1887

O Ensino Superior em Barbacena/MG: um estudo sobre demanda e qualificação

The higher education in Barbacena / MG: a study of demand and qualification

Daniela Fantoni de Lima Alexandrino(1); José Alexandrino Filho(2)

1 Doutora em Educação. Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Barbacena, MG, Brasil. E-mail: dani_efi2002@yahoo.com.br

2 Mestre em Ciência da Educação. Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG). Barbacena, MG, Brasil. E-mail: jose.alexandrino@ifsudeste.edu.br

 

Resumo

Este trabalho foi realizado a partir de uma pesquisa de campo nos setores de comércio e serviços, agropecuária, saúde, finanças e indústrias do município de Barbacena (MG). O objetivo foi verificar se os cursos superiores, oferecidos pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais - campus Barbacena, vêm atendendo às exigências de mão de obra das empresas da referida cidade. As hipóteses que orientaram essa pesquisa, portanto, partiram da análise de como os empresários têm visto os cursos superiores da instituição com relação à qualidade da formação acadêmica ministrada no que diz respeito às necessidades de suas empresas bem como quanto à absorção dos egressos pelo mercado de trabalho do município. A pesquisa objetivou, também, verificar quais os cursos deveriam ser oferecidos pela instituição para atender à demanda de mercado. A investigação se desenvolveu sob o aporte teórico de estudiosos de educação e trabalho, que apontam um futuro promissor para o país, tendo como base uma visão atual do ensino superior no Brasil. Para tanto, os instrumentos metodológicos adotados foram o questionário e a entrevista semiestruturada. Como resultados, verificamos a necessidade de melhorar a qualidade dos cursos superiores, a formação acadêmica dos egressos e de se criarem novos cursos, que atendam às necessidades das empresas locais. Diante disso, concluímos que, para minimizar o descompasso entre a oferta educacional e a absorção do mercado de trabalho, há a necessidade de manutenção de um permanente diálogo entre a comunidade acadêmica e a externa, estabelecendo-se metas que alcancem satisfatoriamente os indicadores de qualidade da educação de nível superior.

Palavras-chave: Cursos superiores. Empresas. Emprego. Mercado de trabalho. Qualidade da educação.

 

Abstract

This work was carried out from a field research in the sectors of commerce and services, agriculture, health, finance and industries of the city of Barbacena-MG. The objective was to verify if the superior courses, offered by the Federal Institute of Education, Science and Technology of the Southeast of Minas Gerais - Campus Barbacena, have been meeting the labor requirements of the companies of that city. The hypotheses that guided this research, therefore, started from the analysis of how the entrepreneurs have seen the Institution’s higher courses in relation to the quality of the academic education given regarding the needs of its companies as well as the absorption of graduates by the market of work of the municipality. The research also aimed to verify which courses should be offered by the Institution to meet market demand. The investigation was developed under the theoretical support of education and work scholars, who point out a promising future for the country, based on a current view of higher education in Brazil. For that, the methodological instruments adopted were the questionnaire and the semi-structured interview. As a result, we verified the need to improve the quality of higher education courses, the academic training of graduates and to create new courses that meet the needs of local companies, was confirmed by the research. Therefore, in order to minimize the mismatch between the educational offer and the absorption of the labor market, it is necessary to maintain a permanent dialogue between the academic community and the external community, establishing goals that will satisfactorily reach the quality indicators of the Higher education.

Keywords: Higher courses. Companies. Employment. Job market. Quality of education.

 

1 Introdução

Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia foram criados pela Lei 11.892 de 29 de dezembro de 2008, e são o total de 38 institutos, divididos em 644 campi (BRASIL, 2008). O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais - Campus Barbacena (IF Sudeste MG/Barbacena), que é referência para esta pesquisa, é composto por dez campi e a reitoria: campus Barbacena, campus Juiz de Fora, campus Muriaé, campus Santos Dumont, campus Rio Pomba, campus São João Del Rei, campus Bonsucesso, campus Manhuaçu, campus Cataguases e campus Ubá, os quais ofertam o ensino básico, profissional e superior pluricurriculares e multicampi especializados na educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino (BRASIL, 2009).

Os referidos institutos são uma junção de instituições de ensino de esfera federal, ofertantes de educação profissional - Escolas Agrotécnicas, Escolas Técnicas vinculadas às Universidades Federais e os Centros Federais de Educação Tecnológica – e, para efeito de legislação, são equiparados às Universidades Federais. Atuam no sentido da melhoria do Arranjo Produtivo Local (APL), na perspectiva da construção da cidadania, realizando a inserção no mercado de trabalho de jovens e adultos da microrregião onde cada instituto está inserido (PACHECO, 2009). A articulação desse tipo de instituição de ensino com a realidade local procura buscar soluções para um problema que ainda assola parte da sociedade brasileira: a exclusão do mercado de trabalho (DUPAS, 2001). A ação dos institutos no âmbito local, por conseguinte, pode refletir no âmbito global, o que justifica o fortalecimento de políticas públicas voltadas para determinadas áreas geográficas e associadas a projetos mais amplos e globais (SILVA; BRANDÃO, 2008).

Dessa forma, com a intenção de promover a qualificação profissional de indivíduos da região de Barbacena e de seu entorno, com vista a inserção dos mesmos no mercado de trabalho, o ensino superior no IF Sudeste MG/Barbacena, teve seu início em 2005, ainda como Escola Agrotécnica Federal, com a oferta do Curso Superior de Tecnologia em Sistemas para Internet. Àquela época, o parecer do Conselho Nacional de Educação CNE 14/2004 autorizava as Escolas Agrotécnicas Federais a ministrarem Cursos Superiores de Tecnologia.

Com o advento da Lei 11.892, o campus Barbacena passou a ofertar mais nove cursos superiores em um período de três anos, significando um aumento de 1000%. Esse aumento na oferta dos cursos, acabou proporcionando o grande desafio de inserir no mercado de trabalho os jovens e adultos formados na instituição, procurando atender às demandas de mercado das empresas locais e regionais (BRASIL, 2009). No entanto, nenhum estudo foi realizado para criação dos referidos cursos, o que pode remeter a vários problemas relativos a recursos humanos e estrutura física em médio e longo prazo. Essa preocupação levou a realizar esse estudo, na tentativa de verificar o impacto dos mesmos no mercado de trabalho do município, e motivar a instituição a repensar a criação de novos cursos sem um estudo prévio para sua implantação.

Os atuais cursos superiores ofertados pelo IF Sudeste MG/ Barbacena, são: Tecnologia em Sistemas para Internet, Tecnologias em Gestão Ambiental, Tecnologia em Gestão de Turismo, Tecnologia em Alimentos, Bacharel em Administração, Bacharel em Engenharia Agronômica, Bacharel em Nutrição, Licenciatura em Química, Licenciatura em Ciências Biológicas e Licenciatura em Educação Física. O IF Sudeste MG/Barbacena, tem matriculado nesses cursos aproximadamente 900 alunos (SRE CAMPUS BARBACENA, 2012).

É possível afirmar que o desenvolvimento socioeconômico sustentável de uma localidade depende diretamente da velocidade e da continuidade do processo de expansão educacional. Observam-se, nesse contexto, dois importantes aspectos: o primeiro refere-se ao fato de que a expansão educacional pode aumentar a produtividade do trabalho, contribuindo para o crescimento econômico, o aumento de salários e a diminuição da pobreza; o segundo refere-se ao fato de a expansão educacional promover maior igualdade e mobilidade social. Assim, pode-se observar que o crescimento econômico, bem como a redução da desigualdade e da pobreza dependem, essencialmente, da expansão da educação (BARROS et al., 2002).

Além disso, o processo de desenvolvimento econômico brasileiro nas últimas décadas tem reforçado as consequências da heterogeneidade educacional no país, já que o país apresenta um atraso, em termos de educação, de cerca de uma década em relação a um país com padrão de desenvolvimento similar. As disparidades econômicas e educacionais são ainda maiores dentro de determinadas regiões estaduais. O estado de Minas Gerais, onde se encontra o instituto, por exemplo, é considerado um dos mais importantes da federação, pois contribui significativamente para a formação da riqueza do país. Apesar disso, apresenta uma realidade bastante complexa, com enormes diferenças regionais em seu território e elevado número de municípios pequenos e pobres. Em virtude da configuração variada das mesorregiões, tem-se o desenvolvimento de microrregiões diferenciadas, que são balizadas por aspectos econômicos, educacionais, demográficos, tecnológicos, de recursos naturais, dentre outros. A experiência da indústria mineira, assim como a de todo o país, caracteriza-se pela fragilidade tecnológica e organizacional quando comparada àquela vivida pela indústria internacional. Destaca-se a intervenção do Estado, desde os anos 1930, na garantia de um modelo de crescimento fundado na industrialização, que ocorreu de forma lenta e tardia pela falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico redefinindo as relações entre estado e sociedade (SOARES et al., 1999).

Os setores de transporte, agroindustrial e químico, no estado de Minas Gerais, foram os que mais investiram em mudanças no padrão tecnológico e modelos de gestão, assim como no perfil profissional dos trabalhadores, no que se refere à necessidade de maior conhecimento, dadas a demanda por novas habilidades. No entanto, se, por um lado, a comunidade escolar tem buscado trabalhar novas competências e habilidades demandadas, por outro as indústrias apontam deficiências em relação às habilidades específicas, habilidades cognitivas básicas e no campo comportamental, demonstrando a necessidade de estreitamento do vínculo entre a escola e o mundo do trabalho (Ibidem).

Apesar dos equipamentos e da tecnologia instalada não serem considerados gargalos para o desempenho operacional, a maioria das indústrias considera ser difícil o acesso às informações tecnológicas, em especial as empresas que foram implantadas mais recentemente. Na maioria dos casos, estas novas empresas buscam apoio junto às Instituições de Ensino e Pesquisa, a consultorias especializadas e, até mesmo, junto a fornecedores de equipamentos para orientação tecnológica em processos e desenvolvimento de novos produtos. Entretanto, as reiteradas manifestações de insatisfação quanto à eficiência dessa forma de atuação sugerem a necessidade de se desenvolverem mecanismos mais eficientes para o atendimento às demandas tecnológicas do segmento Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG, 2007). Logo, a educação profissional assume papel relevante no enfrentamento desses desafios. É necessário reordenar nossos sistemas de educação para que possam responder efetivamente aos anseios e expectativas individuais e sociais, bem como às demandas econômicas contemporâneas (MANFREDI, 2017).

Diante do exposto, estudos que ampliem o debate sobre a relação entre os cursos superiores oferecidos pelo IF Sudeste MG/Barbacena e a demanda de emprego do município podem contribuir para que, de fato, o instituto dialogue com os setores responsáveis por essas questões.

Para tanto, o seguinte problema será investigado: O IF Sudeste MG/Barbacena contribui para suprir a demanda de trabalho de cidade? Sendo que o objetivo principal desse texto, como já dito, é verificar se os cursos superiores oferecidos pelo IF Sudeste MG/Barbacena atendem às necessidades das empresas do município.

Portanto, um estudo mais aprofundado sobre os cursos superiores oferecidos por essa instituição e a necessidade de trabalho do município, é de extrema importância para entender e, até mesmo mudar, caso necessário, a realidade educacional do IF Sudeste MG/Barbacena, fazendo com que a instituição atinja seu maior objetivo, que é proporcionar uma educação plena, capaz de dialogar com a comunidade e atender às necessidades da região onde se localiza. Vale ressaltar que essa pesquisa pode vir a ser um importante instrumento e/ou subsídio para que futuros estudos possam intervir, ainda mais, nesse universo educacional, visando proporcionar aos empregadores, gestores educacionais, educadores e alunos envolvidos, uma referência para criação de novos cursos, e rever os já existentes, quando for o caso.

Esperamos, também, que essa pesquisa aprimore o embasamento científico dos profissionais de educação que trabalham no IF Sudeste MG/Barbacena, bem como de seus gestores e de todos aqueles responsáveis pela demanda de emprego da cidade de Barbacena. Acreditamos que, ao se tornar público o resultado de estudos que buscam compreender a realidade educacional de uma determinada região, pode-se provocar na sociedade e nos profissionais que lidam nas instituições de ensino, uma inquietação favorável à continuidade de estudos nessa área. Além de buscar conscientizar o IF Sudeste MG/Barbacena e a cidade sobre as profissões que, realmente, são necessárias para suprirem as demandas de trabalho. Nesse contexto, importa compreender a atual realidade da cidade em questão, e do IF Sudeste MG/Barbacena.

 

2 Procedimentos metodológicos

A pesquisa quantitativa é mais adequada quando se deseja apurar opiniões e atitudes explícitas e conscientes dos entrevistados; ela permite realizar projeções para a população representada; testa, de forma precisa, as hipóteses levantadas; fornece índices que podem ser comparados com outros (LAKATOS; MARCONI, 2001). Dentre as várias formas de se realizar pesquisas, a pesquisa do tipo survey, de cunho quantitativo, tem se configurado em um dos mais adequados métodos para se atingir os objetivos propostos por este estudo. De acordo com Babbie (1999), um estudo do tipo survey caracteriza - se como um levantamento de dados muito utilizado por órgãos de estatísticas particulares e oficiais, no qual se faz um recorte quantitativo do objeto de estudo, através de vários instrumentos para coleta de informações, como questionários e entrevistas pessoais (nos domicílios, no trabalho, na rua, pelo telefone, por email e por formulário na internet – e-survey). O survey é usado quando se trata de um problema, do qual se pretende descrever a situação atual (tempo), em determinado ponto de uma população (local), além de poder ter uma visão do que foi testado e relacionar ao que foi experimentado ou sugerido.

Segundo Triola (1999), um questionário ou formulário possui questões formuladas de modo tendencioso, o que denominamos de erro amostral, porém podemos limitar seu valor através de uma escolha de uma amostra de valor adequado.

Sobre a amostra, neste trabalho, foi composta por 731 indivíduos, sendo 343 empresários do setor de comércio e serviços, 301 empresários do setor agropecuário, 73 empresários do setor de saúde, 10 empresários do setor financeiro e 4 empresários do setor industrial que representam a força econômica do município de Barbacena, cujo trabalho movimenta o mercado financeiro da referida cidade. Neste trabalho utilizamos a determinação da amostra para populações finitas, o que caracteriza o tamanho (n) maior ou igual a 5% do tamanho da população (N) (LEVINE, 2000).

Esse mesmo autor usa a fórmula a seguir para determinar o tamanho da amostra para populações finitas:

Image2093.PNG 

Já a população total de cada setor pesquisado, é de 3.123 empresários do setor de comércio e serviços, 1.385 empresários do setor agropecuário, 89 empresários do setor de saúde, 10 empresários do setor financeiro e 4 empresários do setor industrial (IBGE, 2011), conforme explicitado na Tabela 1.

Tabela 1. Setores, população e grau de confiança da pesquisa

Setores

Comércio e

Serviço

Agropecuária

Saúde

Financeiro

Industrial

População do setor

3123

1385

89

10

04

Grau de confiança = 95%

343

301

73

10

04

Fonte: Autores (2017).

Por fim, como instrumentos, em um primeiro momento, foi utilizado o banco de dados do IF Sudeste MG/Barbacena para coletar informações sobre os cursos oferecidos nos últimos cinco anos. Em um segundo momento, foi aplicado um questionário na amostra desse estudo para possível comparação dos resultados.

O questionário foi composto de sete perguntas objetivas e duas perguntas subjetivas (Apêndice A), de fácil entendimento para os participantes. O mesmo foi validado por meio de um questionário, aplicado a nove professores doutores e uma doutoranda, com o objetivo de verificar sua validade, com o seguinte resultado: cinco o validaram como ótimo, quatro como bom e um como razoável.

Vale ressaltar que os questionários foram aplicados no ano de 2016, de acordo com os seguintes passos:

    1. Visitas aos estabelecimentos do setor comércio e serviços;

    2. Aplicação dos questionários aos proprietários rurais, realizadas no Sindicato Rural;

    3. Aplicação dos questionários nos estabelecimentos do setor de saúde, com os empresários do setor;

    4. Aplicação dos questionários nos estabelecimentos do setor financeiro e industrial, com os empresários do setor.

 

3 Descrição e análise dos resultados

Passaremos, a seguir, a analisar os resultados obtidos e apresentar as respostas dadas pelos empresários do município, referente ao questionário que lhes foi apresentado durante as visitas realizadas em seus setores. Na pergunta relacionada ao conhecimento dos empresários, com relação aos cursos oferecidos pelo IF Sudeste MG/Barbacena, obtivemos o seguinte resultado, conforme Tabela 2:

Tabela 2. Cursos do campus Barbacena mais conhecidos pelos empresários

Setor

Sim (conhece)

Não (não conhece)

Agropecuária

231

70

Comércio E Serviços

201

142

Finanças

5

5

Industrial

0

4

Saúde

21

52

Total

458

273

Fonte: Autores (2017).

No setor agropecuário, foram ouvidos 301 proprietários rurais, que em sua maioria (231) conhecem os cursos oferecidos pelo IF Sudeste MG/Barbacena e os que não conheciam (70) propuseram que a instituição oferecesse também os cursos de veterinária e zootecnia em função das necessidades de suas empresas, conforme Tabela 3.

Tabela 3. Cursos que deveriam ser oferecidos, setor agropecuário

Veterinária

51

Zootecnia

19

Total

70

Fonte: Autores (2017).

Com relação ao setor de comércio e serviços, foram ouvidos 343 empresários, dos quais 201 já conheciam os cursos oferecidos, e acham que os mesmos atendem às necessidades de suas empresas. Dos 122, que disseram que não conheciam os cursos oferecidos, 60 indicaram o curso de Direito para atenderem às necessidades de suas empresas; 37 indicaram o curso de Veterinária como suas opções; 15 o curso de Ciências Contábeis, 6 o curso de Enfermagem, 2 o curso de Vendas, 1 o curso de Medicina do Trabalho e 1 o curso de logística, conforme Tabela 4.

Tabela 4. Cursos que deveriam ser oferecidos, segundo o setor de comércio e serviços

Direito

60

Medicina do Trabalho

1

Logística

1

Vendas

2

Enfermagem

6

Ciências Contábeis

15

Veterinária

37

Todos

122

Fonte: Autores (2017).

Na Tabela 4.1, consideramos os cursos menos indicados como “outros”, o que nos deu uma visão diferenciada da Tabela 3.

Tabela 4.1. Cursos que deveriam ser oferecidos segundo o setor, de comércio e serviços

Direito

60

Outros

10

Ciências Contábeis

15

Veterinária

37

Fonte: Autores (2017).

No setor de saúde, dos 73 empresários ouvidos, 70 disseram já conhecer os cursos oferecidos pelo IF Sudeste MG/Barbacena e se sentem contemplados com os mesmos. Dos 17 que disseram que não conhecem os cursos oferecidos, 11 sugeriram a oferta do curso de Psicologia para atender às necessidades de suas empresas, 05 sugeriram a oferta do curso de Enfermagem, e 01 por veterinária, conforme Tabela 5.

Tabela 5. Cursos que deveriam ser oferecidos, segundo o setor de saúde

Psicologia

11

Veterinária

1

Enfermagem

5

Total

17

Fonte: Autores (2017).

No setor de finanças, foram ouvidos 10 empresários, sendo que 5 destes já conheciam os cursos oferecidos pelo IF Sudeste MG/Barbacena, e os outros 5 disseram que não conheciam. Destes últimos 3 propuseram oferta do curso Ciências Contábeis como importante para atender às suas empresas; 1 propôs o curso de Investimento e Mercado financeiro, e 1 o curso de Gestão Bancária, conforme mostra a Tabela 6.

Tabela 6. Cursos que deveriam ser oferecidos segundo o setor de finanças

Ciências Contábeis

3

Investimento e Mercado Financeiro

1

Gestão Bancária

1

Fonte: Autores (2017).

No setor industrial, dos 4 empresários entrevistados, nenhum conhecia os cursos oferecidos pela instituição, sendo que 2 deles propuseram o curso de Indústria Alimentícia, como opção importante para suas empresas; 1, o curso de Petroquímica, e 1, o curso de Siderurgia, conforme mostra a Tabela 7.

Tabela 7. Cursos que deveriam ser oferecidos segundo o setor de indústria

Indústria Alimentícia

2

Petroquímica

1

Siderurgia

1

Fonte: Autores (2017).

Dos 218 empresários entrevistados, que disseram não conhecer os cursos oferecidos no IF Sudeste MG/Barbacena, 89 escolheram o curso de Veterinária como opção importante de oferta para atender às suas empresas, 60 sugeriram a oferta do curso de Direito; 19, a oferta do curso de Zootecnia; 18, de Ciências Contábeis; 11, de Enfermagem; 11, sugeriram a oferta do curso de Psicologia e 14 fizeram a sugestão de “outros” cursos, conforme Tabela 8.

Tabela 8. Cursos que deveriam ser oferecidos, segundo todos os setores

Veterinária

89

Outros

10

Enfermagem

11

Psicologia

11

Ciências Contábeis

18

Zootecnia

19

Direito

60

Fonte: Autores (2017).

A Tabela 9, nos dá uma visão do que pensam os empresários, quanto à qualidade dos egressos para ingressarem no mercado do trabalho. Dos 731 empresários entrevistados, 486 acham que os egressos estão capacitados para ingressarem no mercado do trabalho, 191 acham que os mesmos não estão capacitados.

Tabela 9. Qualidade dos egressos para o mercado do trabalho (geral)

Setor

Sim

Não

Não sei

Total

486

191

54

Saúde

41

18

14

Industrial

4

0

0

Finanças

10

0

0

Comércio e Serviços

317

0

26

Agropecuária

114

173

14

Fonte: Autores (2017).

Quando separamos por setor, verificamos que no setor de comércio e serviços, 317 empresários acham que os egressos estão aptos a ingressarem no mercado do trabalho, 26 não souberam responder. No setor de agropecuária 114 acham que os egressos estão preparados, 173 acham que não estão e 14 não souberam responder. No setor de saúde, 41 empresários acham que os egressos estão preparados, 18 acham que não estão preparados e 14 não souberam responder. No setor de finanças, todos acham que os egressos estão preparados; sendo esta a mesma opinião dos empresários no setor industrial.

Quanto ao nível de satisfação dos cursos oferecidos, 399 empresários consideram os mesmos regulares, 153 consideram bons e 179 consideram ótimos. Quando separamos por setor, configurou-se o seguinte quadro: no setor agropecuário 161 consideram o curso regular; 24 consideram bom e 116, consideram ótimo. No setor de comércio e serviços, 228 consideram regular, 115 consideram bom, e nenhum considera ótimo. No setor de finanças, todos os empresários consideram ótimo, e no setor de indústrias, repete-se o mesmo resultado do setor de finanças, conforme podemos verificar na Tabela 10.

Tabela 10. Nível de satisfação dos empresários com os cursos oferecidos

Setor

Regular

Bom

Ótimo

Total

Total

399

153

179

731

Saúde

10

14

49

73

Industrial

0

0

4

4

Finanças

0

0

10

10

Comércio e Serviços

228

115

0

343

Agropecuária

161

24

116

301

Fonte: Autores (2017).

Como podemos verificar, os proprietários rurais, em sua maioria, conhecem os cursos oferecidos pelo campus Barbacena, os que disseram não conhecer propuseram a criação do curso de Veterinária para atender suas demandas como proprietários rurais. No setor de comércio e serviços verificou-se que a maioria dos empresários deste setor conhecem os cursos oferecidos pelo campus Barbacena e o curso solicitado pelos que não conhecem também foi o curso de Veterinária.

Já no setor de saúde a grande maioria dos empresários ouvidos disseram conhecer os cursos oferecidos pelo campus Barbacena e aqueles que disseram não conhecer prepuseram o curso de Psicologia para atender suas demandas como empresários. No setor de finanças a metade dos empresários questionados conhecem os cursos oferecidos, sendo que a outra metade propôs o curso de Ciências Contábeis para ser criado pelo campus Barbacena.

Os empresários do setor Industrial, na contramão dos outros setores, disseram não conhecer os cursos oferecidos pelo campus Barbacena e indicaram a criação de curso na área de Indústria Alimentícia, sendo que os mesmos já são contemplados com o curso de Tecnologia em Alimentos ofertado pela instituição.

Foi possível observar, além disso, que quando todos os empresários foram questionados sobre a qualidade dos egressos formados no campus Barbacena, a grande maioria concorda que os mesmos estão preparados para entrarem no mercado do trabalho, mas quando a mesma pergunta se faz por setor, os empresários do setor agropecuário em sua maioria acham que os egressos não estão preparados para o mercado do trabalho e, no setor de indústria traz uma curiosidade interessante, pois todos disseram não conhecer os cursos ofertados pelo campus Barbacena, mas todos opinaram pela boa qualidade dos egressos.

Por fim, quanto ao nível de satisfação dos empresários com os cursos do campus oferecidos, verificamos que 399 empresários acham os cursos regulares, 153 acham bons e 169 ótimos.

 

4 Considerações finais

O trabalho apresentado teve como objetivo geral verificar se os cursos superiores do IF Sudeste MG/Barbacena atendem às necessidades das empresas do município, o que foi confirmado pela maioria dos empresários entrevistados, que também recomendaram os cursos de Veterinária e Direito para serem oferecidos pela instituição.

Quanto à qualidade dos egressos para ingressarem no mercado de trabalho, a maioria dos empresários concluiu que os mesmos estão capacitados para a função.

Finalmente, quanto ao nível de satisfação dos empresários em relação aos cursos oferecidos pela instituição, mais da metade destes acham que os cursos oferecidos são apenas regulares, o que sinaliza para uma reflexão sobre a real qualidade dos cursos ofertados pela instituição, pois sugerem que está havendo um descolamento entre as matrizes curriculares de formação acadêmica e as exigências do mercado de trabalho. Não desconhecemos a possibilidade de a escola lograr alcançar o mesmo ritmo dinâmico do mercado de trabalho, mas os resultados forçam a uma busca imediata de atualização da formação acadêmica por meio do estabelecimento de um diálogo entre toda a comunidade acadêmica, e entre esta e a comunidade externa: empresários e setores produtivos envolvidos no desenvolvimento do município, com o objetivo de melhorar a qualidade dos cursos e, consequentemente, do nível de formação dos alunos. Esta iniciativa levará ao fortalecimento desses setores, aumentando a competitividade e produtividade, criando um ambiente que transforme conhecimento em desenvolvimento econômico.

A criação dos Institutos Federais veio contribuir para a melhoria do Arranjo Produtivo Local, como já dito anteriormente, mas a falta de uma discussão profunda, de forma a envolver toda a comunidade acadêmica como amadurecimento para a uma mudança de tamanha complexidade que iniciou em 2008, principalmente nas instituições oriundas do ensino agrícola que conviviam com uma realidade totalmente diferente da atual, onde na maioria delas não existia o ensino superior, e criaram estes cursos sem a experiência necessária do tripé da educação superior: ensino, pesquisa e extensão, e a falta de estudos de impacto para a criação dos mesmos, levaram os Institutos Federais a criarem diversos cursos superiores sem a devida estrutura física e sem recursos humanos necessários para funcionamento dos mesmos.

Nesse sentido esse estudo vem tentar contribuir para melhorar a qualidade dos cursos superiores do IF Sudeste MG/ Barbacena, e se for o caso, extinguir cursos que não estejam dentro do perfil das empresas do município e da região, como também propor outros onde seus egressos possam ser absorvidos pelo mercado de trabalho com a qualidade exigida pela economia mundial.

 

Referências

BABBIE, E. Métodos de Pesquisa Survey. Tradução de Guilherme Cezarino. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.

BARROS, R. P.; HENRIQUES, R.; MENDONÇA, R. Desigualdade e pobreza no Brasil: retrato de uma estabilidade inaceitável. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 15, n. 42, p. 123-142, 2002.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia: Concepção e Diretrizes. Brasília – DF, 2008.

______. Ministério da Educação. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais: relatório de Gestão. Barbacena - MG, 2009.

DUPAS, G. Economia global e exclusão social: pobreza, emprego, estado e o futuro do capitalismo. Paz e Terra, 2001.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2001.

LEVINE, D. M.; BERENSON, M. L.; STEPHAN, D. Estatística: teoria e aplicação usando Microsoft Excel em português. Rio de Janeiro: LTC, 2000.

MANFREDI, S. M. Educação profissional no Brasil: atores e cenários ao longo da história. Paco Editorial, 2017.

PACHECO, E. Os Institutos Federais: uma revolução na educação profissional e tecnológica. Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica: Brasília, DF, 2009

SECRETARIA DE REGISTRO ESCOLAR, SRE, Instituto Federal do Sudeste de Minas gerais, Campus Barbacena - 2012.

SILVA, J. R.; BRANDÃO, C. F. Políticas educacionais para o ensino médio e o ensino profissional nos governos Lula e FHC: a educação a favor do trabalho. Anais do VI Seminário do Trabalho, Economia e Educação no século XXI, UNESP, Marilia, 2008.

SOARES, R. D. Política de Formação Profissional de Minas Gerais. Boletim Técnico do SENAC, v. 25, n. 2, 1999. Disponível em: <http://www.senac.br/INFORMATIVO/BTS>. Acesso em: 14 fev. 2017.

TRIOLA, M. F. Introdução à estatística. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999.

 

 

Apêndice A – Questionário (empresários)

Este questionário tem por objetivo levantar subsídios para a demanda de cursos superiores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG/Campus Barbacena)

 

1) Nome do Entrevistado:

 

 

Idade:

 

Fone:

 

 

Sexo:

 

Email:

 

2) Nome da Empresa:

 

 

3) Característica da Empresa:

 

 

Serviço

 

 

Comércio

 

 

Finanças

 

 

Industrial

 

 

Rural/Agropecuária

 

 

Saúde (hospitais e Clínicas)

 

 

Industrial

 

4) Característica do entrevistado:

 

Proprietário

 

 

Gestor Público

 

 

Gerente

 

5) Os atuais cursos do IF Sudeste MG/Campus Barbacena, atendem as necessidades da sua Empresa? (ESTES SÃO OS ATUAIS CURSOS)

Superior de Gestão Ambiental

Superior de Sistemas para Internet

Superior de Administração

Superior de Licenciatura em Química

Superior de Engenharia Agronômica

Superior de Educação Física

Superior de Gestão de Turismo

Superior de Biologia

Sim

 

Não

 

Não conheço os cursos

 

6) Se a resposta a pergunta anterior foi não, quais os cursos deveriam ter no IF Sudeste MG/Campus Barbacena, para atender a sua empresa? Cite no máximo dois cursos:

 

7) Os alunos que formam no IF Sudeste MG/Campus Barbacena, estão capacitados a ingressarem no mercado de trabalho?

 

Sim

 

 

 

 

Não

 

 

 

 

Não sei

 

 

 

8) Se a sua resposta foi não, na pergunta anterior, o que falta para melhorar qualidade de ensino dos alunos? (favor descrever)

 

9) O que acha da qualidade dos cursos do IF Sudeste MG/Campus Barbacena?

Ótimo

 

 

Ruim

 

 

Bom

 

 

Péssimo

 

 

Regular

 

 

Não sei

 

 

 

 

 

Revista Brasileira de Ensino Superior, Passo Fundo, vol. 3, n. 2, p. 79-93, Abr.-Jun. 2017 - ISSN 2447-3944

[Recebido: Abr. 28, 2017; Aceito: Nov. 20, 2017]

DOI: https://doi.org/10.18256/2447-3944.2017.v3i2.1887

 

Endereço correspondente / Correspondence address

Dra. Daniela Fantoni de Lima Alexandrino

Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)

Rua Coronel José Máximo, 200, São Sebastião

CEP: 36202-284 – Barbacena, MG, Brasil.

 

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Sistema de avaliação: Double Blind Review

Editora responsável: Verônica Paludo Bressan

 

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e-ISSN: 2447-3944

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