspectiva enxergada como um olhar artístico, tradicional e religioso sobre uma constituição formal da Arquitetura. Não se trata de suprir as necessidades e estabelecer novos conceitos de moradia e tecnologia, mas sim de estabelecer ligações emocionais e cognitivas com a obra e, portanto, satisfazer as reais necessidades dos seus habitantes. Uma presença importante para Mendelsohn, politicamente, foi a do futuro presidente de Israel Chaim Weizmann, ao qual encomendou para Mendelsohn uma série de projetos na Palestina a partir de 19349. Durante as crescentes invasões nazistas, especialmente a tomada da França em 1940, o cenário estratégico do Reino Unido e de praticamente toda a Europa mudou. Agora, judeus vinham a ameaça nazista com força iminente e onipotente por toda a Europa, causando assim um fluxo maior de imigrações para o continente americano. Em 1941, novamente, Erich Mendelsohn e sua família tiveram que mudar para os Estados Unidos.

Nesse momento se, no período de execução da Torre Einstein, sua tectônica alcançava significados de expressão formal além de seus originais, nos Estados Unidos Mendelsohn traz novos rompimentos com o mainstream moderno quando, marcado pelos crescentes êxodos e a diáspora de seu povo, encontra sua essência nos signos das estruturas tipológicas da cultura judaica (ZEVI, 1999). Ao chegar nos Estados Unidos, as atividades arquitetônicas se limitavam aos fins acadêmicos, não conseguindo as glórias dos grandes orçamentos que encomendavam na Alemanha. Suas publicações e atividades além da própria condição de imigrante, contudo, trouxeram novas possibilidades de perspectiva para a produção de uma arquitetura de seu tempo. Nessa condição ficava a questão: a arquitetura significava algo? Inicialmente, a pergunta tinha fins retóricos para seus próprios símbolos.

As discussões sobre significado e significante na história contada da Arquitetura vigente têm origens nas discussões estruturalistas de arquitetos como Aldo Rossi, que enxergavam significados e tipos destacados nos objetos e na cidade, em que eram portados os significados. Ao entender as condições iniciais ao qual se encontram Mendelsohn e sua família, assim como entendendo retrospectivamente o campo produtivo em que a Alemanha estava, Mendelsohn encontrou em sua religião os novos meios de produção da Arquitetura. Como consultor nos Estados Unidos, Mendelsohn foi importante para a replicação das típicas arquiteturas alemãs no projeto German Village do exército estadunidense, justamente para entender a estrutura urbana da cidade e os objetos arquitetônicos e na constituição de sua materialidade para entender como abatê-los com ofensiva direta e rápida, semelhante ao seu blitzkrieg10. Este campo de influência de sua essência judaica enquanto simbolismo cultural e num país alheio as questões vanguardas como era com o expressionismo alemão, Mendelsohn rompe novamente, sua contemporânea produção arquitetônica que se desvinculava cada vez mais ao discurso artificial do International Style europeu.

Para o judaísmo, a questão do simbolismo e da ambiência de leitura e reflexão são importantes (CORINALDI, 2003). Podemos aqui, nesta tipologia arquitetônica de sinagogas, estabelecer emblematicamente uma desvinculação do chamado establishment moderno ao fim da Segunda Guerra Mundial ao utilizar dos conceitos históricos de significação do lugar que a produção emblemática da arquitetura moderna, de acordo com sua geração de críticos, não seguiu. Conforme denotado pelo pesquisador Sérgio Ekerman, então compreendemos:

“O fim da Guerra, em 1945, influenciou a produção arquitetônica judaica como um todo, forjando um impacto ainda mais significativo sobre a maneira de pensar a construção das sinagogas. Os Estados Unidos terão nesse contexto um papel fundamental, já que haviam se tornado a nova pátria de boa parte dos judeus emigrados da Europa nazista, dentre eles arquitetos como Eric Mendelsohn, famoso por sua Torre Einstein, em Potsdam. Mendelsohn será responsável por reflexões que buscavam um projeto de sinagoga que não fosse apenas “símbolo das conquistas materiais do homem, mas representante do renascimento espiritual da religião após o Holocausto.” (EKERMAN, 2008).

Figura 5. Sinagoga B’nai Amoona nos Estados Unidos (1950).
Projeto de Erich Mendelsohn

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Fonte: https://arcspace.com/media/150719/kenkonchel_3.jpg

O primeiro projeto de Mendelsohn nos Estados Unidos, anos após sua vinda ao país, a Sinagoga B’nai Amoona, foi justamente o início do simbolismo de sua religião. Conforme descrevera Zevi (2002), estas ressignificações representam a aceitação da comunidade judaica a uma estética de estruturas compositivas modernistas. Mendelsohn consegue a associação simbólica a partir desta sinagoga, utilizando linguagens claras da arquitetura modernista vigente nos Estados Unidos, principalmente sob a influência de Frank Lloyd Wright divulgada amplamente sob o espectro tectônico (não que compreendido em totalidade) de Henry-Russell Hitchcock (1975). Tectonicamente, elementos mistos de vedação e lâminas horizontais criando as coberturas assim como a própria marcação destes elementos de estruturação com a junção da materialização com a vedação em vidro transitam entre o que fora compreendido como modernidade, estabelecido e historicamente proposto pelos críticos de arquitetura.

Na The Park Synagogue em Cleveland Heighs, sua influência Judaica na tectônica é mais evidente e clara de simbolismos e história. Se no contexto moderno em que projetara na Inglaterra e no início de sua produção arquitetônica em solo americano sua tectônica se reconectava as suas grandes influências contemporâneas, Frank Lloyd Wight e Mies Van Der Rohe, o arquiteto se utilizaria portando do resgate de significações e signos arquitetônicos para a materialização que resgatassem o sentido proposto pela comunidade judaica após seu exílio. Em contrapartida com a Sinagoga B’nai Amoona, onde a tectônica é semelhante ao mainstream moderno, em necessidade de estabelecer vínculos com a comunidade local e a ressignificação judaica no continente americano foi se mostrando, novamente, como meio de expressão.

Figura 6. The Park Synagogue em Cleveland Heighs (1951).
Projeto de Erich Mendelsohn

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Fonte: http://media.cleveland.com/architecture/photo/parkjpg-c1b104e6d2632eac.jpg

Sua construção na The Park Synagogue tem alcance diferenciado: ao se apropriar de vínculos formais claros da tradicional arquitetura religiosa judaica, Mendelsohn estabelece uma conexão entre sua significação moderna com a necessidade de simbolismo tradicional pós-holocausto, no que autores posteriores como Aldo Rossi reconheceriam como significações estruturalistas sobre o que é tectonicamente a estrutura, tal como a tipologia e a tecnologia das sinagogas. Como explicara Wolf Eckhardt (1960), a arquitetura de Erich Mendelsohn neste momento, não apenas em sinagogas, não se vincularia à domação estabelecida por convenções ou seus mestres, mas sim por outras inspirações e sentidos, não restritamente ao estilo e a força da técnica, que dá a seus edifícios singularidade:

“Não é a influência de Mendelsohn confinada em sinagogas modernas. Como todas as revoluções, a revolução arquitetônica do tempo de Mendelsohn foi ameaçar de transformar rebelião em um novo dogma. Na rebelião contra o fútil e o dos esforços ecléticos de reviver o passado, que rigidamente pronunciou que toda a arquitetura do futuro deveria ser reduzida a essência vazia e quadrangular. A arte de Mendelsohn nunca foi constituída por este dogma. [...] É Mendelsohn que, como Van de Velde escreveu, fez uma ‘ marca definitiva do estilo do séc. XX? ‘Qualquer resposta a essa questão é conjectura. Até podemos mensurar a exata dimensão da marca como um artista de seu tempo, mas isso realmente importaria? A intenção de Mendelsohn nunca foi criar um estilo.’’ (tradução do autor) (ECKHARDT, 1960).

Os materiais que compõem as construções de suas sinagogas não são usuais das construções tradicionais da tipologia, destacando principalmente pelo uso frequente de concreto armado, ferro e grandes fachadas de vidro, como nas edificações modernistas. Na sinagoga de Cleveland Heighs, a composição de sua construção é a adição de elementos tradicionais da arquitetura judaica como representações dentro de constituições cartesianas, tais como estrutura em lajes e vigas e estruturas como domo, hall e simbologias entre as estruturas verticais. Trata-se, portanto, da vinculação moderna de acordo com princípios tradicionais da cultura judaica e de suas formas mais evidentes, algo claramente revisitado pelo modernismo tardio de Louis Kahn e pelos arquitetos pós-modernos concomitantemente.

Na concepção de Mendelsohn acerca da constituição arquitetônica, a edificação deve significar algo além dela mesma (ZEVI, 2002). Não se trata apenas de significação às condições formais inerentes à arquitetura, ao qual Kenneth Frampton elencara em explicação sobre o cristianismo no período gótico e a constituição da cultura tectônica europeia em si (2001), mas sim da ressignificação, do entendimento dos materiais construtivos e do detalhamento enquanto elementos que criam o simbólico, constituindo a edificação. Esta concepção tectônica, portanto, entra em ressonância com o estruturalismo americano pós-Leonard Bloomfield, momentos antes da gramática generativa de Noam Chomsky.

No entendimento estruturalista americano, a ideia da prática para a realização das informações em estrutura são importantes, assim como toda a ideia da criação de signos enquanto estruturas e de seu uso como estados de pureza passiveis de transformação e manipulação. Em analogia ao estruturalismo americano dominante da época, marcado pelo curso de linguística geral de Ferdinand de Saussure e da influência majoritária de Bloomfied, as estruturas das arquiteturas de Mendelsohn evocam justamente estas ressignificações do passado e dos estruturalismos puristas, sem interferências de ornamentações e abstrações, passiveis de novas experiências figurativas de uma arquitetura inegavelmente moderna.

Os materiais, para o Mendelsohn, são o meio para a finalidade da sua expressão formal (FRAMPTON 2003). O que importa para o arquiteto, conforme descrito detalhadamente por Zevi (1999) acerca de sua compilação de toda a trajetória projetual, é de que sua experiência simbólica das tradições e da tecnologia constituem a linguagem moderna de suas arquiteturas. Esta impressão veio de forma imageticamente unilateral e formal, posteriormente transformada na experimentação de signos, onde passado e história surgem na expressão de sua arquitetura.

Podemos estabelecer aqui conexão com o rompimento com seus contemporâneos na busca da expressividade da Torre Einstein, utilizando como junção dos elementos constituintes da arquitetura processos de ligação usando dobras formais tais como vedação e estrutura, vedação e vãos para realização de efeitos estéticos influentes da relatividade. No processo da sinagoga, busca-se a mesma expressividade no campo religioso, mas, utilizando da linguagem moderna da arquitetura tal como descrevera Bruno Zevi como prática de estabelecer uma linguagem de seu tempo, também remete à busca da expressividade utilizando de elementos formais estruturantes, materiais e cores que substituíssem a ornamentação arquitetônica.

Figura 7. Russel House em São Francisco (1951). Projeto de Erich Mendelsohn

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Fonte: http://staticflickr.com/6/5215/5492581214_6e74c845cb.jpg

The Park Synagogue assim como a chamada Russel House, Mendelsohn sinalizam as transformações protagonizadas pela sociedade após a Segunda Guerra Mundial que teria, sobretudo na arquitetura, a emblemática vogante. O uso do passado e da presença da tradição, as influências externas do establishment formal da arquitetura são algumas das linhas de continuidade para o período posterior causadas por fragmentos de construções da ruptura encontrados em obras de arquitetos como Erich Mendelsohn, que assinalou as modificações ocorridas por seu tempo e seus contemporâneos de maneira, conforme descreve Eckhardt (1960), genuinamente moderna.

Considerações finais

Erich Mendelsohn vivenciou transformações tecnológicas, sociais e políticas em diferentes países e condições e interpretou, enquanto arquiteto, a necessidade de se influenciar por outras condições antes não estabelecidas pelos dogmas modernos. Autores como Fredric Jameson e Charles Jencks (2007) rastreiam o referido pós-modernismo nas condições da arquitetura moderna enquanto crítica de seu próprio movimento, ao qual consideram-se exemplos como o Team X nos Congressos Internacionais de Arquitetura (CIAMs) ou em autores como Aldo Rossi e Robert Venturi. Paralelamente, um arquiteto genuinamente moderno como Erich Mendelsohn produziu ao longo de sua carreira, uma extensa crítica dele e de seu mundo, sob a linguagem construtiva dotada pelos modernistas.

A produção estadunidense de Erich Mendelsohn foi influente na expansão do ideário de modernidade trazido por Gropius e outros arquitetos europeus, mas, sobretudo, expandiu a então alternativa necessidade da utilização do contexto, da cultura e de seu povo num conceito diferente ao que fora utilizado por outros arquitetos de seu tempo. Sua contemporaneidade é evidente não apenas na influência de críticos como Bruno Zevi, também judeu, ou de Charles Jencks, mas principalmente pela constituição da teoria crítica que foi bastante promulgada pelos arquitetos estadunidenses do que entendemos comumente de pós-modernismo. Hoje, com o contexto relativo à sua condição material e cultural, sua arquitetura e tectônica é vogante.

De sua produção dois exemplares são bastante emblemáticos nessa abordagem projetual em contracorrente com o majoritariamente moderno: Torre Einstein e a The Park Synagogue. Sob o viés tectônico, ambos são considerados como revisitações de das linguagens e das tecnologias utilizadas pelos modernos e, sobretudo, pela influência de elementos e contextos além da produção arquitetônica que pudessem melhores materializar desenhos e projetos de expressividade. Na Torre Einstein o resultado foi sua influência orgânica dos estudos genericamente considerados curvilíneos da Teoria Geral da Relatividade. Este rastreamento de rupturas encontradas nas construções de Mendelsohn demonstram o atento as discussões formais, filosóficas e científicas que poderiam ser expressas pelas condições formais e também pela retomada ao passado, aos signos e as estruturas tradicionais, com possíveis conexões com a situação filosófica acadêmica estadunidense no período pós-guerra acerca do estruturalismo e do pós-modernismo.

Referências

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Revista de Arquitetura IMED, Passo Fundo, vol. 7, n. 2, p. 88-105, Julho-Dezembro, 2018 - ISSN 2318-1109

[Recebido: 16 novembro 2018; Aceito: 05 dezembro 2018]

DOI: https://doi.org/10.18256/2318-1109.2018.v7i2.3061

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